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A Sociedade Americana de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) publicou importante documento sobre a questão das uniões homossexuais, nos diários “The New York Times”, “The Los Angeles Times” e “The Washington Times”, no dia 5 de junho último. Reproduzimos aqui excertos desse documento.

O tema diz respeito não apenas aos Estados Unidos, mas a todas as nações, pois o estudo se fundamenta na perene doutrina da Igreja, a qual não muda com os tempos, porquanto baseada na Revelação divina e na Lei natural. É muito recomendável que nossos leitores tomem conhecimento da íntegra desse manifesto.

Lutando pela alma dos Estados Unidos da América

Como o “casamento” homossexual ameaça nossa nação e a fé. A TFP insiste numa resistência legal e de consciência.


Na perspectiva da Guerra Cultural em curso na nação, em maio de 2008 os americanos sentiram toda a força de duas ações favorecedoras do movimento homossexual. O “casamento” entre pessoas do mesmo sexo está sendo agora imposto à nação, através de um fiat do governo.

Em 15 de maio de 2008, a Corte Suprema da Califórnia declarou a inconstitucionalidade da Proposição 22 (a qual estabelece: “Somente o casamento entre um homem e uma mulher é válido ou reconhecido na Califórnia) — ignorando as vozes de 61% dos eleitores californianos, que aprovaram a medida em 2000 — e de todos os outros estatutos da Califórnia restringindo o casamento à união entre um homem e uma mulher, e impôs o “casamento” homossexual no Golden State.

Ao mesmo tempo, o governador de Nova York, David Patterson, ordenou unilateralmente a todas as agências do governo reavaliar suas regras, procedimentos e regulamentos, de modo a darem reconhecimento legal aos “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo, realizados fora do Estado.

A. A aceitação do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo é incompatível com o Cristianismo

1) Visões divergentes da realidade e da ordem natural...

A raiz deste conflito reside na profunda divergência do laicismo em relação à visão cristã do mundo, a qual é ancorada na realidade.

Quando a idéia que o homem faz de determinada coisa corresponde à realidade, ela é verdadeira.(1) Caso contrário, caímos no erro. Este pode ser o resultado de um equívoco intelectual, de um capricho ou de uma motivação ideológica que deforma nossa percepção. Neste último caso, afastamo-nos da realidade e apegamo-nos a uma compreensão ilusória e utópica da coisa.

2) ...Conduzem à aceitação de diferentes conceitos de casamento, família e sociedade

Poucos temas ilustram tanto a divergência entre a visão laicista e a cristã como a atual batalha cultural a respeito do casamento.

Os laicistas, ao aceitar o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, negam a realidade específica do casamento, enraizada na natureza do homem. Eles negam que as evidentes diferenças biológicas, fisiológicas e psicológicas entre homens e mulheres encontram a sua complementaridade no casamento, do mesmo modo como negam que a finalidade primária, específica do casamento, é a perpetuação da espécie humana e a educação dos filhos.

Este conceito estritamente natural de casamento é sustentado tanto pelo Novo como pelo Velho Testamentos.

Lemos no Livro do Gênesis: “E Deus criou o homem à sua imagem; Ele o criou à imagem divina; Ele os criou homem e mulher. Deus os abençoou, dizendo: 'Sede fecundos e multiplicai-vos; enchei a terra e submetei-a” (1:27-28). O mesmo foi ensinado por Nosso Salvador Jesus Cristo: “Desde o início da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e os dois serão uma só carne” (Mc 10:6-7).

A recusa da visão cristã do mundo é o aspecto negativo, destrutivo do laicismo. Seu aspecto “positivo” é a utopia de uma sociedade sem freios morais, na qual o casamento e a família são redefinidos.

3) Sociedades utópicas e perda da liberdade

A História é uma grande mestra. No século XX, o nazismo e o comunismo mostraram ao mundo que, quando a sociedade abandona suas amarras da ordem natural para se entregar às utopias, o efeito inevitável é a ditadura. Esta ditadura pode tomar muitas formas e ser exercida a partir dos palácios governamentais, das sedes dos partidos políticos, dos tribunais de justiça ou através dos meios de comunicação.(2)

4) Uma ameaça à Religião e à liberdade

Não nos iludamos. Nas últimas décadas, os EUA assistiram a uma maré crescente de leis, decretos, regulamentos e decisões judiciais favorecendo de um lado o homossexualismo, e de outro dificultando e castigando os que se opõem a ele por razões de fé, consciência e outras.

Pouco depois de a Corte Suprema da Califórnia legalizar o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, o Prof. David A. Carlin observou:

“O sistema moral cristão não é parte menos importante do Cristianismo do mesmo modo como o coração ou os pulmões não o são do corpo humano. Derrube-se o sistema moral cristão e se terá derrubado o próprio Cristianismo. Portanto, aqueles que estão impulsionando a instituição do casamento entre pessoas do mesmo sexo estão ipso facto impulsionando a eliminação da religião cristã”.(3)

Ao legalizar o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, o estado se torna o seu promotor oficial e ativo. Ele convoca funcionários para oficiá-lo na nova cerimônia civil, ordena as escolas públicas a ensinarem sua aceitação pelas crianças e pune qualquer funcionário que manifeste sua desaprovação.

Na esfera privada, os pais que defendem a moral tradicional verão em breve seus filhos, mais do que nunca, expostos a esta nova “moralidade”; as empresas de serviços para casamentos serão forçadas a atender às uniões do mesmo sexo; e proprietários de imóveis terão de concordar em alugá-los para “casais” do mesmo sexo.

Em qualquer situação em que o referido “casamento” afete a sociedade, o estado vai esperar que os cristãos e todas as pessoas de boa vontade traiam suas consciências, consentindo, por ação ou omissão, nesse ataque à Lei divina e à ordem natural.

Se não for contida, essa tendência anticristã tornar-se-á um atentado sem precedentes à Primeira Emenda (que garante a liberdade religiosa) e ao modo de vida americano, de forma tal que não hesitamos em chamá-la de perseguição.

5) A legalização do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo cria um terrível problema de consciência

Enquanto a intolerância da revolução homossexual anticristã avança através de medidas cada vez mais persecutórias, um terrível problema de consciência se põe para aqueles que resistem: Devem eles agir de acordo com o que suas consciências lhes indicam como certo? Ou devem contrariá-la? Para os católicos como nós, a resposta é clara, pois a aceitação do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo equivaleria a uma renúncia à fé.

6) A aceitação moral do “casamento” homossexual equivale à negação da Revelação divina

Como observou o Prof. Carlin, o sistema moral cristão é parte essencial do Cristianismo. O dogma e a moral católica estão baseados na Revelação divina, e devem portanto ser aceitos em virtude da autoridade suprema de Deus, fundamento de sua veracidade e bondade.(4) O mesmo Deus que revelou verdades nas quais devemos crer, também revelou verdades de como devemos viver.(5)

Portanto, quando um católico rejeita uma verdade em matéria moral contida claramente na Revelação, rejeita a autoridade divina que garante aquela verdade e toda a base sobrenatural da fé.(6)

Ora, a Revelação divina,(7) o “constante ensinamento do Magistério e o senso moral do povo cristão”(8) condenam claramente os atos homossexuais. Assim, negar a maldade intrínseca do ato homossexual e, ainda mais, reconhecê-lo como digno de ser praticado e aceito na ordem social, é contradizer expressamente a Revelação divina (e os preceitos da Lei natural).

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