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Previsões de Fátima e atentado em Aparecida

Durante a procissão no Rio de Janeiro, a imagem milagrosa é ladeada pelo Núncio Apostólico, D. Bento Aloisi Masella, e pelo Arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo e Silva
O autor menciona a lei do divórcio, aprovada no Brasil em 1977, como um dos motivos do entristecimento de nossa excelsa Rainha, devido aos pecados de seu povo. Mas tal aprovação deu-se há 27 anos. O que diria ele, se esse artigo fosse redigido nos presentes dias? Muito mais do que naquela época, o Brasil de hoje dá motivos para entristecer sua Rainha e Mãe. Para ficarmos apenas no âmbito da instituição familiar, consideremos o atual desfazimento da família: a desagregação dos vínculos entre pais e filhos; as modas imorais; a negação do valor da virgindade; o “amor livre” — ou a “união livre” — que penetra na sociedade; a promiscuidade sexual; o controle artificial da natalidade e a pílula anticonceptiva; o aborto que se pratica em larga escala; a quebra da barreira de horror que havia no povo brasileiro em relação ao chamado casamento homossexual.

São os erros do comunismo, previstos por Nossa Senhora em Fátima e mencionados no artigo acima, envenenando nosso povo. Podemos ver aí a ilação entre Fátima e o atentado sacrílego em Aparecida, pois não se atendeu aos pedidos de Nossa Senhora, manifestados em 1917.

É devido a esse conjunto de fatores que o espaço perdido pela Igreja Católica vem sendo preenchido por seitas protestantes, “evangélicas” etc., atraindo os católicos com suas falsas doutrinas e interpretando a seu modo os ensinamentos da Bíblia.

Peçamos a nossa Mãe e Rainha que tenha pena do povo brasileiro, que Ela tanto amou. Assim como a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi restaurada, imploremos que Ela restaure também em nossas almas o amor e a íntegra fidelidade aos ensinamentos imutáveis da Igreja. Fidelidade que consiste em amar a verdade e rejeitar inteiramente os erros do comunismo, espalhados pelo mundo inteiro. Desse modo, este povo poderá obter as graças para restaurar a grandeza de seu glorioso passado e construir um futuro ainda mais esplêndido.

Nossa Senhora, Rainha destronada

Além do gravíssimo atentado sacrílego referido acima, em nossa época outros ultrajes são perpetrados contra a Senhora Aparecida. De passagem, citemos alguns: em 12-10-95, o pastor protestante Sérgio Von Helder, chutou uma cópia da imagem d’Ela, perante câmaras de televisão; em 4-4-99, o evangélico Carlos Antonio Macedo atirou uma pedra na bendita imagem (não sendo ela danificada, porque a protegia um vidro blindado); filmes, shows e teatros com peças blasfemas, que ridicularizam Nossa Senhora; grupos evangélicos que, por meio de projeto de lei, tentam destronar Nossa Senhora, arrancando-lhe o título de Rainha do Brasil; e outros que tentam eliminar o feriado nacional de 12 de outubro, em honra à Virgem Mãe Aparecida.

Como percebemos, Ela continua a ser virulentamente atacada pelos inimigos e abandonada até por filhos. E nós? Nada faremos para desagravar essa situação? Ficaremos de braços cruzados?

Em exposição pronunciada em 26-2-1966, o Prof. Plinio narra a seguinte metáfora:

“Nossa Senhora é como uma Rainha que está sentada no seu trono. A sala está cheia de inimigos. Os inimigos já arrancaram-lhe o dossel, já tiraram da sua fronte veneranda a coroa de glória a que Ela tem direito, já lhe arrancaram das mãos o cetro. Ela está amarrada para ser morta.

Dentro dessa sala cheia de gente poderosa, armada, influente — todos diante da Rainha que não faz outra coisa senão chorar —, há também um pugilo de fiéis, e Ela evidentemente olha para tais fiéis. Assim, ou este olhar faz em nós o que o olhar de Jesus fez em São Pedro, ou não há mais nada para dizer…

A Rainha vai ser arrancada do trono. Pergunta-se: o que nós vamos fazer? Nesta hora deste olhar, isso não me interessa? Este olhar não me sensibiliza?

Poder-se-ia então perguntar: quem sou eu? Eu sou o homem para quem Nossa Senhora olhou!

Mas serei o homem a quem Ela terá olhado em vão?”.

*     *     *

            Neste centenário da coroação de nossa Rainha — ocasião propícia a especiais graças —, supliquemos a Ela a graça de não permanecermos indiferentes a tão maternal olhar, de não ficarmos de braços cruzados perante os ultrajes lançados contra Ela.

            Somente assim seremos súditos dignos da celestial Rainha, e o Brasil merecedor de sua augusta Padroeira. Temos tudo para realizar as promessas de um grandioso porvir na maior nação católica da Terra, pois temos a melhor de todas as Rainhas — uma vez que a Rainha do Brasil é a Mãe do Rei dos reis.

Notas:

1. Vide Catolicismo, Nº 502, outubro/1992. Ao leitor desejoso de conhecer maiores detalhes desse milagre, e de vários outros operados por meio de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, aconselhamos o livro Rainha do Brasil — A maravilhosa história e os milagres de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, de Gustavo Antonio Solimeo e Luiz Sérgio Solimeo (Diário das Leis, São Paulo, 1992). Pedido pelo tel.: (11) 3331-4522

2. O autor refere-se ao Poder das Chaves, comunicado por Jesus Cristo a São Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus” (Mt 16, 17-19).

3. Entende-se Reino de Maria — previsto em Fátima e tão desejado por Plinio Corrêa de Oliveira — no sentido empregado por São Luís Maria Grignion de Montfort (grande missionário francês do século XVII e Doutor marial) em seus escritos, especialmente no célebre Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem: “Quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? [...] Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o Vosso [de Jesus Cristo] Reino” (São Luís Maria G. de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, Vozes, Petrópolis, 1984, 13ª ed., pp. 210-211).

4. Plinio Corrêa de Oliveira, Prece no sesquicentenário, “Folha de S. Paulo”, 16-1-1972.

5. Plinio Corrêa de Oliveira, A Imagem que se partiu, “Folha de S. Paulo”, 29-5-1978.

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A coroação da Rainha do Brasil

A caminho de São Paulo, em 20 de agosto de 1822, o então Príncipe D. Pedro subiu a ladeira que conduz à antiga Capela de Nossa Senhora Aparecida, e lá orou para ser bem sucedido na solução dos múltiplos problemas políticos dos quais, pouco depois, resultaria a proclamação da Independência.

Em 1845 e 1865, segundo consta, o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz D. Teresa Cristina também visitaram a Capela da Aparecida.

Foto da Princesa Isabel
A Princesa Isabel lá esteve devotamente em 1868. Após a promulgação da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, como prova de sua Fé e de seus sentimentos cristãos, ofertou à Imagem da Senhora Aparecida uma artística coroa de ouro 24 quilates, pesando 300 gramas e cravejada com 24 diamantes maiores e 16 menores. Seu valor histórico supera de longe seu inegável valor material.(*)

Serviu ela para a coroação da Imagem no dia 8 de setembro de 1904, aprovada por São Pio X e efetuada pelas mãos do então Bispo de São Paulo, D. José de Camargo Barros, na presença do Núncio Apostólico, e de outros 13 bispos, de grande número de sacerdotes e religiosos, bem como de 15 mil peregrinos.

No dia 16 de julho de 1930, Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Rainha e Padroeira do Brasil. A solene proclamação pública se deu no dia 31 de maio do ano seguinte, na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro, depois de apoteótica procissão, com a participação de todos os bispos brasileiros, do chefe de Estado, ministros e mais de um milhão de fiéis.[...]

O Brasil terá um esplêndido porvir, se seguir o caminho de Nossa Senhora. E é esse provir, carregado de bênçãos, de virtude e de grandeza cristã, que imploro a Nossa Senhora Aparecida para nossa pátria.

Plinio Corrêa de Oliveira

 * No dia 8 do corrente, em homenagem pelos 100 anos da coroação, a Imagem da Padroeira receberá nova coroa. A antiga será restaurada e guardada no Museu do Santuário, devendo ser utilizada apenas em ocasiões especiais.

 

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