Maio de 2009
Devoção à Santíssima Virgem Maria
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Capa

Invoquemos sempre o bendito nome de Maria

Nossa Senhora da Penha (ES)

Habituemo-nos a invocar com freqüência o nome de Maria. Deus comunicou tal poder a esse nome bendito, que ele basta para operar maravilhas: afugenta os demônios, que não podem ouvi-lo sem se encherem de pavor; dissipa as mais violentas tentações e restabelece nas almas a confiança e a serenidade.

Nossa Senhora revelou a Santa Brígida que na hora da morte Ela vinha assistir os fiéis que A invocavam freqüentemente durante a vida.

São João de Deus sempre esperou receber, naquele instante supremo, a visita da Virgem Imaculada. Mas Ela não se mostrava, e o santo parecia desencorajado. A agonia continuava seu curso. De repente, a fisionomia do moribundo transfigurou-se.

A Rainha do Céu acabava de lhe aparecer: “João – disse-lhe Ela com maternal sorriso – então me crês capaz de abandonar meus devotos servidores num momento como este?”. Foi nos braços de Maria que ele exalou o último suspiro.

A vida da Santíssima Virgem no Templo

Quando a Virgem Maria atingiu a idade de três anos, seus piedosos pais cumpriram sua promessa. Apesar da imensa tristeza que lhes causava a privação da filhinha tão graciosa, tão afetuosa e tão doce, conduziram-na a Jerusalém.

A Imaculada, que possuiu uso da razão desde o primeiro instante, compreendia o alcance desse ato. Ela, que já havia se consagrado inteiramente ao Senhor, ofereceu-se de novo plenamente a Ele nesse dia com todo o ímpeto de sua vontade e de seu amor.

O fervor não A impediu de sentir vivamente a amargura de seu sacrifício. Quanto mais as almas unem-se a Deus, tanto mais se tornam amorosas e boas: o coração afetuoso de Maria se dilacerou no momento de deixar seus pais. Mas, apesar da idade tão tenra, Ela subiu sem fraqueza as longas escadarias do Templo e desapareceu na Casa de Deus.

Humildade de Maria

Entretanto, no Templo de Jerusalém Ela não conhecia todas as próprias grandezas. Parece duvidoso que tenha sabido do privilégio da sua Imaculada Conceição. Em todo caso, ignorava que o Filho de Deus A tivesse escolhido desde toda a eternidade para formar um corpo em seu seio.

Depois de Nosso Senhor, ninguém compreendeu tão profundamente como Maria a imensidade do Altíssimo e o nada da criatura. Ela sabia que, pela natureza humana, não era nada.

Atribuía unicamente a Deus as virtudes que lhe ornavam o coração; não atribuía a si nenhum mérito; e na presença do Pai Celeste, imergia num abismo incomensurável de humildade.

Se a Imaculada agradou ao Altíssimo pela sua pureza sem mancha, diz São Bernardo, foi por sua humildade que se tornou a Mãe de Deus.

Conclusão prática

Este estudo não deve ficar nas esferas estéreis da especulação; cumpre tirar dele conclusões práticas. Falemos com franqueza brutal, com impiedosa crueldade. Digne-se a Virgem tão humilde e tão doce ditar-me palavras justas e salutares.

Todo homem é naturalmente vaidoso. Mas existe um orgulho mais sutil, mais perigoso e mais difícil de curar do que todos os outros. É o das almas piedosas.

No Templo, Maria não se detinha com complacência nos favores maravilhosos com que o Céu A cumulara. Certas pessoas devotas perdem tempo considerável em analisar minuciosamente os próprios progressos na virtude.

Experimentem por acaso alguma doçura de sentimento na oração, e ei-las transportadas de alegria. Consideram-se logo privilegiadas.        Entretanto, essas insignificantes doçuras provêm com freqüência de uma disposição puramente natural.

No Templo, Maria não se preferia a ninguém. Certas almas piedosas julgam o próximo com extrema severidade.

Exame de consciência

Examinemos seriamente a nossa consciência. Se descobrirmos nela alguma complacência para conosco, se não nos consideramos puros nadas, não duvidemos de que nos arrastamos lamentavelmente nos degraus mais ínfimos da mediocridade.

Dir-se-ia que Deus não pode derramar seus dons em um coração orgulhoso. Quando encontra uma alma cheia de si, deixa-a vegetar ou emprega o único meio de curá-la: permite que ela cometa transgressões, às vezes consideráveis, para lhe abrir os olhos e fazê-la constatar a própria miséria.

São Pedro considerava-se superior aos seus irmãos de apostolado. “Ainda que todos os outros Vos abandonem, Senhor – dizia –, eu não Vos abandonarei. Eu Vos seguirei até a morte”.

Em vão o Mestre lembrou-lhe sua fraqueza. Pedro se obstina: “Não, não, eu não Vos negarei jamais”. Pobre São Pedro! Aprendeu de maneira terrível a virtude tão necessária da humildade.

O desprezo de si mesmo

Nossa Senhora da Penha (Bogotá, Colômbia)

Se quiserdes progredir seriamente no caminho da perfeição, suplicai à Rainha do Céu que vos inspire desprezo de vós mesmos. Não vos julgueis superior a ninguém. E lembrai-vos da palavra que Nosso Senhor dirigia aos fariseus, tão orgulhosos da própria aparência exterior.

Esta palavra eu não ousaria repetir, se o próprio Mestre não a tivesse pronunciado. “Há – declarava Ele a esses orgulhosos – almas pecadoras que desprezais; mas porque essas almas reconhecem a profundeza de sua degradação, minha graça poderá tocá-las um dia. Elas serão mais elevadas do que vós no reino dos Céus”.

Os grandes desígnios da misericórdia

Muitos anos haviam transcorrido desde sua entrada no Templo. Ela se manifestava agora na plenitude da beleza física, no esplendor mais radioso de sua incomparável virtude. Estava madura para os grandes desígnios da misericórdia. Logo a auréola da maternidade divina brilharia sobre sua fronte.

Peçamos à Santíssima Virgem que se torne não só nosso modelo, mas também nossa guia nas vias da perfeição. Sob a direção d’Ela não teremos a temer nem ilusões nem perigos: Ela nos conduzirá pelos caminhos mais seguros e mais rápidos; e colocará seu Divino Filho em nossos corações moldados por suas mãos maternais.

A Anunciação

O Verbo Eterno, que por nosso amor queria encarnar nas entranhas castas de Maria, dispôs maravilhosamente das coisas para a realização de seus grandes desígnios.

Quando Nossa Senhora terminou sua educação no Templo, desposou um pobre artesão. Como Ela, São José pertencia à estirpe real de Davi, decaída do antigo esplendor; também ele havia consagrado a Deus sua virgindade e desejava ardentemente ver com os próprios olhos o Messias prometido, a salvação de Israel.

Nem um nem outro suspeitava, entretanto, das bênçãos que o Senhor espargiria sobre seu humilde lar.

Os jovens esposos moravam havia algum tempo na pequena casa de Nazaré, quando numa simplicidade toda divina desenrolou-se a cena da Anunciação.

A mais gloriosa das embaixadas

Na alva casa de Nazaré, sobre a qual se concentrava a atenção dos espíritos bem-aventurados, reinava uma paz profunda. José repousava, sem dúvida, da dura jornada. Na peça vizinha, a Virgem rezava.

O Anjo apareceu-lhe então sob forma visível, e inclinando-se respeitosamente diante de sua Rainha, com o semblante iluminado por um gáudio sobrenatural, saudou-A: “Ave, cheia de graça; o Senhor é convosco. Bendita sois Vós entre todas as mulheres”.

Vendo a incomparavelmente mais perfeita das criaturas ter sobre si sentimentos tão humildes, o embaixador celeste ficou arrebatado de admiração. “Maria – diz ele à Virgem trêmula –, não temais. Vós achastes graça diante de Deus”.

Lenta e majestosamente, transmitiu-lhe depois, em nome do Eterno, a sublime mensagem: “Eis que concebereis e dareis à luz um filho, a Quem poreis o nome de Jesus. Ele será grande; será o Filho do Altíssimo. Deus Lhe dará o trono de Davi seu pai; Ele reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e seu reino não terá fim”.

Como se cumprirão essas predições?

Essas palavras eram por demais claras para que pudessem deixar a menor dúvida no espírito da Imaculada. Ela logo compreendeu a honra incomparável que lhe estava reservada.

Parece, aliás, que Maria não experimentou nenhuma hesitação no tocante à própria virgindade, como se tem repetido com tanta freqüência. Supor n’Ela tal ignorância equivale a fazer injúria gratuita às suas luzes, pois conhecia a profecia de Isaías e sabia que o Emanuel nasceria de uma virgem.

Quis simplesmente saber como é que Deus, rico em milagres, realizaria esse prodígio: “Como se cumprirão essas coisas?”.

“O Espírito Santo virá sobre Vós – respondeu-lhe Gabriel –, e o poder do Altíssimo Vos envolverá com sua sombra. Por isso, o que de Vós há de nascer será santo e será chamado Filho de Deus. Vossa prima Isabel era estéril; e eis que há seis meses concebeu um filho em sua velhice, porque nada é impossível para Deus”.

Para dar o consentimento que o anjo esperava em nome do Espírito Santo, teve uma dessas palavras sublimes que só o gênio da humildade pode encontrar. Empregou a mais modesta e a mais simples fórmula, aquela em que mais completamente se eclipsava sua personalidade: “Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a vossa palavra”.

voltar 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 Continua
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão