Outubro de 2006
Cruzada católica impede sex shop
Por que Nossa Senhora Chora?


Cruzada católica impede sex shop

Normalmente noticiamos nesta seção horrores do mundo moderno que fazem Nossa Senhora chorar. Hoje, porém, apresentaremos uma enérgica e vitoriosa atuação contrária à onda de desagregação moral. Trata-se de autêntica cruzada moralizadora de católicos, que impediu que um horror se consumasse.

Em janeiro de 2006, a diretoria de planejamento da cidade de Nyack, no Estado de Nova York, autorizou a abertura na cidade de uma loja com artigos pornográficos, denominada sex shop, com oito saletas de vídeo para a exibição de filmes eróticos. O projeto foi discutido durante um ano em reuniões públicas mensais no prédio da prefeitura. A decisão da diretoria de planejamento de Nyack foi unânime a favor da instalação da sex shop.

Mas não contava com o fervor de um grupo de católicos, que lançaram uma autêntica cruzada contra a instalação desse estabelecimento pornográfico. A alma desse movimento foi o ator Stephen Baldwin, que se converteu ao catolicismo em 11 de setembro de 2001, ao presenciar os atentados ao World Trade Center.

Em fevereiro deste ano, ele apareceu em frente à futura sex shop munido de uma câmera digital, a fim de fotografar os operários que estavam trabalhando na instalação. Na ocasião, disse aos repórteres de um jornal local que pretendia fotografar cada um dos financiadores da sex shop e as placas dos seus carros. As fotos seriam oferecidas a jornais ou publicadas na Internet. Uma cruzada inteligente, pois o mal perde suas garras quando denunciado. Posteriormente ele tentou fotografar os fregueses, mas estes não apareceram.

“Essa é a única forma de nos protegermos desses porcos”, afirmou o ator. “Desde que me tornei uma pessoa religiosa, percebi o quanto o nosso país está se deteriorando. Estamos mais preocupados com árvores e rios do que com as pessoas [...]. Nós olhamos para a nossa constituição. Ela é tão repleta de direitos, que tudo acaba se confundindo e acabam os limites. Por exemplo, se um Estado após outro permitir o casamento de homossexuais, talvez daqui a 10 anos acabe sendo legal uma pessoa se casar com a própria filha. E o que acontecerá depois? Uma mulher poderá se casar com o seu cão pastor alemão? Há 20 anos, os norte-americanos normais consideravam o casamento homossexual como sendo algo tão errado e equivocado quanto o casamento entre uma mulher e o seu cachorro. Para onde esta tendência nos conduz?”.

Imoralidade e terrorismo

A cruzada dos católicos produziu seus efeitos. Os 6 mil moradores de Nyack entenderam que na Rota 59 estava em jogo mais do que um simples estabelecimento comercial. Perceberam que a loja com janelas pintadas de negro e o 11 de setembro tinham relação entre si. Os moradores começaram a mencionar os estandes de vídeos pornográficos e a Lei Patriota contra o terrorismo, na mesma conversa. Na cabeça deles, tudo está relacionado — Deus, guerra, o declínio moral do mundo e a Constituição dos Estados Unidos.

Nyack se transformou em um campo de batalha para os dois principais pólos na sociedade norte-americana — os conservadores religiosos e os liberais. Em 3 de março, um grupo chamado Cidadania Católica entrou com um processo na Corte Suprema de Nova York contra a Diretoria de Planejamento de Nyack e os operadores da planejada sex shop.

Em entrevista, um dos membros do grupo apresentou documentos comprovando que as sex shops atraem pervertidos e maníacos sexuais: “A constituição é importante, mas o bem-estar emocional do nosso povo é ainda mais importante”.

Vitória

Houve nova reunião. A pequena sala da prefeitura de Nyack ficou lotada. Baldwin falou sobre Deus, a proteção ambiental da mente e o aumento da utilização de drogas e da criminalidade, que está vinculada a esse tipo de negócio.

Apesar de tudo, a sex shop abriu as portas um mês mais tarde — apenas durante quatro dias! Durante esses dias Baldwin levou sua câmera ao estacionamento para fotografar os fregueses. Mas nunca havia ninguém lá para ser fotografado. Foi quando os donos do estabelecimento receberam a determinação da Corte Suprema de Nova York cancelando a licença para o negócio.

Em maio, a loja preta e envolta por vidraças lembrava um caixão. O pátio de estacionamento estava vazio. As prateleiras, repletas de DVDs, revistas e artigos eróticos encalhados. Em fins de julho, um pequeno aviso na porta da caixa de vidro negro da sex shop anunciava que o estabelecimento estava saindo definitivamente de Nyack...

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Nota:

Resumo de artigo de Alexander Osang, publicado em Der Spiegel e traduzido por Danilo Fonseca. http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2006/08/05/ult2682u179.jhtm