Maio de 2009
Devoção à Santíssima Virgem Maria
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Aproxima-se a hora bendita da Redenção

Casamento de São José e Nossa Senhora

O nascimento de Maria deu início à obra da Redenção. Em seu berço, pela graça de seus primeiros sorrisos, a Mãe do Salvador ilumina a terra desolada. Jesus aparecerá logo, e com seu precioso Sangue apagará a sentença da nossa condenação.

O mundo conheceu afinal, depois de tanto sofrimento, as alegrias da liberdade e da paz; a escravidão será abolida por toda parte e a dignidade humana doravante será respeitada.

Os sacramentos farão jorrar em abundância os caudais da graça: teremos apenas de nos inclinar para neles haurir sem limites o perdão, a coragem e a vida que não morre; o Deus que se escondia no seu Paraíso vai descer sobre a Terra.

Após a Ascensão, Jesus permanecerá entre nós sob os véus eucarísticos; e quando a Presença real abandonar no último dia os tabernáculos destruídos, Ele reinará visivelmente sobre o povo glorioso dos eleitos ressuscitados.

Ensinamentos salutares

A Natividade de Maria, que arrebatava os céus e aterrorizava os anjos decaídos, como foi recebida na Terra?

Na pequena vila de Nazaré, onde segundo certas tradições viviam São Joaquim e Sant’Ana, não se dá atenção à recém-chegada. Ela traz nas veias o sangue de Davi, mas sua família está destituída do antigo esplendor. Quem se ocupa dessa pobre gente?

Há mais. Ana e Joaquim permaneceram muito tempo sem filhos. Deus se deixara, afinal, tocar por suas orações. Eles viam em Maria um sinal da bondade celeste. Mas não faziam a menor idéia dos tesouros com que o Altíssimo cumulara a alma de sua filha: não conheciam as maravilhas da Imaculada Conceição; não sabiam que embalavam nos braços a futura Mãe do Salvador.

Não dar importância às grandezas humanas

Que a obscuridade na qual nasce Nossa Senhora nos ensine a dar pouca importância às grandezas humanas. Saibamos considerar com olhar cristãmente indiferente essas vaidades perecíveis que Cristo desprezou para sua Mãe: se tivessem algum valor, Ele não lhas teria recusado.

Aprendamos também, nesse grande mistério, a não desanimar nunca. A Imaculada vem ao mundo quando os judeus se desesperam e crêem tudo perdido. Aproveitemos a lição.

Quando invocamos o Céu em nosso socorro e não somos imediatamente atendidos, caímos na tristeza. Deus às vezes espera que nos sintamos na beira do abismo para nos estender sua mão.

Portanto, não abandonemos tão facilmente a oração; o Altíssimo intervirá no momento em que nós nos julgarmos definitivamente abandonados. Tenhamos confiança, uma confiança sem limites! Seremos então largamente recompensados.

O santo nome de Maria

Deus não assinalou a chegada da Santíssima Virgem ao mundo com prodígios exteriores, entretanto havia escolhido, desde toda a eternidade, o augusto nome que a Mãe do Salvador devia levar.

Enquanto Joaquim e Ana aguardavam com jubilosa impaciência a realização de suas esperanças, o anjo Gabriel – grande mensageiro das misericórdias infinitas – viera visitá-los para lhes revelar o nome bendito que o Altíssimo havia reservado à sua filha.

 Em torno do berço onde sorria a Rainha do Céu, a família não prolongou suas deliberações. Os pais da Santíssima Virgem foram os primeiros a falar, e manifestaram sua vontade da maneira mais clara: chamaram sua filha “Maria”.

O significado do nome Maria

Os comentadores mais autorizados nos ensinam que Maria quer dizer, em primeiro lugar, soberana. Seu Divino Filho quis que a criação inteira se submetesse ao seu cetro de amor.

Não procureis para essa Soberana um palácio magnífico, onde incontáveis servidores mantêm-se atentos para se anteciparem aos seus menores desejos. Ela mora em Nazaré, numa casinha branca suspensa no flanco da colina, uma pequena casa tão pouco confortável, que os mais pobres de nossos dias não a quereriam.

Esse apertado casebre, que se divide em duas peças de dimensão desigual, mal cobre a área de cinqüenta metros quadrados. É lá que Ela reside com José e Jesus, o Filho eterno de Deus que é também seu filho, o fruto bendito de suas entranhas.

De que se ocupava a Mãe de Deus?

Enquanto o Salvador aplaina pesadas tábuas com seu pai adotivo, do que se ocupa essa criatura privilegiada entre todas? Ela cozinha, lava e conserta a roupa, aplica-se a cuidar do pobre lar. Na verdade, estranha soberana: mais parece uma humilde serva do que uma grande rainha.

Mais ainda. Vimos com que riquezas havia Deus cumulado a alma de Maria no momento da Imaculada Conceição. A partir daí a Virgem, que teve desde o primeiro instante uso da razão, não cessara de crescer em graças e virtudes, em proporções que confundem nossos débeis cálculos.

Ela não operava milagres

Até Nosso Senhor subir triunfalmente aos Céus, a Santíssima Virgem não fez nenhum desses prodígios que entusiasmam as multidões. Jesus percorria a Palestina curando doentes e ressuscitando mortos.

Os Apóstolos, o próprio Judas, expulsavam demônios em nome do Mestre. Maria permanece silenciosa em sua pequena casa e, quando às vezes assiste às palavras do Filho, passa despercebida na multidão de ouvintes.

Contudo Maria possui ao mesmo tempo a mais prodigiosa autoridade jamais havida na Terra. O César, que vive em Roma nas magnificências de seu palácio, comanda milhões de homens e mal pode conhecer o número fantástico de seus súditos. A Europa obedece às suas leis, parte da Ásia e da África é submissa ao seu cetro. Maria comanda apenas um único ser humano; mas esse Homem é maior do que todos os reis, mais glorioso do que todos os anjos.

Ela tem todo crédito junto ao seu Filho

Conheceis o imenso crédito que Deus concede no Céu a certas almas privilegiadas. Santa Teresa do Menino Jesus, por exemplo, anunciara no leito de morte que faria cair sobre a Terra uma chuva de rosas. Essa graciosa predição realiza-se a cada dia de maneira maravilhosa.

Se Nosso Senhor confere tal poder a uma simples religiosa, morta na flor da juventude, o que não fará pela mais alta, mais virtuosa, mais bela das criaturas, por Aquela que formou seu Corpo divino em seu seio virginal?

Gravemos, pois, profundamente em nossos corações o ensinamento que nos dá a grande voz da Tradição: no Céu, Jesus realiza até mesmo os menores desejos de sua Mãe, do mesmo modo como executava pontualmente suas ordens na Terra.

Outro significado do nome Maria

Maria significa também Amarga. O Profeta Isaías, anunciando ao mundo o futuro Messias, o havia chamado “varão das dores”. Nossa Senhora, a mais perfeita imitadora de Nosso Senhor, foi a Virgem dolorosa.

O sofrimento é o grande redentor. Foi por ele que Maria se associou ao pé da Cruz à obra de nossa libertação. É pela provação cristãmente aceita que nos salvamos. É pelo sofrimento, enfim, que podemos obter a graça da salvação para as almas que nos são caras.

Essa verdade parece dura, mas é menos terrível do que faz crer à primeira vista.

O sofrimento é o mensageiro misterioso da verdadeira alegria de nossas vidas. Esse princípio brilha de modo impressionante na história da Santíssima Virgem.

Mater Dolorosa

 
Nossa Senhora das Dores

Durante a infância de Jesus, Maria sentiu no coração angústias inexprimíveis.

Ela O viu nascer num pobre estábulo; ouviu a sinistra profecia do velho Simeão; teve de fugir para o Egito, a fim de subtrair seu precioso Tesouro do furor assassino de Herodes; perdeu seu Filho em Jerusalém, e só O encontrou após três longos dias de lágrimas e agonia; tinha constantemente presente no espírito o terrível quadro descrito por Isaías sobre as torturas do Messias.

Maria sofreu ainda mais no decurso da vida pública do Salvador. Nosso Senhor deixou a pequena casa onde haviam passado juntos tantos e tantos anos. Maria sofreu no Calvário um terrível martírio. Viu seu Filho – de Quem cuidara com tanto devotamento – coroado de espinhos, jorrando sangue e pregado na Cruz.

Ela O viu agonizar e morrer.

Deve-se desejar a provação?

Circulam em nossos dias obras de piedade de um exagero perigoso. Nelas se louvam as vantagens da dor, esquecendo que só o amor de Deus faz o mérito; nelas se apela às almas para que se ofereçam como vítimas ao Altíssimo.

Reconheço com a Igreja que Deus às vezes escolhe almas para fazer delas vítimas de sua Justiça; mas são casos muito raros, mesmo na história dos santos.

Santifiquemo-nos na prática de nossos deveres cotidianos e deixemos ao Bom Mestre o cuidado de nos enviar o que mais nos convenha.

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