Dezembro de 2008
Na comemoração do centenário natalício do inspirador de Catolicismo
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Devoção ao Papado

Em sua vida pública, iniciada quando entrou para o Movimento Católico no dia 9 de setembro de 1928, Plinio Corrêa de Oliveira desenvolveu extensa atividade, tanto nos meios católicos como nos ambientes seculares, com abundantísima produção enquanto escritor e conferencista; e em nada destoou do Magistério infalível de Pedro. O que é reconhecido mesmo por adversários ideológicos, mas sobretudo confirmado por altos prelados.

A propósito de seu livro A Liberdade da Igreja no Estado Comunista (primeiramente publicado em Catolicismo, agosto/1963, e depois com diversas edições em várias línguas), o autor recebeu do então Prefeito da Sagrada Congregação dos Seminários e Universidades, Cardeal Giuseppe Pizzardo, carta oficial na qual certificava que o referido livro é “um eco fidelíssimo dos Documentos do Supremo Magistério da Igreja”.

O Prof. Plinio comentou que esse encômio correspondia ao que ele mais podia desejar na vida: ser um eco fidelíssimo da voz da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana. Disso a sua longa e fecunda existência — atestamos — foi um exemplo contínuo, sempre repercutindo os ensinamentos perenes do Magistério infalível.

Prefaciando a consagrada biografia Plinio Corrêa de Oliveira – O Cruzado do século XX (de Roberto de Mattei, professor de História Moderna na Faculdade de Filosofia de Cassino, Itália), escreveu o Cardeal Alfons Maria Stickler S.D.B, em 2-7-96:

“Com a coerência da sua vida de autêntico católico, Plinio Corrêa de Oliveira confirma-nos a fecundidade da Igreja. De fato, para os verdadeiros católicos, as dificuldades dos tempos constituem ocasiões em que eles se destacam na História, para nela afirmar a perenidade dos princípios cristãos. Foi o que fez o eminente pensador brasileiro, mantendo alta, na era dos totalitarismos de todas as cores e expressões, a sua fidelidade inamovível ao Magistério e às instituições da Igreja”.

 

“Tu es Petrus, et super hanc

petram aedificabo Ecclesiam

meam, et portae inferi non

praevalebunt adversus eam.

Et tibi dabo claves regni coelorum.

Et quodcumque ligaveris super

terram, erit ligatum et in coelis;

et quodcumque solveris super terram, erit solutum et in caelis”.
(Mt 16, 18-19)

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus”.

 

 

 

 

O entusiasmo pela Igreja e pela infalibilidade papal

Declarações que revelam o amor e a submissão entusiástica de Plinio Corrêa de Oliveira à Igreja e ao Soberano Pontífice encontram-se registradas em inúmeras publicações e conferências. Iniciamos por um trecho de um discurso em 14-12-68, por ocasião da celebração de seu 60º aniversário:

“Ainda menino, eu percebi que a Santa Igreja Católica Apostólica Romana é a verdadeira Igreja de Deus. Lembro-me do enlevo que tive quando tomei conhecimento da infalibilidade papal. Lembro-me do entusiasmo que senti quando, aos poucos, saindo das brumas da infância, fui percebendo os lineamentos da Igreja Católica, a liturgia, a organização da Igreja, a Sagrada Hierarquia. Com isso, fui compreendendo depois a Civilização Cristã”.

Não teria tal entusiasmo diminuído com o tempo, sobretudo em vista da crise na Igreja, a respeito da qual os Papas contemporâneos têm alertado os fiéis?(4)

A essa questão, que lhe foi posta várias vezes, ele sempre redarguia que, pelo contrário, com o passar dos tempos seu entusiasmo aumentava. Numa de suas colaborações para a “Folha de S. Paulo” em 12-7-70, ele responde brilhantemente:

“Não é com meu entusiasmo dos tempos de jovem que eu me coloco hoje ante a Santa Sé. É com um entusiasmo ainda maior, e muito maior. Pois à medida que vou vivendo, pensando e ganhando experiência, vou compreendendo e amando mais o Papa e o Papado.

Lembro-me ainda das aulas de catecismo em que me explicaram o Papado, sua instituição divina, seus poderes, sua missão. Meu coração de menino (eu tinha então 9 anos) se encheu de admiração, de enlevo, de entusiasmo: eu encontrara o ideal a que me dedicaria por toda a vida.

De lá para cá, o amor a esse ideal não tem senão crescido. E peço aqui a Nossa Senhora que o faça crescer mais e mais em mim, até o meu último alento. Quero que o derradeiro ato de meu intelecto seja um ato de fé no Papado. Que meu último ato de amor seja um ato de amor ao Papado. Pois assim morrerei na paz dos eleitos, bem unido a Maria minha mãe, e por Ela a Jesus, meu Deus, meu Rei e meu Redentor boníssimo. [...] (vide quadro abaixo).

 

 

Excertos do testamento de Plinio Corrêa de Oliveira

“Em nome da Santíssima e Indivídua Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo. E da Bem-aventurada Virgem Maria, minha Mãe e Senhora. Eu, Plinio Corrêa de Oliveira.

Declaro que vivi e espero morrer na Santa Fé Católica Apostólica e Romana, à qual adiro com todas as veras de minha alma. Não encontro palavras suficientes para agradecer a Nossa Senhora o favor de haver vivido desde os meus primeiros dias, e de morrer, como espero, na Santa Igreja, à qual votei, voto e espero votar até o último alento, absolutamente todo meu amor. De tal sorte que todas as pessoas, instituições e doutrinas que amei durante minha vida, e atualmente amo, só as amei ou amo porque eram ou são segundo a Santa Igreja. Igualmente, jamais combati instituições, pessoas ou doutrinas senão porque e na medida em que eram opostas à Santa Igreja Católica.

Agradeço da mesma forma a Nossa Senhora — sem que me seja possível encontrar palavras suficientes para fazê-lo — a graça de haver lido e difundido o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luís Maria Grignion de Montfort, e de me haver consagrado a Ela como escravo perpétuo. Nossa Senhora foi sempre a Luz de minha vida, e de sua clemência espero que seja Ela minha Luz e meu Auxílio até o último momento da existência.

Agradeço ainda a Nossa Senhora — e quão comovidamente — haver-me feito nascer de Dona Lucília. Eu a venerei e a amei em todo o limite do que me era possível, e, depois de sua morte, não houve dia em que não a recordasse com saudades indizíveis. Também à alma dela peço que me assista até o último momento com sua bondade inefável. Espero encontrá-la no Céu, na coorte luminosa das almas que amaram mais especialmente Nossa Senhora”.

 

São Paulo, 10 de janeiro de 1978

Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

Quero dar a cada ensinamento deste Papa, como de seus antecessores e sucessores, toda aquela medida de adesão que a doutrina da Igreja me prescreve, tendo por infalível o que Ela manda ter por infalível, e por falível o que ela ensina que é falível. Quero obedecer às ordens deste ou de qualquer outro Papa em toda a medida em que a Igreja manda que sejam obedecidos.

Isto é, não lhes sobrepondo jamais a minha vontade pessoal, nem a força de qualquer poder terreno, e só, absolutamente só recusando obediência à ordem do Papa que importasse eventualmente em pecado. Pois neste caso extremo — como ensinam, repetindo o Apóstolo São Paulo, todos os moralistas católicos — é preciso colocar acima de tudo a vontade de Deus.

Foi o que me ensinaram nas aulas de catecismo. Foi o que li nos tratados que estudei. Assim penso, assim sinto, assim sou. E de coração inteiro”.

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