Abril de 2013
O que explica a reação conservadora no mundo?
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Ação Contra-Revolucionária

O que explica a reação conservadora no mundo?

Edson Oliveira

 

 

No dia 21 de fevereiro de 2013 realizou-se no Club Homs, situado na Avenida Paulista, mais um importante evento promovido pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Aproximadamente 150 pessoas compareceram para ouvir três conferencistas versarem sobre as reações conservadoras que estão ocorrendo no Brasil e no mundo, polarizando a opinião pública e colocando sérios obstáculos à marcha do nefasto processo revolucionário.

Qual é a origem nos mais diversos países dessa reação salutar cujos atores são frequentemente jovens (de)formados pelo século, mas que estão abrindo os olhos e resolvidos a enfrentar a avalanche revolucionária?

 

 

A resposta a esta pergunta, fundamental para se entender os rumos dos acontecimentos atuais, foi o que o público presente ao evento quis ouvir com atenção.

O primeiro elemento da resposta proveio do presidente do Instituto, Dr. Adolpho Lindenberg, que abriu a evento fazendo a apresentação dos conferencistas e enfatizando que as reações conservadoras têm sua fonte primeira em uma graça suscitada pela Providência Divina.

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O Dr. Nelson Ribeiro Fragelli, diretor da associação antiabortista italiana Voglio Vivere [Quero Viver], iniciou sua palestra de maneira inusitada. Como um impressionista da linguagem, foi pintando na imaginação dos ouvintes um quadro sobre a história de Nossa Senhora de Lourdes e sua vitória sobre as correntes positivistas, iluministas e ateias que dominavam intelectualmente o século XIX. Através de uma jovem chamada Bernadete, nascida de um povo simples que ainda tinha fé, a Virgem Maria venceu todos os obstáculos que o establishment da época colocou contra as aparições na gruta de Massabielle.

Com o apoio de Napoleão III, houve proibições da prefeitura da região de Lourdes para impedir o povo de visitar o local das aparições. Chegou-se a colocar em volta da gruta uma cerca com guardas para a vigiarem. Tais medidas pareciam suficientes para combater a “superstição”.

Mas qual não foi a surpresa do administrador regional, quando o chefe da guarnição policial o procurou um dia com a roupa toda rasgada, para avisá-lo do inesperado: os fiéis haviam expulsado os guardas — alguns dos quais aderiram ao povo — e removido a cerca.

Nossa Senhora havia dado àquela população católica coragem para enfrentar a onda anti-religiosa que varria naquele momento as cúpulas políticas e intelectuais.

E assim como os fiéis reagiram para defender o local das aparições de Lourdes das hostes anticatólicas, a Mãe de Deus faz florescer no fundo das almas fibras conservadoras para que elas possam defender a “gruta Massabielle” de nossos dias: a instituição da família, tão combatida pelas correntes revolucionárias.

Segundo o conferencista, a família é o único tema que nas pesquisas francesas de opinião recebe o apoio de pessoas de todas as vertentes (da esquerda, do centro e da direita). O que explica a extraordinária marcha com 1 milhão de participantes contra a aprovação do “casamento” homossexual, ocorrida recentemente em Paris.

É preciso lutar para que a família não pereça, e uma larga maioria dos franceses parece disposta a fazê-lo, do mesmo modo como o povinho dos Pirineus lutou outrora para proteger a gruta de Lourdes.

 

 

No tocante à Itália, o orador pôs em realce a benéfica influência exercida pelo pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira nos movimentos conservadores daquele país. Lembrou, a título de exemplo, o recente livro intitulado Spaghetticons, de Luigi Copertino, que descreve as origens do neoconservadorismo na Itália e a importância dos escritos do pensador católico brasileiro.

Ressaltou também as reações conservadoras na Hungria, que, segundo o Dr. Fragelli, se refletem nas posições do atual governo e na aprovação de uma constituição de teor conservador. Apesar de o presidente Victor Orban ser calvinista, em uma conferência que pronunciou em Madrid no ano passado, ele afirmou que a Hungria é a “Terra de Maria”.

O conferencista ainda observou que tais atitudes inesperadas do povo húngaro certamente são frutos das graças obtidas pelo martírio do heroico cardeal József Mindszenty, que após sofrer indizivelmente nas masmorras comunistas, foi perseguido pela esquerda católica no Ocidente, por rejeitar a coexistência com o governo marxista.

Os mentores da União Europeia laica e anticatólica não estarão surpresos diante desses acontecimentos como outrora esteve o prefeito da região de Lourdes diante da reação de almas simples em defesa da gruta bendita? Com essa pergunta o Dr. Nelson Fragelli deu o último toque de pincel em seu quadro sobre a situação da Europa, concluindo: “Maria Vincit!”.

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Outro conferencista, o Dr. Mario Navarro da Costa, diretor de campanhas do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, falou sobre os movimentos conservadores nos Estados Unidos. Descreveu em linhas gerais a importância desse país para a expansão do processo revolucionário no passado, e as esperanças de seus fundadores em criar uma nação baseada nos funestos princípios da Revolução Francesa.

Mostrou também toda a influência desagregadora que Hollywood exerceu — e ainda exerce — na revolução cultural visando à mudança da mentalidade dos povos. Ressaltou o avanço revolucionário no tocante ao “casamento” homossexual (já aprovado em vários estados da Federação); a imposição legal de homossexuais declarados às Forças Armadas e a tentativa de fazer o mesmo quanto aos grupos escoteiros; os 40 anos da aprovação judicial do aborto em qualquer momento da gestação; e a investida socialista na economia. Perguntou em seguida ao auditório se nesse contexto era possível existir alguma reação sadia.

Explicou então que nos EUA existe, ao lado de uma enigmática coexistência de fatores conservadores e revolucionários, uma ascensão do conservadorismo militante iniciada há décadas. Nos momentos em que a Revolução dá seus últimos golpes no que restou da civilização cristã, no ocaso dessa civilização surge a aurora de uma graça nova semelhante à do Filho Pródigo do Evangelho, de voltar à casa paterna.

Segundo o palestrante, nos EUA as pessoas despertaram para o fato de que, na luta contra a destruição dos bens da civilização, importam não somente as eleições e os fatores políticos, mas também atuações no campo da cultura. Ele exemplificou com o fato de que a revolução cultural não parou de avançar mesmo durante os governos de Reagan e dos dois Bush (pai e filho).

Destacou ainda a importância que a TFP americana sempre atribuiu à necessidade de alertar a opinião pública sobre os problemas culturais, e as iniciativas que a entidade empreendeu nesse sentido, a mais recente das quais foi a publicação do esplêndido livro Return to Order.

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A última palestra coube ao jornalista Nelson Ramos Barreto. Iniciou dizendo que se referir ao florescimento de movimentos conservadores no Brasil não é otimismo, pois se trata de um fenômeno reconhecido em todo o mundo, até por elementos da esquerda. Citou então o escritor francês Gilles Kepel, que em seu livro intitulado A Revanche de Deus comenta e lamenta a crescente onda do espírito religioso no mundo.

Outro ponto importante exposto pelo conferencista foi sua explicação sobre a vertente conservadora no Brasil. Segundo ele, sempre que há consultas de opinião pública, fica patente que o público brasileiro é conservador, especialmente em pontos referentes à família.

Mas como explicar que essa mesma massa conservadora eleja políticos de esquerda que elaboram leis contrárias aos anseios desse eleitorado?

A resposta foi a seguinte: o conservadorismo brasileiro não é ideológico. Portanto, as vitórias eleitorais obtidas pela esquerda não representam uma vitória do socialismo. Decorrem de manobras eleitorais (que evitam tratar de aborto, homossexualismo, maioridade penal, etc.) visando perpetuar os esquerdistas no poder e tentar aprovar subrepticiamente projetos de lei antifamília no Congresso Nacional.

Incumbe ao movimento conservador no Brasil alertar a opinião pública — conservadora, mas adormecida — e fazê-la reagir. Apesar dessa inação, os governos petistas sentem dificuldade em aprovar leis abortistas e a chamada “lei da homofobia”, que criminaliza todos os brasileiros contrários à propaganda homossexual.

O Dr. Nelson Barreto enfatizou um importante exemplo dessa reação, ocorrido por ocasião das últimas eleições presidenciais. A esquerda esperava uma vitória da candidata Dilma no primeiro turno. Mas quando diversos segmentos conservadores da sociedade e um corajoso bispo levantaram o tema do aborto, as eleições foram empurradas para o segundo turno.

A vitória de Dilma se tornou tão incerta, que ela se viu obrigada não somente a fazer discursos ambíguos sobre sua posição a respeito desse tema, mas também a visitar o Santuário de Aparecida — onde, aliás, teve dificuldades em fazer de modo correto o Sinal da Cruz.

O palestrante se referiu em seguida ao fato de que, apesar da atual crise na Igreja católica e da consequente influência e controle ainda exercidos por elementos progressistas nos seminários, surge fato novo: seminaristas e padres jovens conservadores e defensores da doutrina católica tradicional. Como explicar tal ocorrência, a não ser por uma benfazeja ação da Providência Divina nas almas?

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O Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, finalizou brilhantemente o evento reafirmando que essa reação conservadora — que se desenvolve em mundo sob o domínio da esquerda — é realmente uma ação de Nossa Senhora. Eis suas palavras finais: “Saibamos, como dizia São Luiz IX, ‘enfrentar as coisas do ponto mais alto do nosso batismo’. Não tenhamos medo de nos opor à mídia e ao laicismo moderno, porque nós jogamos com as cartas marcadas. Nossa Senhora já previu em Fátima: ‘Por fim, meu Imaculado Coração Triunfará!’”.

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