Outubro de 2006
A boa leitura
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Leitura Espiritual

A boa leitura

Publicamos em cada edição a seção Leitura Espiritual, mas é recomendável que se leia diariamente algo nessa linha. Não precisa ser um texto extenso, basta breve trecho; o importante é que se reflita a respeito.

 

“Por leitura espiritual entende-se a leitura de livros piedosos feita com o fim de se aprofundar no conhecimento e estima do bem, como na detestação do mal.

Não é, pois, a aquisição de novos conhecimentos, e muito menos a satisfação de nossa curiosidade, o que em primeira plana se deve ter em vista na leitura espiritual.

A vantagem da leitura espiritual consiste em:

1 — esclarecer o espírito nas coisas da salvação eterna;

2 — estimular poderosamente a vontade para o bem;

3 — facilitar a prática da meditação.

“Quando oramos, somos nós que falamos com Deus; mas, quando lemos um livro espiritual, então é Deus que fala conosco”, diz Santo Isidoro.

A história dos Santos refere maravilhosos exemplos da eficácia da leitura espiritual. Por exemplo, Santo Agostinho, São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa e outros mais.

Como é que devemos fazer a leitura espiritual?

1 — implorando fervorosamente, antes de começá-la, graças e luzes;

2 — procedendo vagarosa e atentamente na leitura, aplicando à nossa vida o que se leu, como na meditação, e despertando em nós santos afetos e boas resoluções;

3 — depois, gravando na memória os pontos mais notáveis, rendendo graças a Deus e esforçando-nos por executar as boas resoluções.

Diariamente uma leitura espiritual

O que importa não é ler muito, mas ler bem.

Muito de se recomendar é que se tome nota, em caderneta apropriada, dos pensamentos mais notáveis.

Dê-se preferência às obras que foram escritas por santos, ou que versem sobre santos. O Santo Cura d’Ars lia todos os dias vidas dos santos; por mais ocupado ou fatigado que estivesse, nunca deixava de fazer esta devota leitura.

Quando é que confiamos em Deus?

Confiamos devidamente em Deus quando firmemente cremos que Ele liberalmente nos concede graças suficientes, mediante as quais poderemos alcançar a perfeição e a eterna bem-aventurança.

Não confia devidamente em Deus quem pensa que:

1 — Deus não lhe concederá com liberalidade graças suficientes;

2 — Deus fará tudo sozinho, não precisando a pessoa cooperar com a graça.

A verdadeira confiança em Deus faz com que:

1 — exerçamos grande domínio sobre o coração de Deus;

2 — gozemos de viva animação e grande segurança.

Impossível é que Deus desampare aquele que nele põe toda a sua confiança filial. É de grande importância renovar muitas vezes esta confiança em Deus, sobretudo depois de quedas e em tentações à pusilanimidade e ao desalento.

A par de uma confiança total em Deus Nosso Senhor, devemos ter uma humilde desconfiança em nós próprios. Possuímos humilde desconfiança em nós mesmos quando estamos persuadidos de que:

1 — nossa natureza, em conseqüência do pecado original e dos pessoais, é fraca e inconstante para o bem e inclinada para o mal;

2 — por nossas próprias forças, não somos capazes de realizar o mínimo ato sobrenaturalmente bom, nem fazer obra alguma meritória para o Céu.

A humilde desconfiança em nós próprios faz com que:

1 — nos unamos tanto mais estreitamente a Deus;

2 –– sejamos cuidadosos em nos vigiarmos a nós mesmos, e assíduos no emprego dos meios necessários à perfeição;

3 –– atribuamos unicamente a Deus a glória de nossos sucessos e prosperidades.

Não se deve confundir humilde desconfiança com pusilanimidade e desânimo. Antes, a humilde desconfiança é o melhor remédio para essas indisposições de ânimo, visto como as mais das vezes estas procedem de falsa confiança em si mesmo".(*)

___________

(*) Fr. Antônio Wallenstein, O.F.M., Catecismo da Perfeição Cristã, Editora Vozes, Petrópolis, 1956, 3ª edição.

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