A Realidade Concisamente

Rússia pós(?)-comunista - I

"Na ex- URSS, as agências de planejamento central e de distribuição modificaram seus nomes, mas não as funções. O Banco Central assumiu muitas funções de distribuição. No âmbito das regiões, o controle é da nomenklatura local ....

"A agricultura continua num estado lastimável .... Até hoje os camponeses das fazendas coletivas entregam suas safras e recebem mercadorias em troca.

"De uma maneira espantosa e inesperada [sic], o arcaico sistema comunal das aldeias russas, juntamente com as práticas socialistas do Agroprom [gigantesco monopólio estatal se transformou num obstáculo intransponível para as reformas ....

"Três forças predominam na Rússia. Na produção, o complexo militar industrial; seu interesse primário é o de receber pagamentos adicionais do orçamento estatal. A segunda força é formada pelos camponeses dos coletivos, sem base fixa, acostumados a um estilo de vida parasitário, a roubos e a trabalhos malfeitos, sempre contando com o apoio da nomenklatura agrária. A única esperança desses camponeses também é o Estado. A terceira força, finalmente, é a burocracia formada por 20 milhões de funcionários quase que totalmente corruptos, os quais buscam oportunidades adicionais de suborno para formarem o mercado negro. &sas três forças estão juntas, alinhadas contra a economia de mercado e a democracia ".

A percuciente análise, extraída da revista: "Foreign Affairs" , provém do Conhecido comunista Yuri Afanasyev, historiador, reitor da Universidade Estatal Russa de Humanidade (Moscou) e antigo presidente do Grupo de Deputados inter-regionais no Congresso Soviético. A vinculação ao antigo regime soviético, do qual era profundo conhecedor, torna mais insuspeito o depoimento do historiador russo.

Rússia pós(?)-comunista – II

Para muitos economistas, o programa de privatização russo tem muito do estilo soviético, o dos planos qüinqüenais: é vultoso demais, anda muito rapidamente e é movido pela obsessão com metas que não levam em conta a singularidade da Rússia. Propriedades privadas foram parar nas mãos das máfias de bandidos e criminosos. Não houve reestruturação ou investimento nas empresas, muitas das quais estão à beira da falência.

"Uma pesquisa recente mostrou que 24% dos russos cederam de graça seu certificado de privatização, ou nada fize­ram com ele - até prostitutas o aceitaram ....

"Por outro lado, não há legislação para proteger os direitos dos acionistas, as empresas privatizadas continuam inchadas e falta à Rússia um mercado de capitais que forneça recurso para a recuperação das empresas ".

As observações acima são do articulista James Meek, do diário inglês "lhe Guardian", e corroboram as de Afanayev.

Indigência cultural

Muito se discorre acerca dos problemas sócio-econômicos do País. Parece, mesmo, ser este o fator mais profundo da crise brasileira. Na concepção de vida materialista, com efeito, preocupações de ordem espiritual ou cultural não entram em linha de conta.

O mundo do pensamento, afim com o dos livros, portanto, freqüentemente, é pouco cogitado entre nós.

Pesquisa realizada em São Paulo demonstrou que 71 % dos paulistanos entrevistados não estava lendo livro nenhum.

Acrescente-se ao quadro outro dado, obtido na mesma consulta: mais da metade dos paulistanos ouvidos não havia lido sequer um livro no decorrer do último ano. A proporção dos que leram de seis a dez obras é de 8%, sendo que apenas 6% leram mais de dez trabalhos.

Que julgar quanto ao gênero de literatura preferida?

Conforme o levantamento, tal interesse se circunscreve, quase exclusivamente, a magia, regimes alimentares, pornografia e noções de etiqueta.

Conclui um comentarista: "a verdade é que entre os livros de ficção encontramos pouca literatura, e entre os livros de não ficção nos deparamos com um mundo bastante fictício ".

 

Terapia caseira

Em tempos não tão remotos, sabia-se cultivar com esmero uma arte que emprestava à vida humana colorido e sabor - o gosto da boa prosa.

A presença niveladora da TV operou aí verdadeira devastação: em escala crescente nos lares, foi tomando sempre mais rarefeito e insosso o convívio caseiro, que se relegou quase à condição de reminiscência de museu.

Reabilita-se, agora, pela voz da ciência, o hábito da conversa amena e agradável - sobretudo o encontro à mesa - como fator decisivo para a coesão familiar e o equilíbrio mental.

A esta conclusão - mais vale a pena conversar do que assistir à TV, durante as refeições - chegou a socióloga alemã Ângela Kepler, após coordenar trabalho de observação de trezentas famílias germânicas, cujo comportamento analisou detidamente.

Pela via dos especialistas confirma-se, assim, o que a tradição cristã nunca deixou de propugnar.

 

 


 

 

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