Maio de 2009
Festa de São João Nepomuceno numa aldeia austríaca
Esplendores da Cristandade

Festa de São João Nepomuceno
numa aldeia austríaca

W. Gabriel da Silva


Este belo quadro do pintor Ferdinand Georg Waldmüller (1793-1865), hoje no Museu de Viena, representa uma festa de aldeia, em honra de São João Nepomuceno (1338-1393), celebrada pela Igreja nos meses de maio.

Esse santo nasceu em Nepomuk, na Boêmia. Antes de ser reduzida a simples região da antiga Tchecoslováquia (submetida a Moscou durante décadas) e da atual República Tcheca, a Boêmia foi importante monarquia eletiva. Em 1526, elegeu como seu soberano Ferdinando I, irmão do Imperador Carlos V, tornando-se depois um reino hereditário.

João de Nepomuk foi curado de uma moléstia ainda criança, graças às preces de seus pais. Estudou na Universidade de Praga e ordenou-se sacerdote, tornando-se orador brilhante e vigário-geral do arcebispo de Praga. Foi também confessor da rainha, e como tal foi pressionado pelo Rei Wenceslau a contar o que lhe confessava a esposa. Por negar-se a violar o segredo de confissão sacramental, foi preso, torturado, atado a uma roda, e depois colocado em um saco e atirado de uma ponte ao rio Moldávia, que banha Praga. Conta-se que na noite de sua morte sete estrelas giravam acima do local onde foi martirizado.

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A vida desse grande santo bem justifica a popularidade com a qual o honram não apenas os seus co-nacionais, mas também católicos do mundo inteiro, especialmente austríacos, alemães e eslavos. A esse título, o pintor vienense registra neste quadro o que há de mais exemplar na piedade popular.

Com candura, ornam com flores a estátua do santo. Além da coroa de rosas, um anjo de pedra lhe oferece um bouquet... Com toda seriedade, o mestre-escola mantém a afinação do coral infantil, e os adultos colocam toda a alma no cântico de louvor. Mas não se trata de um espetáculo: vários personagens estão em atitude de oração.

Quanta inocência e leveza nessas crianças pobres, mas puras, inocentes! Nesses adultos de consciência reta e limpa pela freqüência aos sacramentos da Confissão e da Eucaristia! Ninguém ali tem automóvel, internet, celular e televisão. Mas todos estão felizes, e no futuro se lembrarão com saudades desse dia.

 A um brasileiro, é difícil explicar o dom natural dos povos germânicos e da Europa central pela música. Nossa cultura é pobre em músicas populares autênticas, nascidas do que há de melhor no povo, e não das falsificações publicitárias impostas pela moda ou pela mídia. Como é difícil vingar entre nós uma instituição multissecular como a dos Meninos Cantores de Viena!

Na Alemanha e na Áustria as canções populares se contam aos milhares, tendo como tema as coisas mais diversas e mais inocentes: a chegada da primavera, as flores, a terra natal, a vida diária, uma história de contos de fadas... Pessoas assim não precisavam de drogas. Hoje, parece existir um só tema: sexo. O ser humano ficou reduzido ao mais baixo dos instintos. 

Não estará na hora de esse filho pródigo do século XXI voltar à casa paterna?