Revista Catolicismo Catolicismo n° 60, dezembro de 1955
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Catolicismo n° 60, dezembro de 1955


Arte moderna? Não. Trata-se de uma formosa imagem de Nossa Senhora, do sec. XIV, profanada pelos comunistas espanhóis. Reduzindo-a a este estado, os vermelhos compreendiam que a desfiguravam. E os fiéis se enchiam de santa indignação diante de tal sacrilégio. Certa arte sacra hodierna, também ela, profana por suas aberrações as figuras mais sagradas de nossa Religião. E o faz sob pretexto de piedade, conseguindo assim pôr de joelhos diante dessas imagens numerosos fiéis imprudentes ou ingênuos. Pelo que, fazem às almas um mal maior do que os próprios comunistas.

DIRETRIZES SOBRE ARTE SACRA

«ABERRAÇÕES QUE TÊM PROFANADO A CASA DE DEUS»

O Exmo. Revmo. Sr. Bispo de San Sebastian, na Espanha, Mons. Jaime Font Andréu, consultou a Pontifícia Comissão Central de Arte Sacra sobre o projeto da Basílica a ser construída em Aránzazu, centro de peregrinações em sua Diocese.

Aquela preclara Comissão pronunciou-se sobre o assunto em carta largamente difundi-da por toda a Espanha. Transcrevemo-la da revista "Cristiandad", de Barcelona, porque, pelos princípios que contém, ela se reveste de vivo interesse para todo o mundo católico.

Por igual motivo traduzimos, ainda de "Cristiandad", a importantíssima circular sobre arte sacra moderna, enviada pelo Exmo. Revmo. Sr. Núncio Apostólico em Madrid, Mons. Hildebrando Antoniutti, a todo o Venerando Episcopado da grande nação irmã.

"CORRENTE MODERNISTA QUE DESPREZA OS PRECEITOS DA IGREJA SOBRE ARTE SACRA"

É o seguinte o texto do primeiro daqueles importantes documentos:

"Excelência Reverendíssima

Esta Pontifícia Comissão examinou ponderadamente o projeto da nova Basílica de Aránzazu, havendo consultado a propósito artistas e estudiosos particularmente competentes em liturgia, arquitetura e artes decorativas.

Esta Pontifícia Comissão, que vela pelo decoro da arte sacra segundo as diretrizes da Santa Sé, tem o pesar de não poder aprovar os projetos apresentados.

Não se discutem as boas intenções dos projetistas, mas se conclui que foram desencaminhados pela corrente modernista, que não faz caso algum dos preceitos da Santa Igreja em matéria de arte sacra.

Aproveito com muito prazer a ocasião para apresentar a V. Excia. Revma. devotos e respeitosos cumprimentos.

(a) Giovanni Costantini, Arcebispo titular de Colasse.

Roma, 6 de junho de 1955".

"ALGO DE GROTESCO, ENTRE ESPECTRAL E MACABRO"

Essa carta acompanhava a seguinte exposição exarada pela mesma Pontifícia Comissão:

"O propósito dos artistas de "conjugar estreitamente os elementos que conformam o espaço religioso: arquitetura, pintura e escultura" é verdadeiramente digno de louvor. Também o tema iconográfico da cripta da igreja e da fachada é lógico e merece ser aprovado.

Deve-se, porém, fazer muitas reservas acerca dos modelos propostos.

A igreja deve apresentar-se como igreja, nunca assemelhar-se a um edifício profano. Tal é a advertência da Instrução sobre Arte Sacra emanada do Santo Ofício em 30 de junho de 1952. A igreja em questão, à primeira vista, pode antes parecer uma fortaleza do que uma igreja. A construção em forma de pontas de diamante não tem razão de ser, quer funcional quer decorativa, numa igreja. Falta também a cruz no vértice. A escultura é reduzida "às formas elementares"; mas a escultura deve ser clara, funcional, isto é, deve expressar o pensamento com formas corretas. Isto o exige também a dignidade dos temas. O Santo Padre Pio XII, na Encíclica sobre a Liturgia, recomenda a modernidade, mas condena as aberrações (1).

A extravagância na invenção, o abuso de esquemas extraídos das mais acadêmicas teorias cubistas e surrealistas, o barbarismo fingido, a vontade de chocar e desconcertar não produzem mais que um exercício mecânico, uma composição estereotipada, sem valor e sem vida, uma idéia asfixiante do espaço, um movimento sem ritmo, uma fraseologia descontínua e fastidiosa. As várias composições não pressupõem uma ordem, uma coerência formal e funcional, seguem-se umas às outras e se sobrepõem em atitudes forçadas, cuja única expressão é a insistência pouco menos que violenta de algo de grotesco, entre espectral e macabro, que se coaduna mal com a graça de Maria Santíssima.

Esta retórica modernista, imbuída de falso medievalismo, não atende de modo algum à insuperável necessidade de expor coisas sagradas com simplicidade, e que falem por si mesmas aos devotos peregrinos, que ficariam antes perturbados do que persuadidos, antes distraídos do que recolhidos na pura contemplação.

Estes muros de prisão e de fortaleza, esses cravos de cofre antigo, essas deformações intencionais não são, em última análise, se não estéreis esforços pseudo-intelectuais para encobrir uma carência absoluta de autêntica fantasia e de fé operante.

Tendo presentes estes princípios, a fachada da igreja e as figurações plásticas e pictóricas não podem ser aprovadas.

Especialmente a vista frontal da abside é confusa, algo que entra em choque com a iconografia cristã, e carente daquele sereno sentido decorativo que deve embelezar a igreja. A esquematização dos Santos carece absolutamente de decoro.

As pinturas da paróquia do Rosário (2), embora se ressintam de um estilo sumario e um pouco desconexo, especialmente no quadro central, podem admitir-se.

Na Assunção da paróquia de Alarilla (2) certas figuras, e particularmente o homem com o boi, são demasiado sumárias.

Esta Pontifícia Comissão aprecia todas as formas sadias de modernidade da Arte Sacra, mas não pode endossar certas formas extravagantes que estão em absoluto contraste com a Instrução do Santo Ofício".

Constituem complemento desse documento as seguintes notas, correspondentes aos números insertos no texto:

( 1 ) — "Não se devem desprezar e repudiar genérica e sistematicamente as formas e imagens recentes, mais adaptadas aos novos materiais com que hoje são confeccionadas; mas, evitando com sábio equilíbrio, de uma parte o excessivo realismo e de outra o simbolismo exagerado, e tendo em conta as exigências da comunidade cristã mais do que o critério e o gosto pessoal dos artistas, é absolutamente necessário dar livre campo também à arte moderna, se com a devida reverência e a devida honra se põe ao serviço dos sagrados edifícios e dos sagrados ritos; — de modo que também ela possa unir sua voz ao admirável cântico de glória que os gênios cantaram à Fé Católica nos séculos passados. Não podemos entretanto, por dever de Nossa consciência, deixar de deplorar e reprovar as imagens e formas introduzidas recentemente e por alguns, as quais parecem ser depravações e deformações da verdadeira arte, e às vezes repugnam abertamente ao decoro, à modéstia e à piedade cristã, e ofendem lamentavelmente o genuíno sentimento religioso. Devem as mesmas manter-se absolutamente afastadas e excluídas das igrejas, como em geral tudo o que não esteja em harmonia com a santidade do lugar". (Pio XII. Encíclica "Mediator Dei", de 20-XI-1947).

(2) — Referência a outras obras pictóricas dos mesmos artistas, que acompanhavam a consulta.

GRAVES RAZÕES MOVERAM ROMA A REITERAR SUAS ADVERTENCIAS

Assim se exprimiu o Representante do Santo Padre em sua circular aos Exmos. Revmos. Snrs. Bispos da Espanha: "Madrid, 22 de julho de 1955

Excelência Reverendíssima

São conhecidas de todos as aberrações em matéria de arte sacra que encontraram complacente hospitalidade em exposições privadas e públicas e que, embora tornem monstruoso ou ridículo o aspecto das coisas e pessoas sagradas, tiveram, não obstante, em alguns casos, acesso até aos templos, profanando a casa de Deus.

A difusão das deformações aludidas demonstra suficientemente quão oportuna e pontual foi a conhecida Instrução sobre a Arte Sacra, publicada pela Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício em data de 30 de junho de 1952.

Comprovam-no as recentes medidas tomadas pela Santa Sé com o fim de impedir profanações desta espécie no Santuário de Nossa Senhora de Aránzazu, na Guipúzcoa.

Se bem que seja consolador verificar o dócil correspondência dos bons tanto a esta como a outras intervenções da Santa Sé em matéria tão grave, é para se deplorar, entretanto, que ela não tenha sido acolhida com igual acatamento eficaz, quer por parte de alguns artistas, quer de algumas pessoas ou Entidades às quais compete autorizar a execução de obras de arte destinadas a lugares de culto.

Dando cumprimento à venerável incumbência da citada Suprema Sagrada Congregação, lembro a V. Excia. Revma. a necessidade urgente de esclarecer convenientemente o Clero, especialmente no Seminário, os artistas e o povo católico dessa Diocese, acerca das graves razões que moveram a Santa Sé a reiterar suas advertências e diretrizes, tão importantes para a tutela da fé e da piedade cristã; advertência e diretrizes que, de outra parte, não fecham por completo o caminho às manifestações sérias de uma verdadeira arte sacra moderna

Em particular, as organizações diocesanas (Comissões de Arte Sacra, que deveriam ser constituídas onde ainda não existam, mesmo admitindo-se a elas especialistas de outros lugares) capacitadas para a fiel execução das citadas normas, nas diversas dioceses, terão o encargo de velar para que a realização de obras de arte sacra jamais seja confiada a artistas, que não tendo fé ou carecendo de boa vontade para a observância das diretrizes da Igreja, não ofereçam suficientes garantias neste terreno.

De modo especial, não omita V. Excia. a vigilância, em quanto for possível, da organização de eventuais exposições de arte sacra que possam realizar-se nessa Diocese, providenciando para que não se participe de modo algum das mesmas, se não as achar conformes ao espírito da mencionada Instrução.

Muito lhe agradecerei que tenha a bondade de me fornecer ampla e precisa informação do programa que V. Excia. tenha traçado visando o exato cumprimento das normas contidas na Instrução do Santo Oficio, e dos resultados até agora conseguidos".


VERDADES ESQUECIDAS

SEMEAR DISCÓRDIA PODE SER LOUVÁVEL

S. TOMAZ DE AQUINO

Da Suma Teológica (IIa. IIae., q. 37, a. 1, ad 2.um ) :

Assim como a vontade humana que adere a Deus é norma reta, da qual é pecado discordar, do mesmo modo a vontade do homem contrária a Deus é regra perversa, da qual é bom discordar. Portanto, produzir a discórdia pela qual se destrói a boa concórdia que é efeito da caridade, constitui pecado grave, - razão por que se diz nos Provérbios (6,16): "Seis coisas aborrece e Senhor, e a sétima a detesta sua alma", e se acrescenta que esta sétima (6,19) é "aquele que semeia discórdias entre os irmãos". Porém, produzir a discórdia pela qual se destrói a má concórdia, isto é, a concórdia na vontade má, é louvável. E assim foi louvável que S. Paulo pusesse dissensão entre os que estavam concordes no mal, pois também o Senhor disse de Si (Mat. 10,34 ): "Não vim trazer a paz, mas a espada".



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