Fevereiro de 2000
Será que Adão, Eva, cobra e tudo mais não são apenas símbolos? Quando Deus criou todos os seres, é óbvio que Ele criou também a Eva Negra, a Eva Amarela, a Eva Branca etc. Não é verdade?
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A Palavra do Sacerdote

Perguntas
– As respostas do Sr. para Catolicismo nº. 584 [agosto/99] deixaram-me algumas dúvidas no que se refere à Criação:

1 – Será que Adão, Eva, cobra e tudo mais não são apenas símbolos?

2 – Quando Deus criou todos os seres, é óbvio que Ele criou também a Eva Negra, a Eva Amarela, a Eva Branca etc. Não é verdade?

3 – Quando Caim matou Abel, ficou com muito medo, diz a Bíblia. Pergunto: medo de quem? Não seria de outros pastores? E mais: o Gênesis diz que Caim mudou-se para outro lugar e fundou uma grande cidade; ora, para formar uma grande cidade precisa haver multidões. Portanto, não faz sentido algum dizer que ele precisou casar com uma irmã, porque já havia multidões!

4 – A Bíblia data apenas de seis mil anos nos dois Testamentos. Pergunto: entre os sete dias que o Criador criou tudo e os 6 mil anos mais, daria para imaginar quantos milênios se passaram?

5 – Diz a Vulgata: no princípio tudo era trevas e os espíritos pairavam sobre as águas. Pergunto: quando Deus disse “haja luz”, o sol apareceu de repente tal qual se o vê hoje, ou demorou milênios? Eu imagino que sim”.

Conego José Luiz Villac
Resposta
– Com relação a Adão e Eva e todo o episódio do pecado original, responde o grande exegeta francês, altamente autorizado pela Igreja, o Pe. Luís  Claúdio Fillion: “a narração é de uma grande beleza; todos seus detalhes são históricos e reais, de nenhum modo alegóricos ou figurados ....  A serpente .... o que nos mostra que já, sob o reptil material e vulgar se escondia aquele que os primeiros rabinos chamavam, em lembrança a esse episódio, ‘a serpente antiga’, o chefe dos demônios. Porque o mal já havia penetrado no mundo” (L.-CL. Fillion, La Sainte Bible Commentée d’après la Vulgate et les textes originaux, Letouzey et Ané, Éditeurs, Paris, 1899, tomo I,  p. 30). Trata-se, pois, de uma realidade histórica. Sob a serpente escondia-se o demônio.

Eva Negra, Eva amarela?

2 – Não é tão óbvio, como diz o leitor, que Deus, quando criou todos os seres, criou também uma Eva negra, uma Eva amarela, uma Eva branca etc. Se com isso se quer dizer que essas várias criaturas foram criadas simultaneamente com a primeira Eva, mãe de todo o gênero humano, a tese não é aceitável, pois é Verdade de Fé, ensinada pela Igreja, que todo o gênero humano é oriundo de um único e primeiro casal – ADÃO e EVA –, criado por Deus no 6º dia da Criação do mundo. É o que a Sagrada Teologia denomina de Monogenismo.

Evidentemente, como somos todos obras de Deus, ao longo da sucessão dos tempos e valendo-se de causas segundas, Deus indiretamente criou também a diferenciação de raças: negra, amarela, branca etc.  Mas isso parece ter-se dado gradualmente, com  uma acentuação dos traços fisionômicos e outros caracteres, para os quais contribuíram condicionamentos do meio ambiente em que viviam. Baste-nos o ensinamento do Sagrado Magistério. Há ainda estudos fundados, com base bíblica, de que, dos três filhos de Noé, ter-se-iam derivado diferentes raças: os indo-europeus viriam de Jafet; os habitantes da África e da Ásia ocidental viriam de um filho de Cam, chamado Canaã; os semitas (árabes e judeus) de Sem. É certo, porém, que nas Sagradas Escrituras não há dado algum que permita chegar à conclusão de nosso consulente, da existência simultânea de várias Evas.

O castigo de Caim

3 – Não encontrei, em minha versão da Vulgata, a expressão citada pelo leitor de

que, depois de matar Abel, Caim “ficou com muito medo”; mesmo porque, imediatamente após o fratricídio, apareceu-lhe Deus perguntando por seu irmão, ao que ele respondeu de modo arrogante: “Porventura sou o guarda de meu irmão?”.

Para se entender o que segue na pergunta de nosso leitor (se Caim ficou com medo de outros pastores) é preciso notar a expressão “passado muito tempo” (Gen. 4, 3), que vem logo depois da citação de que Abel foi pastor de ovelhas e Caim agricultor. A expressão “passado muito tempo” pode significar várias gerações, pois no início os primeiros homens viviam várias centenas de anos. Adão, por exemplo, viveu 930 anos. A hipótese, portanto, do leitor, de que Caim tivesse ficado com medo de outros pastores, é cabível e pode estar subentendida quando este diz a Deus que seu pecado era muito grande, e que, portanto, “todo o que me achar, me matará” (id. ib., 14). Para impedir isso, Deus imprimiu-lhe um “sinal” (Gen. 4,15).

Caim andou “errante sobre a terra, e habitou o país de Nod. E Caim conheceu sua mulher, a qual concebeu e deu à luz Henoc. E edificou uma cidade, que chamou Henoc, do nome de seu filho” (id. ib., 16-17). Há aqui outra pequena imprecisão do leitor ao dizer que na Bíblia está dito “grande cidade”; de onde tira lógicas conclusões.

Pelo contrário, comentando esse trecho, o já citado Pe. Fillion, depois de afirmar que realmente Caim casou-se com uma de suas irmãs (o que era plenamente justificável nos primórdios, por ser da mesma geração que ele, e não de outra posterior), diz o autorizado autor a respeito dessa “cidade”: “que devia ser bem modesta em seus princípios: algumas cabanas, rodeadas por uma cerca protetora. O que, no entanto, já era um progresso” (id. ib., p. 36).

Qual a idade da Terra

4Da criação do mundo até a vinda de Nosso Senhor teriam ocorrido  4 mil anos, segundo alguns exegetas, 6 mil anos, segundo outros. O “Martirológio Romano”, à hora “Prima” do Ofício Divino, na Vigília do Natal, anuncia solenemente: “No ano 5199 da criação do mundo, quando Deus criou o Céu e a Terra; no ano 2957 do Dilúvio e 2015 do nascimento de Abraão .... estando em paz todo o Universo, à Sexta Idade do Mundo, JESUS CRISTO, Deus eterno e Filho do eterno Pai .... tendo sido concebido do Espírito Santo ... nasceu, feito homem, da sempre VIRGEM MARIA, em Belém de Judá: A NATIVIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, SEGUNDO A CARNE.”

Dois luzeiros

5 – Disse Deus: “Sejam feitos luzeiros no firmamento do Céu, e separem o dia da noite, e sirvam para sinais, e para (distinguir) os tempos, os dias e os anos; e resplandeçam no firmamento do céu, e alumiem a terra. E assim se fez. E Deus fez dois grandes luzeiros: o luzeiro maior, que presidisse ao dia, e o luzeiro menor, que presidisse à noite” (id., 1, 16-17). Comenta o Pe. Fillion: “Essa linguagem não é científica, mas é exata”. Portanto, Deus teria criado o sol já consumado, como criou o homem já adulto. “Porque a Deus nada é impossível”! (Lucas 1, 37).

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Jubileu de Prata sacerdotal

É-nos  muito grato registrar aqui a comemoração pelos 25 anos de sacerdócio do Revmo. Padre David Francisquini, realizada em dezembro último na igreja do Imaculado Coração de Maria, em Cardoso Moreira (RJ).

Dados biográficos

O Revmo. Pe. David Francisquini agradece à homenagem quelhe foi prestada por ocasião de seu Jubileu de Prata sacerdotal
O Revmo. Pe. David Francisquini entrou para o Seminário Menor em Jacarezinho (PR) e ali concluiu, em 1967, o curso Clássico. Recebeu a batina em 8 de dezembro desse mesmo ano. Em seguida, cursou Filosofia nos Seminários Maiores de Curitiba e de Diamantina (MG), tendo completado o curso de Teologia no Seminário Maria Imaculada de Campos (RJ).

Há 25 anos, no dia 8 de dezembro de 1974, recebeu as ordens menores e maiores e foi ordenado Presbítero, na Catedral do Santíssimo Salvador de Campos.

Na formação do sacerdote homenageado exerceu papel fundamental o ilustre colaborador de Catolicismo, Revmo. Cônego José Luís Marinho Villac. Este último foi Reitor do Seminário diocesano de Jacarezinho, e, mais tarde, Vigário da Igreja de Nossa Senhora do Terço e fundador do Seminário Maria Imaculada, de Campos. Neste Seminário o Revmo. Pe. David concluiu seus estudos de Teologia.

Aspecto parcial do numeroso público que compareceu à Missa comemorativa do Jubileu de Prata do Revmo. Pe. David Francisquini na igreja do Imaculado Coração de Maria, em Cardoso Moreira (RJ)
Atualmente Pe. David exerce sua missão sacerdotal na Igreja do Imaculado Coração de Maria, em Cardoso Moreira (RJ). Chegou ele a essa cidade em 1977 como Pároco da Matriz de São José. Em 1986, adquiriu o terreno onde foi construída a magnífica igreja do Imaculado Coração de Maria, da qual se orgulham hoje todos os cardosenses.

Amigo da TFP

Entusiasta do livro Revolução e Contra-Revolução, do Prof.  Plinio Corrêa de Oliveira, o Revmo.  Pe. David sempre propagou os ideais da  Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), fundada por aquele insigne pensador e líder católico.

O fecundo apostolado sacerdotal do Revmo. Pe. David Francisquini tem se caracterizado por seu zelo em defender a ortodoxia católica.

 

 

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