Abril de 2013
As cruzes do bom e do mau ladrão
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Leitura Espiritual

As cruzes do bom e do mau ladrão

Continuando com a transcrição de trechos da obra Pensamentos Consoladores, de São Francisco de Sales,(*)apresentamos nesta edição seus comentários sobre os sofrimentos inerentes a todos os homens

 

         Salomão diz que tudo o que se passa neste mundo é nada e aflição de espírito. Ninguém pode evitar a cruz e os sofrimentos; mas os ímpios e os pecadores estão

Crucifixão - Duccio di Bounisegna, séc. XIV Museu dell'Opera del Duomo, Siena, Itália

O bom Ladrão transformou sua cruz má na cruz de Jesus Cristo

ligados à cruz e às tribulações contra a vontade; e por sua impaciência tornam essas cruzes inúteis; têm sentimentos de estima de si mesmos semelhantes aos do mau ladrão; por este meio unem as suas cruzes às deste malvado e os seus prêmios serão iguais.

         O bom ladrão transformou sua cruz má na cruz de Jesus Cristo. Certamente os trabalhos, as injustiças, as tribulações que recebemos são cruzes de ladrão e as merecemos. Devemos, pois, dizer humildemente como o bom ladrão: “Recebemos em nossos sofrimentos o que merecemos por nossos pecados”. É assim que por nossa humildade transformaremos a cruz de ladrão em cruz de cristão verdadeiro. Unamos, pois, com o bom ladrão, a nossa cruz de pecador à cruz d’Aquele que nos salvou; e por esta amorosa e devota união dos nossos sofrimentos à cruz de Jesus Cristo, entraremos como o bom ladrão na sua amizade e no paraíso.

         “Se alguém quiser vir após mim, diz Nosso Senhor, tome a sua cruz e siga-me”. Tomar a sua cruz significa receber e sofrer todas as penas, contradições, aflições e mortificações que nos acontecem nesta vida. Sem exceção alguma, com uma inteira submissão e indiferença. [...] A cruz é a porta real para entrar no templo da santidade; aquele que a busca fora daí, não a encontra. As melhores cruzes são as mais pesadas e as mais pesadas são as que mais incomodam a parte inferior da alma. [...]

         Nosso Senhor concedeu a Davi escolher o castigo que queria, e bendito seja ele! Mas parece-me que eu não escolheria e teria deixado a escolha à sua divina Majestade. Quanto mais a cruz é de Deus, tanto mais a devemos amar. [...]

         Sêneca disse o seguinte, e eu queria que o tivesse dito Santo Agostinho: “A perfeição do homem consiste em sofrer bem todas as coisas, como se lhe chegasse por escolha sua”.

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(*) São Francisco de Sales, Pensamentos Consoladores, Livraria Salesiana Editora, São Paulo, 1946, pp. 203 a 206.

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