Fevereiro de 2004
Esquerdistas profanam imagens de Nossa Senhora
Página Mariana

Esquerdistas profanam imagens de Nossa Senhora

Na Venezuela, ataques sacrílegos contra imagens da Virgem Santíssima, efetuados recentemente por seguidores do Presidente Chávez, tornam patente a vinculação entre comunismo e ódio satânico

Valdis Grinsteins

           
Caso não estivesse tudo fartamente documentado — existe até um documento oficial da Conferência dos Bispos da Venezuela condenando os atos acima mencionados — poder-se-ia duvidar da sua autenticidade, de tal modo eles são chocantes.

            Que ocorrem atos satanistas, ninguém pode negar. Porém, eles costumam ser realizados secretamente, por pequenos grupos, à sorrelfa. Dificilmente seus protagonistas deixar-se-iam filmar, sobretudo quando tais atos são passíveis de punição legal. Então, como explicar que na própria capital venezuelana, Caracas, numa das praças principais da cidade, centenas de vândalos tenham efetuado um verdadeiro carnaval satanista, deixando-se filmar e fotografar? “Normalmente os profanadores atuam na sombra, envergonhados pelo que estão fazendo. Aqui aconteceu numa praça pública, à luz do dia, com testemunhas, e os obscenos manifestantes posando orgulhosos para as câmaras”, comenta uma conhecida jornalista(1).

É de tal forma monstruoso o ocorrido, que Catolicismo vê-se na obrigação de repudiar veementemente os aberrantes atos praticados nessa ocasião e externar seu profundo desagravo a Maria Santíssima.

Seguidores de Hugo Chávez

          
Sábado, 6 de dezembro de 2003. Uma manifestação de partidários do presidente Chávez realiza marcha em Caracas para comemorar os cinco anos do governo deste. Entre eles figuram grupos motorizados de pessoas armadas, conhecidos na Venezuela como os motorizados da morte. São membros dos Círculos Bolivarianos, versão nacional dos CDR (Comitês de Defesa da Revolução) cubanos. Constituem agrupamentos encarregados de intimidar pela força os opositores políticos. Chegando perto da Praça Altamira — bastião da oposição a Chávez —, 250 desses motorizados adiantam-se e dominam o local. Pouco depois chega o restante da manifestação, que devia continuar rumo a outro lugar da capital.

          
Altar com imagem da Virgem na praça Altamira
A Praça Altamira tornou-se famosa na época da greve contra Chávez. Lá se reuniam pessoas que não concordam com a política comunista do presidente. Este costuma aparecer em público com crucifixos, bíblias, citando frases de Nosso Senhor Jesus Cristo, etc. Aliás, convém recordar, Fidel Castro também costumava apresentar-se ostentando medalhas religiosas e o terço, antes de tomar o poder.

           Para se opor a esse uso enganoso de símbolos religiosos pelo presidente, e tornar patente na Venezuela quem realmente acredita em Deus, a oposição começou a colocar imagens de Nossa Senhora em lugares públicos para veneração. Organizaram-se procissões com imagens, rezou-se em conjunto o rosário em diversos bairros da capital. Na Praça Altamira, em concreto, foram colocadas numerosas imagens da Santíssima Virgem, a maior delas de Nossa Senhora das Graças, toda dourada. Além desta, havia imagens de Fátima, de Coromoto, da Rosa Mística, da Caridade do Cobre (padroeira de Cuba), etc.

Horrendas profanações

          
Imagem de Nossa Senhora, decapitada pelos ímpios esquerdistas
Tendo tomado conta da praça, os manifestantes pró-Chávez começaram a profanar as imagens. Em meio a gritos, danças, risos, pintaram com grafite vermelha a maior delas; “simulavam atos lascivos e até fizeram suas necessidades sobre ela”(2). A imagem foi “colocada no chão, e lá faziam suas necessidades sobre ela, cuspiam-na”(3). Abominações sacrílegas ainda piores foram praticadas, mas o sentimento de veneração e respeito nos impede de narrá-las.

          
Partidários de Chávez exibem cartaz diante de uma das imagens profanadas
Uma imagem da Rosa Mística “foi colocada no chão, e num ritual, em meio a danças, gargalhadas macabras e violências, um dos participantes, de um só golpe, decapitou a Virgem com um pau”(4). “A tensão na praça se prolongou por meia hora”(5). Ao partir, os satânicos vândalos roubaram “uma imagem da Virgem de Coromoto, uma da Caridade do Cobre, um Menino Jesus e uma réplica pintada da Rosa Mística”(6).

           Não se pense que os sacrílegos tentaram ao menos esconder a ideologia. “No chão e nas paredes da praça, bem como ao longo da Avenida Francisco de Miranda, também pintaram grafites que diziam Viva Chávez”.(7)

Governo e mídia: abafadores

          
O vice-presidente José Vicente Rangel (círculo) participou ativamente dos atos sacrílegos
Tais atos foram condenados por um comunicado da Conferência Episcopal(8), o qual continha também uma oração para ser rezada em reparação pelo fato.

           O incrível é que o governo Chávez não só não negou que tenham ocorrido tais aberrações — aliás, seria impossível fazê-lo —, como ainda tentou justificá-las da forma mais cínica possível. Assim, o vice-presidente do país, José Vicente Rangel, afirmou que “o que aconteceu na Praça Altamira [...] não foi um ato de provocação nem de desrespeito à religião (sic)”(9).

          
O deputado José Albornoz também tomou parte nos atos de profanação
Tem sido censurado o que lá aconteceu. Todo o mundo o sabe, todo mundo o comenta, mas o que foi apresentado pela televisão constituiu lamentavelmente uma versão quase tão pacífica e distorcida como a descrita por Rangel.

           Segundo a visão cínica da CNN, “os manifestantes tomaram a praça simbolicamente, durante uma hora, e danificaram alguns adornos de Natal” (10).

           Não é novidade que órgãos da mídia favoráveis à esquerda ocultem o que não lhes convém...

Desagravo de filhos fiéis

          
Gigantesca manifestação contra Chávez em Caracas
Não cessaram então as depredações anti-religiosas. No dia 9 de dezembro, detonou-se um explosivo diante de uma igreja na cidade de Los Teques, destruindo várias imagens do seu interior. No dia 11 de dezembro, três imagens de Nossa Senhora foram destruídas na cidade de Cardón, e, no dia seguinte, mais duas imagens da Virgem no mesmo local. No dia 15, voltaram os sacrílegos a atacar a mesma igreja, que já tinha sido objeto de agressão em Los Teques.

           Estaremos em face de uma explosão de violência anticatólica como a ocorrida na Rússia comunista, ou na Espanha durante a guerra civil de 1936 a 1939?

Ante tais sacrílegos ultrajes contra a melhor e a mais santa da mães — a Mãe de Deus! — devemos, antes de tudo, manifestar nossa indignação. Depois, realizar algum desagravo por essa ousadia satânica. E, finalmente, devemos tomar todas as providências cabíveis para que atos como estes, aparentemente impossíveis de serem realizados hoje no Brasil (assim como ontem pareciam impensáveis na Venezuela), não venham a acontecer por falta de previsão nossa, de não atuar a tempo contra os fomentadores de doutrinas atéias e anticatólicas.

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Notas:

Maruja Tarre, Lo de Altamira, “El Universal”, Caracas, 12-12-03.

Migdalis Cañizales, El que se mete com santos es porque no tiene corazón”, “El Universal”, 8-12-03.

Eleonora Bruzual, Satanás se complace, “Miami Herald”, 13-12-03.

Eleonora Bruzual, idem, ibidem.

Oficialistas causan destrozos en Altamira, “Globovisión”, 6-12-03.

Migdalis Cañizales, El que se mete com santos es porque no tiene corazón”, idem, ibidem.

Migdalis Cañizales, idem, ibidem.

Agência Zenit, 9-12-03.

Rangel responde, “El Universal”, 9-12-03

Maruja Tarre, Lo de Altamira, idem, ibidem.