Abril de 2013
Populismo comunistizante vai ser tornando regra geral na América do Sul
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Populismo comunistizante vai se tornando regra geral na América do Sul

De braços abertos e sorriso nos lábios, o presidente chileno Sebastián Piñera entrega a direção da CELAC a Raúl Castro, novo dirigente da velha ditadura cubana
“Quando alguém perde a capacidade de envergonhar-se, nunca mais a recupera”— diz este adágio, muito verdadeiro, repetido em diversos países. Considerando a situação a situação dos governos sul-americanos que procuram impor o socialismo a seus respectivos países, afundando-os assim no caos e na miséria, esse aforisma aflora inevitavelmente à memória. E é fácil ver por quê.

 Alfredo Mac Hale

Já tratamos em diversas ocasiões nas páginas de Catolicismo, ao longo dos últimos anos, como os governos populistas de esquerda na América do Sul se tornaram cada vez mais numerosos, jactanciosos e incansáveis, enquanto os de centro ou de direita se mostram cada vez mais vacilantes, inconsequentes e tendentes a abandonar essa orientação, abraçando gradualmente o populismo e aumentando ao mesmo tempo suas cumplicidades com a esquerda.

  A “cúpula” da CELAC — festival de hipocrisia para dar uma aparente legitimidade ao regime castrista

O acontecido no último mês de janeiro, entretanto, superou todas as faltas de decoro até então cometidas nesta linha. Foi a realização, em Santiago do Chile, da “cúpula” das nações do Continente, denominada Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), à qual compareceram numerosos chefes de governo de nações da Europa na condição de convidados ou observadores.

A entidade em questão, da qual toda a América até esse momento nem sequer tinha ouvido falar, corresponde a uma iniciativa do hoje falecido Hugo Chávez, de criar mais um organismo multilateral. Deste eram excluídos os Estados Unidos e o Canadá, as duas nações mais importantes e poderosas, a fim de que a CELAC se transformasse em opositora continental de ambas, com vistas a promover sem maiores oposições o socialismo.

Em todo caso, o organismo é carente de sede, de orçamento, de funcionários, de credibilidade e de todo tipo de influência, justamente porque sua índole não corresponde àquilo que ele proclama, sendo incapaz de mostrar um só fato que justifique a sua existência ou possa dar esperanças de que algum dia isso se torne realidade.

Como é de rigor na atualidade, a CELAC proclama em seus estatutos respeito absoluto aos direitos humanos, à democracia, à autodeterminação dos povos, ao livre trânsito internacional, à liberdade sindical, de imprensa, e outras semelhantes. Contudo, isso não passa de um palavreado vazio, hipócrita e sem nenhuma consequência, pois todos sabem que ao mesmo tempo em que as nações mais decisivas agrupadasnessa entidade proclamam essas formalidades, as violam do modo mais sistemático e constante.

A presidência da CELAC é rotativa a cada dois anos, e vinha sendo exercida no período que expirou pelo presidente chileno. Este a transmitiu ao chefe de Estado cubano Raúl Castro, que deverá presidi-la no biênio que então se iniciava. Mas com isto patenteou-se a mais flagrante e escandalosa contradição entre a suposta condição democrática da CELAC e o caráter tirânico e totalitário de seu atual presidente. Com a agravante de que sua designação para chefiar o regime cubano foi feita por seu irmão Fidel Castro como se fosse um cargo hereditário, apesar de não existir nenhum documento oficial que o tenha estabelecido. Ou seja, é um regime de fato, sem nenhuma legitimidade jurídica.

Obviamente, nenhum dos chefes de Estado presentes formulou a menor objeção, pois já estava combinado de que seria assim. O presidente do Paraguai, Federico Franco, não compareceu, declarando que seu governo não havia sido convidado. É claro que não o fizeram devido à orientação do evento e porque várias chancelarias do Continente o consideram chefe de um regime golpista, apesar da origem de tal regime estar em perfeita consonância com a Constituição de seu país, correspondendo em todos os aspectos ao que a mesma estabelece.

Por sua vez, a Venezuela estava representada,não por Hugo Chávez — naqueles dias internado em uma clínica cubana para tratamento do câncer que o acometia e que depois causou sua morte —, mas por Nicolás Maduro, outrora ministro das Relações Exteriores, a quem Chávez, infringindo a lei venezuelana, designou no último momento para vice-presidente. Em suma, uma cadeia de fraudes para simular uma legitimidade que não tem e negar com inaudita hipocrisia a inclinação totalitária dos governos mais decisivos — Cuba e Venezuela — do contubérnio marxista iberoamericano.

O jornal espanhol ABC anuncia o fracasso do tratamento de Chávez em Havana

Lula e Dilma observam o corpo de Hugo Chávez, em Caracas

 Ao receber a presidência da CELAC, era preciso que Raúl Castro dissesse algo, não obstante a mediocridade de seu pensamento e o fato de não ter o menor hábito de dar qualquer tipo de explicação. Assim, ele terminou alegando o “direito” do regime cubano de usar a pena capital “para combater o narcotráfico”. Ora, não só o regime cubano promove há décadas o narcotráfico — de início através da narcoguerrilha colombiana e mais recentemente por meio do regime venezuelano — como a finalidade real dessa pena extrema é simplesmente ameaçar os possíveis opositores do comunismo.

É duro dizê-lo, dada a cultura insigne que Cuba teve outrora, mas essa infeliz ilha foi convertida em verdadeira nação-pária pela ditadura castrista, desejosa de perpetuar sua miséria ao tentar autolegitimar-se diante da opinião pública sem abandonar sua condição de regime opressor. Isto porque, desde seu início, está na medula de tal regime extinguir todas as elites dos países dos quais se apodera, a fim de assegurar que sua estrutura seja totalmente igualitária, sem quaisquer resquícios de hierarquia, e seu domínio seja total e irreversível.

Esta nova fraude castrista deve ser impedida. Impõe-se ao mesmo tempo destacar, em contraste com a índole infame da tirania que a subjuga, as qualidades da nação-vítima, as quais poderiam ressurgir se o comunismo fosse derrotado. Mas isto é todo o contrário do que vem fazendo o conjunto dos presidentes sul-americanos, que aceitam indolentemente a tirania e mostram olímpico desdém pela trágica prostração do povo cubano.

Algumas semanas depois de concluída a cúpula da CELAC, realizou-se em Havana a “reeleição” de Raúl Castro para outros cinco anos de governo. Houve ainda a “eleição” de um pseudo Poder Legislativo de 650 membros, sem que em ambas as “votações” tenha havido um só candidato opositor. Isto não impediu que as tubas publicitárias das demais nações proclamassemque o regime cubano começa a ser reformado. É mais um caso de pessoas que não só perderam a capacidade de se envergonhar, mas que nem sequer desejam recuperá-la...

 Na Venezuela, enganos em série para que o governo, parecendo democrático, não tenha que entregar o poder à oposição, caso esta vença a próxima eleição

Prosseguiu entrementes a verdadeira telenovela da doença de Hugo Chávez. Durante quase três meses seus seguidores afirmaram que ele reassumiria a qualquer momento suas funções de presidente, mas não apresentavam nenhuma prova de que Chávez se encontrava em condições de o fazer, ainda que fosse por poucas horas. O doente foi trasladado de Havana a Caracas sob condições de extremo sigilo, não tendo sido visto nesta capital por ninguém que não pertencesse ao estreito círculo de seus adeptos incondicionais. Todos estes asseguravam que o caudilho se recuperava rapidamente, mas ninguém ousava dar uma data para a sua aparição. Até que no dia 4 de março anunciou-se a sua morte.

Por que foi assim? Segundo seus partidários, porque ele estava quase curado e a ponto de reassumir suas funções; mas, de acordo com muitos, porque se tratava virtualmente de um doente terminal, com poucos dias ou semanas de vida, abreviada, segundo parece, por sucessivas terapias erradas e daninhas aplicadas em Cuba, que a diminuíram consideravelmente em vez de prolongá-la.

Ao secretismo mantido em Cuba sucedeu outro não menor aplicado em Caracas, de modo que, em vez de notícias, abundaram as especulações, os rumores e as suposições, nos quaisa opinião pública acreditava pouco, mas por certo muito mais do que nas versões oficiais que, além de carecerem de seriedade, contradiziam-se constantemente.

O problema para o chavismo dominante eraqueas leis vigentes, definidas pelo próprio Hugo Chávez enquanto gozava de aparente saúde, estabeleciam normas muito diversas para o caso de seu impedimento de exercer o cargo ser definitivo ou apenas temporário. De maneira que optar então por uma das versões poderia significar para o regime submeter-se a condições passíveis de dificultar, ao invés de assegurar, sua continuidade a prazo médio.

A “solução” encontrada pelo governo, como sói acontecer em regimes de fato, foi emitir afirmações enfáticas, as quais ele próprio era obrigado em breve a corrigir, pois, por assim dizer, a realidade se burla dos embusteiros. Mas o “mandato” obviamente era de que ninguém apontasse isso, pois poderia ficar sujeito à prisão por prazo indefinido, ou a outras formas de perseguição.

De todos os modos, a custosíssima campanha eleitoral governista na eleição presidencial de outubro de 2012 resultou num forte agravamento da crise econômica venezuelana, tornando-se inevitável uma desvalorização de 46% da moeda nacional, efetuada poucos meses depois. Isto está provocando grandes aumentos nos preços e acentuará a inflação para muito além do que se vinha verificando. A cotação oficial do dólar passou de 4,3 para 6,2 bolívares, mas no mercado paralelo está em torno de 25 bolívares...

Um dos primeiros aumentos será provavelmente o do preço da gasolina, hojemais barata que a água, por não subir desde 1996! Para cobrir os custos de produção, ela deveria aumentar 900%! Mas, para conservar-se no poder, pareceu essencial ao chavismo manter até agora seu baixíssimo preço. Como um aumento poderia resultar demolidor para a popularidade do governo, este talvez espere a realização das novas eleições.

 “A situação da Venezuela é a de um país em guerra” — declarou em Caracas um economista ao descrever os efeitos da desvalorização

Esta afirmação foi feita pelo professor Roberto Rigobón, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), durante o fórum Perspectivas 2013, organizado pelo Instituto de Estudios Superiores de Administración em Caracas. Ele assinalou que na capital só se encontram 17% dos produtos da cesta básica de alimentos e que o fenômeno é devido a problemas na distribuição e aos controles de preços impostos pelo governo para reduzir os lucros das empresas. O expositor acrescentou que a instabilidade de que padece o país se deve ao fato de não haver disciplina fiscal nem monetária.

Milícias a serviço da revolução bolivariana

Outro expositor, Pedro Luis Rodríguez, assegurou que o subsídio estatal ao combustível foi de 16 bilhõesde dólares em 2012, com o que se gasta “mais no subsídio à gasolina do que na saúde ou na educação” (Infobae América, 2-3-13).

Distantes da Venezuela, alguns jornais também julgam com clarividência o que sucede nesse país, em parte talvez por não estarem ao alcance dos agentes da censura ou das represálias. Assim, pode-se ler este artigo, reproduzido por um órgão paraguaio de um jornal uruguaio: “Enquanto o país [Venezuela]descambou na débâclefinanceira, na corrupção e na ineficiência administrativa, é mais do que duvidosa a veracidade das declarações otimistas de seus prepostos [de Chávez]para procurar ocultar o verdadeiro estado de saúde do Caudilho.

 “Após sua longa permanência em Cuba para sua quarta operação de câncer em 18 meses, não se sabe se voltou ao país porque se recuperou um pouco, ou porque não há mais o que fazer. Dada a pouca confiabilidade dos anúncios oficiais sobre a sua saúde, motivadas por urgências políticas mais que por respeito ao público, o único esclarecimento sólido seria um relato de uma junta médica independente. Mas por enquanto não se vislumbra isso.

 “Todo o círculo de Chávez, por outro lado, recorreu a um truquejurídico para evitar novas eleições presidenciais, como dispunha a Constituição depois que o presidente não pôde prestar juramente em 10 de janeiro para o novo período para o qual foi reeleito. Mas em qualquer caso, com Chávez relegado a símbolo do passado depois de 14 anos de caudilhismo autoritário e seus subordinados sem rumo governamental, os venezuelanos enfrentam um futuro enegrecido pela desastrosa condução do país. Sofrem a inflação mais alta do continente depois da Argentina, uma pavorosa escassez de alimentos e de outros artigos essenciais, e uma crise energética que poderá a qualquermomento deixar sem eletricidade grandes áreas do país” (El misterio venezolano, “5 días”, Assunção, apud El Observador, Montevideu, 24-2-13).

Expressões dos seguidores de Chávez no dia de seu sepultamento

Por sua vez, um observador de Caracas assim descreve as folclóricas manifestações chavistas: “A maré vermelha tem vinculações muito estreitas com os ‘camisas pardas’ da SS nazista, os ‘camisas negras’ do fascismo italiano e os ‘camisas azuis’ do falangismo franquista. Com a incorporação dos milicianos, que exibem um lenço vermelho ao pescoço, como os pioneirinhos cubanos. e portam armas de guerra como a KGB, nas atividades de proselitismo do PSUV se cria uma mescla de vermelho-verde-oliva que simplifica a identificação cromo-ideológica oficialista e que, no final, será uma canção de Ali Primera [cantor de protesto], uma flanela vermelha e um gorro militar. Nada de Marx nem de Salvador de la Plaza [ativista venezuelano contra os regimes de fato], nem de debates sobre a plusvalia; nada de socialismo com rosto humano nem de direitos humanos. Nada de reconhecer o contrário, nada de Karl Popper, de Jürgen Habermas [pensadores alemães]e de Hannah Arendt [ativista antinazismo]. Nada. Só renda ‘petroleira’” [com a qual são pagas a demagogia e a ofensiva chavistas...] (“Chancletas coloradas, de Ramón Hernández em “Venezuela Analítica”, 24-2-13).

Ou seja, em boas contas, é mediante um gasto fiscal extremamente caudaloso manejado por um regime buliçoso, farsante e de empuxe inconsistente, que este consegue mobilizar partidários de uma radicalidade ideológica questionável. De onde a necessidade para o governo da presença cubana, a fim de insinuar à oposição que a repressão poderia ser brutal, e estimulá-la assim a moderar-se continuamente.

Os comentários do general da reserva Fernando Ochoa Antich, ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores, sobre a situação venezuelana, são muito eloquentes: “O governo presidido por Nicolás Maduro [antes da morte de Chávez] é inconstitucional e ilegítimo. É uma clara usurpação das funções do Presidente da República que correspondem a Diosdado Cabello. A interpretação que a sala constitucional do Tribunal Supremo de Justiça fez sobre a ausência absoluta ou temporária de Hugo Chávez foi arbitrária e antijurídica. As fotografias que o governo nacional acaba de apresentar não são provas suficientes para garantir que Hugo Chávez exerce suas funções presidenciais. Ademais, não se esclarece seu estado de saúde em relação ao câncer de que padece.

 “A verdade, a única verdade, é que atualmente nos governa uma camarilha de ambiciosos a serviço dos irmãos Castro, que aspira conservar o poder dando as costas para a vontade de nosso povo. Esta grave situação se torna ainda mais insustentável diante da crise vivida pela Venezuela. Observem a realidade e verão que tenho razão. Analisem, por exemplo, a tragédia que significa a violência em nossa sociedade.

 “O assassinato, o sequestro e o roubo são o pão nosso de cada dia. Não há classe social que não esteja ameaçada, dos mais humildes aos mais poderosos, diante da incompetência de um governo que não foi capaz nem sequer de resolver a crise penitenciária. Sempre objetivas, as cifras são terríveis: nos 14 anos de governo chavista foram assassinados mais de 150 mil cidadãos, número só comparável a um país em guerra. No ano de 2012 se praticaram 1050 sequestros, 23 vezes mais do que em 1999 [ascensão de Chávez]. Reflitam. Estas são realidades que não desaparecem com a propaganda” (Nos gobiernan los Castro, in “Venezuela Analítica”, 22-2-13).

Nas condições acima descritas, tudo indica que a Venezuela vai afundando num clima de extrema polarização, na qual a relativa folga econômica que teve até agora diminuirá rapidamente por efeito do forte desabastecimento de produtos essenciais; da escassez de divisas para fazer face às enormes importações de alimentos de que necessita; do crescimento do mercado negro; da inflação descontrolada; dos irados protestos populares, e da inclemente repressão de um governo que é, ao mesmo tempo, débil e odioso, temeroso e vingativo. Com o qual a violência com certeza aumentará.

Já se tornou habitual ao chavismo culpar a “oligarquia” e o “Império” por todos os males existentes ou possíveis, em especial aqueles pelos quais ele próprio é o culpado. Esse ódio tende a se converter em obsessão para inflamar o populacho e torná-lo agressivo. Serve ainda para amedrontar todos os opositores, atuais e potenciais, em face de um conflito social que arda de um extremo ao outro no país. Esta ação incendiária é exercida não por personagens secundários, mas por representantes de todas as hierarquias, inclusive pelo presidente da República, de modo a fazer recear que o novo governo venha a culpar a oposição pela violência que ele mesmo desencadeie.

 Se esse conflito se produzir, é previsívelque se estenda facilmente por todo o Continente, pela articulação do regime venezuelano com a Cuba castrista, com o esquerdismo islâmico, com os guerrilheiros e terroristas da Colômbia e de outras nações, com as esquerdas em geral do Brasil, da Argentina, da Bolívia etc. Todos eles vivem sonhando com uma guerra geral de classes e de raças, pois creem que assim poderiam conquistar as grandes massas que até o momento se lhes manifestam hostis ou reticentes.

Trajes e gestos dizem muitas vezes mais do que as palavras: indicado por Chávez para seu sucessor, Nicólas Maduro(à direita) concorrerá às eleições para a Presidência da Venezuela neste mês de Abril

Nessas condições, a eleição presidencial foi convocada quase imediatamente após a morte de Chávez, para que dentro de um prazo exíguo – cerca de um mês – o país opteentre a continuidade do regime despótico e dono da quase totalidade do poder, e a oposição, da qual não se sabe se poderá fazer-se respeitar pelo Governo.Recém-unida, esta conta com o apoio majoritário da parte pensante da nação, mas não pela maioria desta, a qual oscila entre a indignação diante da ditadura que a oprime e o receio diante de suas constantes ameaças e ataques. Na verdade, o regime estuda como auferir o máximo de vantagens na eleição, cônscia de que as instituições oficiais que nela devem intervir estão todas submetidas ao Executivo e dispostas a obedecer totalmente àquilo que lhes for mandado.

A oposição deve estar totalmente unida para enfrentar o chavismo nessa contenda, com um esquema que nada tenha de concessivo ao regime imperante. A recente eleição presidencial equatoriana com sete candidatos de “oposição” já deixou totalmente claro um dos modos pelos quais esses candidatos favoreceram a quem diziam combater.

Por sua vez, a eleição venezuelana de outubro mostrou que um tom de semi-oposição equivale a dar por antecipação a vitória ao governo. Se esse tom prevalecer na próxima eleição, os mais de um milhão de venezuelanos que estão refugiados no exterior por causa da prepotência chavista nem sequer votarão no candidato opositor. Este deve denunciar os excessos abusivos da propaganda oficialista, máxime se é paga pelo Estado e se compromete a fundo a economia do país,coisas que ele não fez na eleição de outubro.

De qualquer modo, cumpre olhar de frente e desde agora que se Nicolás Maduro — o continuador designado por Chávez — perder a eleição, o regime não entregará o poder, salvo se for absolutamente obrigado a fazê-lo. E é muito provável que nesta circunstância opte por uma violência repressiva brutal, para cujo desencadeamento conta com dezenas de milhares de cubanos comunistas enquistados em todos os ambientes venezuelanos, além de uma milícia de 150 mil membros fortemente armados e sedentos de violência, e incontáveis infiltrados nas Forças Armadas. Aliás, isto é o que os hierarcas do regime insinuam continuamente, atribuindo conspirações e tramas golpistas à oposição por questionar o silêncio oficial sobre a saúde de Chávez. Quem o disse foi o próprio Maduro, de filiação conhecidamente comunista.

Importa finalmente mostrar de modo palpável a todo o país que a opção não é entre a continuidade do chavismo e a oposição, pois o primeiro está totalmente descartado: a economia está inteiramente arruinada e requer enormes esforços, tanto para a sua recuperação quanto para a supressão de todos os desperdícios típicos do regime, a começar pela enorme ajuda a Cuba.

Obviamente, a confluência em Caracas de quase todos os presidentes sul-americanos para assistir aos funerais de Chávez — uma homenagem cuja desproporção demonstra quão pouco lhes importa a destruição operada pelo chavismo na Venezuela e o perigo que corre todo o Continente — não é algo que ajude à oposição. Pelo contrário, é uma amostra das dificuldades que esta deverá saber enfrentar custe o que custar. E fazê-lo convicta de que a Divina Providência não abandonará um povo que se aferre de verdade à sua condição de católico, ainda quando esteja caindo no abismo.

Ora, se o regime vencer a eleição — o que infelizmente parece ser o mais provável — encontrará uma situação totalmente diferente daquela quando Chávez estava vivo. Pois, além de não mais poder contar com ele para manipular o populacho através da invenção e difusão de sofismas visando justificar a miséria, não dispor&aac

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