Fevereiro de 2000
Manifesto de “Acción Familia por un Chile auténtico, cristiano y fuerte” em face da eleição presidencial chilena
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Eleições Chilenas

Manifesto de “Acción Familia por un Chile auténtico, cristiano y fuerte”
em face da eleição presidencial chilena

Várias nações ibero-americanas têm realizado eleições presidenciais, nas quais foi posto em jogo, sem que o eleitorado o percebesse claramente, o futuro delas. Isto porque os candidatos esquerdistas ocultam sua ideologia, e quase não se levantam vozes que alertem os eleitores contra a confusão daí decorrente. Há dois meses, foi a vez da Argentina, logo depois a do Uruguai e há pouco a do Chile.

Nesse último país, a coalizão da Democracia Cristã e da esquerda socialista apresentou como candidato Ricardo Lagos, ministro no governo de Salvador Allende, e durante muitos anos ferrenho adepto do marxismo. Hoje, porém, ele se proclama "renovado", ou seja, tolerante em relação a economia de mercado. Essa foi  a única saída que restou a Lagos para  não afugentar os eleitores.

Em matéria de família, contudo, em várias ocasiões Lagos defendeu o aborto, o divórcio e outras aberrações contrárias à doutrina católica e manifestou o propósito de implantá-los no Chile. Mas, em vista da rejeição que tais propostas encontraram, deixou nos últimos meses de insistir nelas, o que lhe permitiu iludir muitos votantes. Teria sido, pois, o caso de os Bispos advertirem os fiéis chilenos, para evitar à Igreja e à Civilização Cristã a tragédia de serem aprovadas tais leis. Entretanto, eles, em geral, mantiveram-se em silêncio.

O Chile se encontra uma vez mais em uma encruzilhada: deverá decidir se continuará baseando-se nos princípios fundamentais da Civilização Cristã ou se afastar-se-á fortemente da Lei de Deus e de seu passado católico”. Assim começava o manifesto (distribuído nas ruas de Santiago e publicado, de forma resumida, no diário “El Mercurio”, em 12 de janeiro último, de Santiago, bem como em quatro outros periódicos chilenos ligados a este), de autoria de “Acción Familia por un Chile auténtico, cristiano y fuerte”, associação recentemente constituída, inspirada na vida e obra do ilustre pensador católico brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP.

Dirigindo-se à Nação chilena, porque, salvo raras exceções, aqueles que deviam orientá-la segundo a doutrina tradicional da Igreja, guardaram silêncio ou pronunciaram-se de modo indefinido, “Acción Familia” descreveu o “new look”  da esquerda, do qual Ricardo Lagos é um exemplo.

A nova tática da esquerda consiste em não atacar diretamente a livre empresa e a economia de mercado, mas desgastá-las com propostas socialistas. Enquanto isso, promove uma Revolução Cultural que inclui o aborto, o divórcio e outras aberrações  para chegar,  por meio da corrupção da sociedade e da demolição da família, ao regime igualitário e anárquico que os marxistas anseiam.

Os católicos – dizia o Manifesto – devem evitar que seja eleito Presidente um candidato contrário aos princípios da Santa Igreja, pois ele provavelmente aprovará leis opostas à ordem natural que Deus estabeleceu na Criação. As quais, uma vez aprovadas, abrirão ademais novos caminhos para a esquerda. Descendo ao caso concreto, o Manifesto apresentou afirmações públicas de Ricardo Lagos que favorecem a desagregação da família, pondo-as em contraste com a verdadeira doutrina da Santa Igreja, para que o leitor pudesse constatar o perigo que significa a vitória do mesmo.

“Acción  Familia” analisa depois a atitude da Conferência Episcopal do Chile, que evitou em sua Declaração sobre a eleição as palavras divórcio e aborto, a fim de que nenhum candidato fosse favorecido nem prejudicado pelo documento, enquanto alguns Bispos mostravam-se a favor do candidato esquerdista.

O documento conclui, pois, alertando: “Portanto, como católicos preocupados pelos destinos de nossa Pátria, cremos que, em consciência, não é lícito votar no Sr. Ricardo Lagos”.

Ao encerrar a presente edição de Catolicismo, já é certa a vitória do candidato socialista. Se ele no futuro combater a família, caberá aos Bispos chilenos  grande responsabilidade pelo fato, em virtude de se terem omitido nesta emergência.

Em qualquer caso, porém, aos católicos restará o dever e grandes possibilidades de defender essa  instituição, celula-mater da sociedade.

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