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ONGs na educação infantil: um risco

Juiz de Menores denuncia ONGs que cuidam de crianças de rua. E agora querem fornecer às ONGs dinheiro e atribuições para a educação infantil!

Foi com a ECO-92, realizada no . Rio, que o público brasileiro começou a familiarizar-se com a expressão ONGs (Organizações Não Governamentais). O nome ficou ligado à idéia de associações estanhas que, em plena Praia do Flamengo, entregavam-se desinibidamente a cultos supersticiosos, mágicos ou mesmo diretamente diabólicos. Ademais, não lhes faltava uma certa nota de contestação às atuais estruturas sócio-econômicas.

As ONGs não se limitam a ser não-estatais (o que de si é bastante simpático); mas muitas delas passaram a ser antiestatais, ou seja, visam um socialismo anárquico, sem a existência do Estado, o que positivamente é condenável. Uma mistura de bippismo com esquerdismo ·e macumba, apresentando-se como a fórmula mágico-social do futuro.

Da Eco-92 para cá o número de ONGs cresceu consideravelmente e a propaganda em tomo delas também. Hoje em dia há ONGs mais ou menos para tudo: promover subversão, campanhas sociais, segurança alimentar, ecologia etc,etc.

Nos Estados Unidos, as ONGs constituem uma potência financeira de primeira ordem, movimentando a astronômica quantia de 600 bilhões de dólares.

No Brasil, em alguns casos, fundar ONGs é fonte de enriquecimento, pois o dinheiro que elas recebem do Exterior é considerável, e tais verbas não estão sujeitas a controle. A secretária geral da associação de ONGs brasileiras, Letícia Cotrim, declarou "Receber dinheiro, pode; ­ser fiscalizada, não ... "

Elas proliferam como cogumelos. Calcula-se em 5 mil as ONGs nacionais, que administraram, no ano de 1993,. mais de 700 milhões de dólares. Só na Grande São Paulo estão cadastradas 439 ONGs. O Banco Central calcula que as doações do Exterior somam 400 milhões de dólares. Mas pode ser bem mais, se se contarem os cheques vindos pelo Correio.

Recentemente, o Juiz titular da Vara de Menores do Rio, Dr. Liborne Siqueira denunciou o "comércio" em que estão envolvidas as 43 ONGs ligadas à questão do menor naquele Estado.

No Rio, diz o Dr. Liborne, "não se contam mais do que 800 meninos de rua .... interessa mantê-los nas ruas, porque na hora em que se tira, acaba-se com o comércio" das ONGs. E acrescentou: "Não existe o problema do menino de rua", mas sim "o grave problema db menor de casa". 60% dos menores ditos abandonados, têm família.

Lamentou que o nome do País está sendo denegrido lá fora por audiovisuais e denúncias feitas por algumas dessas ONGs, que no ano passado receberam 2,3 milhões de dólares, sem qualquer fiscalização.

Segundo Liborne, "a solução para este problema [do menor] está em educação, saúde e família"

Por outro lado, vai se esboçando um movimento para fazer as ONGs .cuidarem não só dos meninos de rua, mas da educação das crianças em geral.

Em 1993, o Orçamento Geral da União destinou 480 milhões de dólares para programas de alfabetização a cargo das ONGs. E, presentemente, o governo do Estado de São Paulo destinará às ONGs 80% das verbas enviadas pelo Banco Mundial para programas de educação pré-escolar.

Não é uma temeridade pôr tanto dinheiro público nas mãos de organizações que não prestam contas de seus gastos?

Mas o pior ainda não é isso. O que é que as ONGs vão inculcar nas mentes infantis? A doutrina mágico-anarquista?

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Fontes: "Jornal da Tarde", São Paulo (22-8-94); "Veja", São Paulo, (26-10-94); "O Estado de S. Paulo" (13 e 20-11-93).

 

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