Mensagem de São João Batista a Jesus
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Religião

Mensagem de São João Batista a Jesus
(São Mateus, 11, 2-6)

E como João, estando no cárcere, tivesse ouvido referência às obras de Jesus, enviou dois de seus discípulos para dizer-Lhe: És tu o que há de vir, ou devemos esperar outro? E respondendo, Jesus disse-lhes: Ide e contai a João o que ouvistes e vistes. Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados. E bem-aventurado aquele que não encontrar em mim motivo de escândalo.

Comentários compilados por Santo Tomás de Aquino
na "Catena Áurea"

Santo Hilário - É fora de dúvida que [São João Batista], como Precursor, anunciou que Jesus deveria vir; que, como Profeta, O conheceu enquanto vivo; que, como confessor, O honrou na sua vinda; e é certo que nele o erro não se mistura com a abundância de sua luz. E não se pode crer que lhe faltou no cárcere a graça do Espírito Santo, posto que o próprio Apóstolo [São Paulo] deu para os que o acompanharam na prisão a luz de sua virtude.

Assim João considerou não sua ignorância, mas a de seus discípulos; e os envia para verem as. obras e milagres [de Jesus], a fim de que compreendam que não era distinto d'Aquele de quem ele lhes havia pregado, e para que a autoridade de suas palavras fosse revelada com as obras de Cristo, bem como não esperassem outro Cristo distinto d'Aquele de que dão testemunho suas obras.

São Jerônimo –– São João, pois, não pergunta porque não o soubesse, da mesma maneira que Jesus depois perguntou aos circunstantes (Jo. 11): Onde está Lázaro?", a fim de que lhe indicassem o lugar de sua sepultura, com o objetivo de prepará-los para a fé, e para que vissem a ressurreição de um morto.

Assim, João, no momento em que havia de morrer em mãos de Herodes, envia seus discípulos a Cristo com a finalidade de que eles, tendo ocasião de ver os milagres e as virtudes de Cristo, cressem nEle e aprendessem, pelas perguntas que lhes fizesse.

Que os discípulos de João haviam tido certa inveja de Cristo o demonstra a pergunta referida em outro lugar da Escritura: "Por que nós e os fariseus jejuamos com freqüência, e teus discípulos não jejuam?" (Mt., 9,14)

São João Crisóstomo –– Enquanto João esteve com seus discípulos, os persuadia continuamente a respeito de tudo o que se referia a Cristo, isto é, recomendava-lhes a fé em Cristo; e, quando se aproximou sua morte, cresceu seu zelo, porque temia deixá-los no mais insignificante erro, e que estivessem separados de Cristo para quem procurou desde o princípio atrair.

Que fez, pois? Espera ouvir deles mesmos a narração dos milagres realizados por Jesus; e não manda todos seus discípulos, mas apenas dois, a fim de convencer por meio deles os demais, para evitar toda suspeita e julgarem com os dados positivos a diferença imensa entre ele e Jesus.

Comentários do Padre Luís Cláudio Fillion

Deixamos o Precursor em sua prisão de Maqueronte. Ali foram seus discipulos, aos quais se lhes permitia falar com ele para colocá-lo a par dos milagres incessantes e dos êxitos da pregação de Jesus. Escolhendo então dois deles , enviou-os ao Salvador para apresentar-Lhe em seu nome esta questão: "És Tu o que há de vir , ou devemos esperar outro?" O que há de vir, O que vem: formulas significativas com que designavam o Messias objeto de tais ânsias e anelo santos, cuja vinda próxima se esperava de um momento para outro. Mas como o Batista, havia tempo, tinha dado testemunhos tao brilhantes de Jesus, pôde fazer-Lhe hoje a pergunta se realmente é o Cristo. Será que, provado pelos sofrimentos do cárcere, a dúvida penetrou em seu espírito? Na disso, por que nada mais firme que esta grande alma, como Jesus vão proclamá-lo aberta e decididamente. Não é, portanto, para si mesmo, mas pelo bem se seus discípulos, cuja oculta antipatia para com Cristo lhe era muito conhecida, o motivo pelo qual emprega semelhante habilidade. Esperava que, depois de haver visto e ouvido Jesus, voltariam animados de melhores disposições.

Chegaram os enviados em momento bem providencial, porque em sua 'presença curou Jesus muitos enfermos e possessos e concedeu a vista a numerosos cegos. Foi sua a primeira resposta, a do exercício público de seu poder sobrenatural, ao qual nada era capaz de resistir. Mas acrescentou outra, verbal, curra, decisiva: "Ide contar a João o que haveis ouvido e visto. Os cegos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres; e bem-aventurado aquele que nao encontrar em mim ocasião de escândalo". A mensagem de Jesus a João era de tanto maior força quanto ela está tomada quase ao pé da letra do quadro ideal, traçado séculos antes por Isaias sobre as obras benfazejas do Messias. Quis por dizer Jesus aos mensageiros: "julgai vós mesmos..." sua última frase: "Feliz o que não se escandalizar a meus respeito", encerrava uma aviso muito grave aos discípulos de João, que ainda não criam na missão de Jesus.

Pe. Luís Cláudio Fillion, Nuestro Senor Jesuscristo según los Evangelios. Editorial Difusion, S. A., Tucumán, 1859, pp. 150-151

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