Idade Média: caluniada por ser realização da Cristandade na História
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As classes sociais

Na Idade Média a sociedade compunha-se de três classes sociais: o Clero, a nobreza e o povo.

O Clero

O Clero constituia a primeira classe da sociedade medieval.

Basicamente, o Clero divide-se em Clero secular e Clero regular. O Clero secular depende diretamente do Bispo e vive em paróquias. O Clero regular é constituído pelos religiosos que moram em conventos e pertencem às várias ordens e congregações religiosas.

A hierarquia eclesiástica compõe-se, em sentido estrito, de apenas três graus: o Papa, os Bispos e os párocos. Eles constituem propriamente o poder de jurisdição dentro da Igreja.

Porém, com seu espírito profundamente matizado, a Igreja elaborou vários outros graus, que exprimem apenas um primado honorífico, uma certa liderança, mas não uma jurisdição. Tal é o caso de Patriarcas e Cardeais, Arcebispos, monsenhores e cônegos. Em algumas situações podem ser os porta-vozes naturais de determinados grupos, mas não há um mando propriamente dito.

Tais matizes honoríficos são vistos pelo povo como parte da hierarquia eclesiástica.

Os Patriarcas geralmente são Arcebispos de sedes muito antigas, que durante algum tempo tiveram liderança sobre determinadas regiões ou países, especialmente nas Igrejas Orientais. Na Igreja Latina isto ocorreu durante a Idade Média.

Primaz é o titular da sede mais antiga de um país. No Brasil o primaz é o Arcebispo de Salvador, na Bahia, que foi a primeira cidade do Brasil a ter bispos.

Os cônegos constituem uma espécie de senado do Bispo, para o governo da diocese.

Quanto ao Clero regular, as organizações das diversas ordens religiosas variam, mas, de um modo geral, obedecem a princípios comuns.

Há o Geral da ordem, que é a autoridade máxima, abrangendo todos os países pelos quais a ordem se difundiu. Abaixo dele estão os Provinciais, com jurisdição sobre as casas da ordem num país, ou em algumas regiões de um país. Finalmente, os Superiores das diversas casas da ordem, individualmente consideradas. Al?m disso, dentro de cada casa religiosa existem os sacerdotes e os simples irmaos leigos.

A Nobreza

A nobreza constituia a segunda classe da sociedade medieval.

Sua organização era parecida com a do Clero, não por ter sido copiada, mas porque corresponde ao modelo ideal de uma sociedade hierarquizada, como era a daquela época.

No topo estava o Rei, como Chefe de Estado. Abaixo dele, em ordem decrescente, os vários graus hierárquicos da nobreza: Duques, Marqueses, Condes, Viscondes, Barões. Entretando, estes diversos graus da nobreza não eram exatamente os mesmos para todos os países.

E também havia títulos que não indicavam sempre a jurisdição sobre um determinado território, mas a posição dentro de uma família real, como os Príncipes, Grão-duques, Arquiduques, Infantes, etc. As vezes um Grão-ducado podia constituir um território, como o Grão-ducado da Toscana, na Itália, ou o grão-ducado de Luxemburgo, até hoje existente.

Acima dos reis, como o mais alto titular da Cristandade, estava o Imperador do Sacro Império Romano Alemão.

O Povo

A terceira classe da sociedade era o povo.

A ele pertenciam diversas categorias de pessoas. Algumas exerciam o trabalho intelectual, como professores, industriais e comerciantes. Outras o trabalho meramente manual.

Um professor universitário podia ser um homem da plebe, pois seu cargo não era necessariamente preenchido por um clérigo ou um nobre. Em alguns países os professores universitários, depois de um certo tempo no cargo, podiam ser nobilitados.

Essa hierarquia, em continuidade com a plebe, formava uma escala perfeita, sem hiatos. Entre o Barão e o povo não havia hiato, mas apenas uma diferença de gênero. Havia nobres inferiores ao Barão, que pertenciam à chamada nobreza de aldeia, tão pequenos que viviam misturados com o povo e já eram quase povo.

Era uma transição perfeita, como as cores de um arco-íris, que se fundem umas nas outras. Assim são todas as hierarquias que resultam da ordem natural das coisas.

Simbologia apropriada: manifestação da hierarquia

Essa ordem social era enriquecida com símbolos expressivos, que lhe davam maior significação.

Os nobres usavam uma coroa, símbolo da jurisdição territorial. O simples diadema, usado pelos Barões, já significava autoridade, sendo acrescido por outros símbolos, à medida que se elevava o grau na hierarquia da nobreza.

Os símbolos eram adornos incrustados no diadema, que indicavam o título de seu possuidor. A coroa do rei era fechada em cima, para indicar o poder soberano, mas com interstícios. Na coroa do Imperador não havia interstícios. Os nobres inferiores ao Barão não tinham direito à coroa.

A hierarquia clerical também estava repleta de símbolos. A coroa papal, a tiara, é uma superposição de três coroas sobre uma armação completamente fechada. Do mesmo modo variavam, em cores e adornos, os chapéus dos Cardeais, Arcebispos, Bispos e padres.

Havia ainda outros símbolos, como o báculo do Abade, com a volta para dentro, representando sua autoridade dentro da abadia. Diferente do Bispo, cujo báculo tinha a volta para fora, indicando sua autoridade externa. A volta na ponta do báculo era sinal de submissão ao Papa, o qual usava um cetro sem volta alguma, símbolo de sua autoridade suprema.

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