Fevereiro de 2000
Nova capitulação do Ocidente: Macau entregue à China comunista
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Internacional

Nova capitulação do Ocidente:
Macau entregue à China comunista

Pouco depois de os norte-americanos concederem o Canal do Panamá a um governo pouco confiável, ocorre mais uma vergonhosa transigência ocidental no Extremo Oriente

·         Alfredo Mac Hale

Portugal acaba de conceder à China vermelha a soberania de sua antiga colônia de Macau, quase quatro séculos e meio após haver sido conquistada pelos lusos.

Pouco depois de os norte-americanos concederem o Canal do Panamá a um governo pouco confiável, ocorre mais uma vergonhosa transigência ocidental no Extremo Oriente
Esse inexplicável ato se dá praticamente dois anos e meio após o Reino Unido fazer o mesmo em relação ao enclave britânico de Hong Kong. E ocorre poucos meses depois de os Estados Unidos terem entregue a soberania do Canal do Panamá – de importância política e econômica vital para o Ocidente – a um regime pouco consistente e de tendência esquerdista, como é o vigente hoje no Panamá.

As entregas de Hong Kong e Macau marcam a aceitação dócil, da parte de duas nações européias – e no fundo de todo o Ocidente –, ao desígnio do regime comunista de submeter sob seu tacão todos os territórios que considera chineses.

Com isso, tal regime procura reunir características de uma grande potência, não só de população excepcional – mais de 1 bilhão e 200 milhões de habitantes –, mas por sua hegemonia, sem que povo algum lhe resista. A continuar tal situação, poderá ele ir subjugando aos poucos extensas áreas do Extremo Oriente.

De concessão em concessão até a meta final

A última etapa no processo para recapturar os pretensos territórios chineses – a mais grave e crucial e também a mais cobiçada por Pequim – é Taiwan (Formosa), a próspera ilha de 22 milhões de habitantes, onde vivem há meio século os chineses nacionalistas e anticomunistas, desde que foram derrotados no continente por Mao Tsé-Tung. A eles somaram-se muitos fugitivos da tirania vermelha da China continental, num êxodo incessante.

Taiwan vive sob um regime nitidamente capitalista e anticomunista, desfrutando de uma prosperidade excepcional, máxime se comparado com o que acontece na China vermelha, onde a miséria é a norma geral e a mera suficiência uma exceção.

Formosa é, pois, o reduto dos chineses patriotas, aliados de importantes forças de outros continentes. Mas tudo isso, somado à sua riqueza, constitui motivo a mais para a obsessão de Pequim em conquistá-la e dominá-la. Ali travar-se-á um grande embate entre os que desejam a liberdade e os que, a priori, se submetem à fórmula enganosa, e certamente efêmera, de sujeição no plano político, mas de aparente diferença no terreno sócio-econômico.

Até agora – ou seja, com Hong-Kong e Macau – tais reunificações ocorreram sob o lema idealizado por Pequim, de um país, dois sistemas: enquanto o território continental se mantém comunista, aceita para esses territórios o sistema capitalista.

Por quanto tempo? Em princípio por 50 anos, mas ninguém pode dizê-lo com certeza. Porquanto é de se temer que essa dualidade dure apenas o indispensável para que Pequim dê outros passos, obtenha novas vitórias e se prepare para novos abocanhamentos. Em tal caso, não serão as nações livres – tão concessivas a Pequim – que oporão qualquer resistência.

O regime comunista chinês procedeu com essa aparente tolerância justamente para não alarmar os habitantes desses antigos enclaves. Pois do contrário, eles poderiam emigrar rapidamente, transformando aqueles lugares em novos símbolos da tragédia que sucede fatalmente com qualquer nação, por mais próspera que seja, quando cai sob o domínio vermelho.

Diáspora chinesa: outra presa a ser abocanhada por Pequim

Essa concessão temporária visou sobretudo não inquietar – e inclusive atrair – a enorme e riquíssima diáspora chinesa. Esta, a partir de Hong-Kong e Taiwan, estende sua rede industrial, comercial e financeira por todos os continentes, relaciona-se intimamente com as mais variadas potências econômicas do mundo e penetra inclusive nas zonas litorâneas da própria China vermelha, onde esta tolera o capital estrangeiro.

Com efeito, ao longo da última década, desde a queda da Cortina de Ferro e do conseqüente desmoronamento dos regimes comunistas da Europa Oriental, a camarilha comunista que oprime a China lançou-se várias vezes em brutais repressões contra sua própria população, com o intuito de manter seu domínio coletivista e tirânico. Mas, ao mesmo tempo, procurou escapar do efeito natural desse regime, que é a crônica miséria, pois esta torna precária a subsistência daquele.

Para isso, Pequim optou por negociar o recebimento de gigantescas injeções de dinheiro capitalista. Em condições que são de um lado enormemente privilegiadas, mas que, de outro, requerem a cumplicidade e docilidade dos aplicadores de capitais com o injustíssimo e antinatural regime imperante naquele imenso país.

Com efeito, inversões provenientes de mais ou menos todas as latitudes – de modo muito notório da rede chinesa – realizam-se ali, mediante a instalação de grandes fábricas, beneficiam-se dos baixíssimos salários pagos na China e vendem seus produtos ao Mundo Livre, obtendo assim imensos lucros.

Isso representa uma forma de cumplicidade entre capitalistas e comunistas, obviamente muito mais em benefício destes últimos do que daqueles. E com tremendo prejuízo para os empregados e operários, que auferem salários miseráveis, embora altos se comparados com a população comum da China.

Obviamente, a entrega de Macau mostra uma colaboração de Portugal com a China na execução desse plano vergonhoso, cujo desenrolar significará uma extensão àquele antigo território luso da simbiose capitalista-comunista. Simbiose essa que já opera em várias regiões da China continental, tendendo a substituir a atividade econômica atual, centrada no turismo e no jogo – e infelizmente nas depravações que freqüentemente os acompanham – por uma forma velada de trabalho escravo.

Tragédia do Timor Leste: lição desaproveitada

Às considerações prévias sobre o aspecto sócio-econômico convém acrescentar outras referentes a aspectos mais elevados – religioso, moral, cultural – que o mundo contemporâneo parece não querer ver, e que por isso mesmo devemos ressaltar e analisar.

O porto de pescadores denominado A Vila, em Macau, tornou-se um dos primeiros entrepostos comerciais da Ásia. Mais um tento ganho pelo expansionismo comunista chinês
Há alguns meses, a opinião púbica internacional observou consternada os gravíssimos massacres acontecidos no Timor Leste. Essa ilha, também outrora colônia portuguesa, foi invadida e ocupada pela Indonésia em 1975, quando se desenrolava na metrópole a tristemente célebre Revolução dos Cravos. Esta última levou Portugal a uma situação limítrofe do comunismo e precipitou várias de suas colônias em regimes marxistas e antinaturais.

Até hoje o território de Timor Leste é habitado por uma população majoritariamente católica, que manifesta clara afinidade com o mundo luso. Pois bem, diante da ostensiva tolerância do Ocidente, essa população foi arrebatada pela Indonésia da soberania portuguesa e traumatizada pela brutal perseguição religiosa islâmica, à qual se somou a violência das turbas locais. Hoje se equilibra numa independência, cuja solidez é pouca clara.

Essa é uma lição que Portugal deveria ter aprendido e contudo não levou em consideração, uma vez que agora abandona outra pequena colônia no Extremo Oriente. Entrega-a à tutela infame do comunismo chinês, o que significará certamente nova opressão sobre seus habitantes.

Sem dúvida, na China a opressão é extremamente aguda. Ali os direitos básicos impressos por Deus em nossa  natureza humana não são respeitados, e isso o sabem os observadores internacionais. Como tomar a sério, pois, um compromisso mantido com tal governo, quando diariamente chegam ao Ocidente notícias das brutalidades cometidas por essa tirania oriental? Que mistério explica o afã do Mundo Livre em confiar numa pseudo-potência atéia e criminosa da qual não se pode esperar senão o mal  e violações da Lei natural nas mais diversas formas?

Taiwan: próxima vítima a ser abandonada pelo Ocidente?

Considerando não somente a perspectiva de amanhã, mas também de depois de amanhã, cumpre observar que o regime de Taiwan rechaça a escalada de conquista desenvolvida por Pequim. Ele vê de perto a opressão e a miséria que afetam a população continental, e as ameaças que pairam sobre os que optaram pelo exílio em seu território. Mas não está nada claro se, na hora decisiva, contará com o apoio do Mundo Livre.

Antes, Mao Tsé-Tung jactava-se da paciência chinesa, dizendo que seu regime poderia esperar um século para recuperar Taiwan. Hoje, Jiang Zemin já deixa entrever que  deseja subjugá-la no curso de seu governo, e se ufana de sua habilidade em obter a aquiescência do resto do mundo. Conseguirá? A diplomacia comunista está tentando inclusive, segundo noticia a imprensa, obter apoio do Vaticano para suas pretensões, mediante pequenas concessões,  na linha de uma suposta liberdade religiosa.

Na realidade, se o Ocidente estivesse decidido a opor-se a essa entrega, já teria assumido tal posição em relação a Hong-Kong e agora a Macau. E a Pequim não teria restado senão resignar-se...

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