In Memoriam

Heitor Takao Takahashi

Heitor Takao Takahashi nasceu em 5 de fevereiro de 1939, em Jacarezinho sexto dos 13 filhos de Hitoshi e Da. Julica Takahashi que, oriundos do Japão, se haviam estabelecido naquela tradicional cidade do Norte Velho paranaense. Convertendo-se eles ao catolicismo, fariam batizar toda a família, recebendo assim Takao na pia batismal o nome cristão de Heitor, pelo qual se tomou conhecido.

Sua infância e juventude transcorreram na cidade natal, onde seu pai se fizera cafeicultor conhecido e estimado. Realizou seus estudos primários e secundários no Colégio Cristo Rei, daquela cidade, considerando sempre como uma honra o ter sido, naquele estabelecimento dos padres palotinos, colega do atual Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

Em Curitiba cursou a Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, pela qual viria a formar-se em 1965, bem como na Faculdade Católica de Filosofia onde se graduou em jornalismo.

Católico militante e anticomunista convicto, participou com entusiasmo, no meio acadêmico, das pugnas ideológicas que marcaram o Brasil da primeira metade dos anos 60.

Começou a colaborar com Catolicismo em 1961, como um de seus agentes na capital paranaense, colaboração que, com uma ou outra interrupção, manteve ao longo de toda a sua vida. A partir de abril de 1983, até sua morte, foi o jornalista responsável de nossa revista.

Com a constituição da TFP, Heitor passou naturalmente a participar das atividades da entidade de que fora antecessora a família de almas de Catolicismo. Por ocasião da formação da Secção do Paraná da mencionada sociedade, em janeiro de 1966, tomou-se sócio e vogal do respectivo Diretório Seccional, condição que conservou enquanto permaneceu naquela cidade.

A dedicação exemplar aos ideais da TFP, que marcou toda a sua existência, levou-o a transferir-se para a cidade de São Paulo em 1970, tendo, desde então, se desempenhado em uma grande variedade de atividades, quer na sede nacional da entidade, quer em missões que o levariam a conhecer boa parte do território nacional.

Firmou-se assim, no vasto universo da TFP, bem como em quantos tiveram com Heitor algum tipo de relacionamento, a imagem das qualidades que seus primeiros companheiros de ideal haviam conhecido tão bem: Fé, idealismo, trato afável, benevolência constante sobretudo em relação àqueles com quem convivia, no ambiente da TFP.

No ano de 1986 manifestou-se a enfermidade que haveria de marcar seus oito últimos anos de vida. Duas operações, que implicaram em radical extirpação, lhe proporcionaram condições de existência ao mesmo tempo precária e estável, situação que Heitor aceitou com cristã resignação e ânimo; não se diria que aquele que com tanta naturalidade levava suas atividades quotidianas já não tinha estômago ...

Em 1992, porém novo afloramento da doença, em órgãos vizinhos, parecia indicar uma propagação incontrolável do mal. Sentiu-se movido então a ir pedir a Nossa Senhora de Lourdes aquilo que a ciência parecia não poder proporcionar-lhe. Viajou assim duas vezes em peregrinação ao famoso Santuário, submetendo-se, com devoção e confiança, ao ritual dos que pedem, nas águas miraculosas, a cura.

Heitor foi indiscutivelmente favorecido pela Santíssima Virgem nas duas viagens, regressando fortalecido tanto espiritual quanto fisicamente. A tal ponto sentia-se ele melhor que, considerando a hipótese de ter obtido uma cura completa, preocupava-se em documentá-la, para voltar a Lourdes e apresentar seu caso ante o renomado Bureau médico do Santuário. Queria ele assim, agradecido, glorificar a Mãe de Deus pelo insigne beneficio.

Deus Nosso Senhor tem contudo, para cada um, seus desígnios. A doença manifestou-se novamente em agosto último, em partes antes não atingidas, e com tal extensão, que nova intervenção cirúrgica só serviu para revelar que nada mais haveria por fazer. Lourdes foi, ainda uma vez, a esperança que lhe bateu à alma e, por duas vezes, chegou a marcar nova viagem, a última delas para o dia 1º de novembro. Mas Nossa Senhora se antecipou, e antes que ele fosse ter com Ela, Ela veio buscá-lo. Heitor faleceu na tarde do dia 31 de outubro, segunda feira, no hospital de São Paulo que leva precisamente o nome de Nossa Senhora de Lourdes.

Suas exéquias realizaram-se em Jacarezinho no dia seguinte. Velado na casa dos pais, foi Heitor acompanhado, ao belo túmulo que a família Takahashi possui no cemitério da cidade, por sua veneranda mãe, familiares e amigos, e por uma delegação de cooperados da TFP acorridos de várias cidades, os quais, durante o sepultamento, entoaram cânticos apropriados, acentuando uma nota de suavidade e sobrenatural unção que já se fizera sensível durante o velório.

 

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