Maio de 2009
Devoção à Santíssima Virgem Maria
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São Gabriel prosterna-se diante de Maria

A Anunciação

A Encarnação acabava de se realizar, Nossa Senhora permanecia ainda arrebatada no êxtase. Todos os teólogos admitem que, nesses minutos três vezes santos, Deus A tenha elevado à contemplação mais sublime que uma pura criatura possa alcançar na Terra. O Altíssimo talvez tenha até concedido a Ela, por alguns instantes, a visão beatífica.

Nesse momento o Arcanjo Gabriel havia cumprido sua missão. Ao chegar, ele se inclinara respeitosamente diante da Rainha do Céu; ao partir, prosternou-se com a face em terra.

Maria não estava mais só: ao Menino que Ela carregava no seio eram devidas, em rigor de justiça, as honras da adoração. O anjo adorou o Deus feito homem e retornou ao Céu.

 

A Maternidade divina

Devido à maternidade divina, a Santíssima Virgem possui direitos incontestáveis sobre o Salvador. Antes de tudo, direitos sobre a sua vontade. O Menino Jesus obedecia a Maria. Os Evangelhos no-lo recordam expressamente ao mostrá-Lo submisso à sua Mãe e ao seu pai adotivo.

Mas importa não exagerar. O Salvador havia recebido do Altíssimo uma missão que escapava à autoridade de Nossa Senhora. Quando, na idade de 12 anos, Ele permaneceu no Templo entre os doutores, não avisou a seus pais.

Quis com isso fazer-nos compreender claramente que, embora sua Mãe não pudesse mandar n’Ele em todas as coisas, conservava imensa influência sobre sua adorável vontade. Não foi a pedido de Maria que Ele realizou em Caná seu primeiro milagre?

Impossibilidade de recusar pedido da Mãe

A Santíssima Virgem possui também direitos sobre o Coração de seu Filho. Esses direitos são imprescritíveis. Como o fazia na Terra, Jesus tributa a Maria no Céu todo o respeito e toda a ternura de Filho.

É-Lhe, pois, impossível recusar a realização dos desejos d’Ela. Como é impossível que rejeite as nossas orações, se as apresentarmos em nome do amor que Ele deve e deverá sempre à sua Mãe.

São muito apreciadas em nossos dias as orações eficacíssimas. Há orações eficacíssimas a Santo Expedito, há novenas eficacíssimas a outros santos que, com a Igreja, venero profundamente. Há, porém, uma Santa que supera de muito os outros eleitos em glória e poder.

A Visitação

A Visitação

Como Ela havia tomado conhecimento da realização das esperanças de sua prima Isabel, teve grande desejo de ir vê-la. Acredita-se, entretanto – e esta é a opinião dos comentadores mais autorizados – que Maria ainda permaneceu em Nazaré por alguns dias.

O mês de março chegava ao fim, as grandes solenidades da Páscoa aproximavam-se. Provavelmente Ela esperou as festas para subir com São José até Jerusalém.

Após cumprirem ambos seus deveres religiosos, Maria dirigiu-se à cidade de Hebron, onde ficava a residência habitual de Zacarias. Não parece provável que São José A tenha acompanhado nessa segunda parte da viagem. Se houvesse sido assim, ele não teria ignorado alguns meses mais tarde o divino segredo de sua santíssima Esposa.

Chegou, pois, a Virgem Imaculada à casa da prima, desenrolando-se as cenas da Visitação, cujos detalhes nos foram fielmente descritos pelo evangelista São Lucas.

Encontro de Maria com Santa Isabel

Maria chega ao termo de sua viagem. Considerai as duas mulheres que se reencontram: uma, embora rica, não passa da esposa de um simples mortal; a outra, apesar de pobre, é a Esposa do Espírito Santo, a Mãe de Deus. O que fará a Imaculada?

Já conhecemos sua prodigiosa humildade durante os primeiros anos. No Templo, considerava-se a última de todas. Mas agora as condições estão bem mudadas: Nossa Senhora encerra dentro de si o Filho eterno do Pai. Ela não ignora a que eminente dignidade essa maternidade sublime A eleva.

Consciente de sua glória, aguardará a saudação de Isabel para poder falar que recebeu as honras que lhe são devidas? Não, Maria antecipa-se. Com graça modesta, com espontaneidade encantadora, inclina-se diante da prima, abraça-a com a efusão de respeitosa ternura.

Contudo Isabel, que Deus esclarece sobrenaturalmente, quer prosternar-se diante da jovem parente: “De onde me vem tamanha honra?” – exclama com admiração. “Como é que se digna de vir a mim a Mãe de meu Salvador?”.

O Magnificat

Então Maria não pode mais ocultar o segredo que o próprio Céu acaba de revelar. E deixa refulgir no Magnificat seu admirável reconhecimento: “O Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas. Eis que pelos séculos dos séculos todas as gerações Me proclamarão bem-aventurada”.

Mas quanto mais Ela glorifica o Altíssimo, mais se aprofunda no abismo do seu nada: “Ele lançou os olhos para a pequenez de sua serva, porque costuma derrubar por terra os soberbos e exaltar os humildes”.

Importante lição. Deus nos concederá seus favores na medida em que nos aniquilarmos na presença d’Ele. O Espírito Santo não deposita seus dons num coração orgulhoso. Pedi a Nossa Senhora a graça de conhecer melhor o Salvador; sua missão é a de conduzir as almas a Jesus.

Nossa sede inextinguível de felicidade se aplacará

A visita de Maria traz enfim tesouros de alegria. “Assim que vossas palavras soaram em meus ouvidos – exclama Isabel –, meu filho saltou de alegria em meu seio” (Lc 1. 44).

Deus nos criou para uma eterna felicidade; é por isso que trazemos em nós uma sede inextinguível de felicidade.

Ai de nós! Muitos pensam encontrar a felicidade nos prazeres proibidos. Lamentável erro. O pecado carrega frutos de morte, não deixa atrás de si senão remorsos e desgostos.

Outros vão procurar fora de Nosso Senhor satisfações legítimas, mas puramente humanas. A bagatela pode nos distrair por um instante, mas acaba fatalmente por nos fazer sofrer, pois não basta para satisfazer o vazio de nossas almas. A verdadeira alegria encontra-se nos corações que se dão inteiramente a Cristo.

Ó Virgem Imaculada, Mãe da santa alegria, concedei às nossas almas ávidas de felicidade as alegrias inefáveis do amor divino.

A santificação de Maria

Não penseis que fosse fácil para Maria progredir assim na virtude. Apesar de isenta de tentações interiores – sua Conceição Imaculada A colocava ao abrigo da concupiscência –, a exemplo de seu Divino Filho estava Ela submissa à lei do esforço.

Jesus quis por experiência própria conhecer a fadiga que às vezes nos apavora. O Evangelho no-Lo mostra caindo de sono no barco, enquanto a tempestade se enfurece e as ondas invadem o convés.

Nós O vemos ainda, levado pelo cansaço, sentar-se à beira do Poço de Jacó. Maria não foi mais privilegiada do que Nosso Senhor; tenhamos como certo que Ela não se elevou à sua incomparável santidade sem sofrimento.

Deus não nos preservou do pecado original, como à Mãe do Verbo Encarnado. Mas o apagou das nossas almas no dia do Batismo. Quando temos a infelicidade de ofendê-Lo, perdoa-nos ao nos arrependermos e restabelece sua amizade conosco pelo sacramento da Penitência.

O reencontro de Nosso Senhor no Templo

Maria e José iam todos os anos a Jerusalém para a celebração da Páscoa. Quando o Salvador completou 12 anos – idade com a qual o israelita se tornava filho da lei e devia participar das cerimônias de culto – seus pais O levaram à Cidade Santa.

Essas grandes solenidades tinham se desenrolado com o esplendor habitual. Soara a hora da partida. Fizeram um dia de caminhada sem se preocupar. Quando, na caída da noite, pararam na primeira etapa, ficaram surpresos ao não verem chegar o Divino Infante.

Que dor apoderou-se da alma de Maria! Para compreender a imensidade de seu sofrimento, impõe-se compreender também a imensidade do amor que Ela votava a esse Menino, ao mesmo tempo seu Filho e Filho de Deus.

Não O havia visto perseguido pelo ódio mortal de Herodes? Talvez outros inimigos buscassem sua vida preciosa.

Não havia meditado sempre as páginas da Escritura, onde o Profeta Isaías anuncia os sofrimentos do Messias? Ela ignorava quando e como se cumpriria a sublime imolação: a hora do grande martírio teria chegado?

Sua alma estava absorta num oceano de amargura.

Grande lição de desapego e obediência

Enquanto Maria estava absorta no abismo da dor, credes que o Menino Jesus havia cessado de amá-la? Seu Coração divino A acompanhava com terna compaixão e tinha piedade de sua imensa aflição. Invisivelmente presente, Ele estava junto d’Ela e A sustentava com sua graça todo-poderosa. Mas A deixava sofrer, para dar ao mundo uma grande lição de desapego e de obediência à vontade do Céu.

Mesmo quando parece retirar-se de nós, o Bom Mestre não cessa de nos amar. Devemos somente deixar-nos conduzir de olhos fechados, com inteira confiança.

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