nossos direitos religiosos. Entre os mais graves estão: surras, maus tratos e até assassinatos de catequistas, bem como incêndios, saques e profanações de igrejas, ofensas e calúnias contra colaboradores eclesiásticos” (cfr. IGFM, nov/dez. de 1990).
"Somos sem dúvida sudaneses. Dói-nos intensamente sermos tratados, com quanta frequência como estrangeiros. Nosso trabalho é visto com permanente desconfiança: são levantadas acusações infundadas contra nós. Há 27 anos as igrejas sofrem restrições e são injustamente tratadas. Não podemos obter hoje qualquer licença para a construção de igrejas ou de centros de oração. Certas regiões do Sudão estão proibidas para os cristãos. Lamentavelmente, temos de mencionar que a mídia conduz enfaticamente uma propaganda anticristã, usando linguagem injuriosa”. Essas palavras são do Arcebispo católico D. Gabriel Z. Wako e dirigidas ao Vice-Presidente do Sudão, General Zubeir M. Salih (idem).
O Bispo D. Macram Max Gassis, de EI-Obeid, declarou em Regensburg que considera os católicos ameaçados de extermínio em sua pátria. Está havendo um holocausto. Catequistas estão sendo crucificados. Sacerdotes não têm permissão para visitar suas paróquias. Em novembro de 1989, os muçulmanos mataram mais de 200 cristãos na região de Lagawa. Em Dongola, 500 km ao norte de Kartum, alunos cristãos foram espancados, enquanto muitos cristãos são perseguidos pela polícia (cfr. KM, março de 1990).
No dia 28 de dezembro de 1989, milicianos muçulmanos mataram 2000 católicos em Gebelein, localidade situada a 350 km ao sul da capital sudanesa. No Natal daquele ano, os católicos exigiram os três dias de férias como de direito. Os islamitas se opuseram. E um “shilluk" (negro católico) foi morto por um muçulmano, sendo vingado pelos seus companheiros. Isso ocorreu no dia 27. No dia seguinte chegaram quatro caminhões carregados de milicianos armados de metralhadoras. Cercaram o povoado, incendiando todas as cabanas dos negros do Sul; dispararam contra tudo e contra todos, inclusive ateando fogo em quem pretendesse escapar. Dois catequistas católicos chegaram a Kosti, onde narraram o ocorrido (cfr. MN, fevereiro de 1990).
Em 1970, o exército indonésio invadiu o Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa, e a anexou ilegalmente. Ativistas dos direitos humanos calculam que 100 mil timorenses, de uma população de 700 mil, morreram, vítimas do fanatismo muçulmano. Poucas notícias, entretanto, filtram para o exterior da ilha.
No dia 12 de novembro último, forças militares indonésias abriram fogo contra uma procissão de católicos que participavam de um enterro. Entre 50 e 150 timorenses foram mortos. Os soldados simplesmente abriram fogo. “Vi corpos caindo por toda parte”, disse uma das testemunhas (cfr. NCR, 6-12-91).
No dia 9 de julho de 1990, o Bispo da capital somalí, D. Salvatore Colombo, foi assassinado. Os fundamentalistas islâmicos atearam fogo na Cúria e na Catedral. O incêndio durou dois dias, consumindo até o porão. Um precioso crucifixo ali existente foi desfeito a tiros de metralhadora. As imagens sagradas, as estátuas, o altar, o púlpito e o tabernáculo foram queimados ou destruídos. O sarcófago de um dos bispos da cidade, D. Fulgêncio Lazzati, foi aberto e os restos jogados fora.
Do lado externo, desfiguraram o rosto da imagem de Nossa Senhora de Giuba (cfr. OR, 28-7-91).
A igreja paroquial do Sagrado Coração, em Mogadisco, foi completamente incendiada. Os símbolos sacros foram destruídos com sacrílega ferocidade. No cemitério católico, as cruzes foram derrubadas e os túmulos violados (idem).
Na Arábia Saudita, onde vigora a charia, a Religião católica é proibida, e quem se converte é executado com cimitarra (cfr. IM, março/90; I, maio/91; VN, 20-1-90)
Os funcionários do governo negam autorização para construir igrejas, tocar sinos, comprar vinho de missa, e impedem qualquer Pároco de entrar no país (cfr. DF, abril/91).
400 mil católicos estão ali sem sacerdotes. Funcionários da alfândega, nos aeroportos de Riad e de Jidá, arrancaram medalhas e crucifixos dos pescoços dos trabalhadores, destroçando os livros religiosos que traziam consigo (cfr. KM, janeiro de 1989).
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Seria um não mais acabar se incluíssemos ainda o que se passa na Turquia, Etiópia, Paquistão, Bangladesh, Malásia, Irã, Iraque e Marrocos. O que acima publicamos é apenas um registro para informação de nossos leitores, pois a matéria infelizmente é inédita no Brasil.
Para concluir, seja-nos permitido aduzir, ainda que de passagem, uma palavra a respeito de um ecumenismo mal entendido, infelizmente muito difundido nos meios católicos hoje em dia.
Insistem seus adeptos na prática indiscriminada de um diálogo inter-religioso cordial, de uma acolhida fraterna e compreensiva, na solidariedade e na tolerância em relação a infiéis de outras confissões religiosas, por vezes irredutíveis e fanatizados, como os que acabamos de ver.
A esse propósito, vale a pena recordar os comentários do ex -ministro sudanês exilado, Bona Malwal.
Após narrar aos participantes de um congresso na Espanha, que um missionário católico no Sudão foi flagelado em público por ter sido encontrado de posse de vinho para a celebração da Santa Missa, ele afirmou: “Qualquer diálogo entre o fundamentalismo islâmico e o Cristianismo, dado o desprezo do primeiro em relação ao segundo, é absolutamente impossível.
“Os católicos sudaneses do Sul sentimo-nos preocupados quando a comunidade católica em outras partes do mundo fala em diálogo com o Islã sem levar em conta os fatos... Estamos sobretudo preocupados com a nossa liderança católica, a começar pelo Vaticano(3)... Os sudaneses do Sul estamos na primeira linha de frente, resistindo ao tentâmen muçulmano de destruir o Cristianismo na África, e sofremos e nos sacrificamos muito por essa causa. Por isso não é justo que a comunidade cristã debilite nossa luta, falando de um diálogo para o qual não há nenhuma base” (“El Islam en África, un reto al cristianismo”, Editorial Mundo Negro, Madri, 1990 –– O destaque é nosso).
E vós, católicos da tolerância e da concessão a qualquer preço, se não fordes agredidos a tempo pela realidade, merecereis a bofetada de um teólogo muçulmano fundamentalista que declarou: “Jamais vós [católicos] ouvireis dizer que respeitamos vossa religião. Da vossa parte, esse respeito em relação à nossa parece uma abdicação. Vós renunciais a impor-nos a vossa Fé, nós jamais renunciaremos a expandir o Islã”... (“Le Point”, Paris, 27-5-91).
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Leitor. Perseguir assim a Igreja é perseguir a Jesus Cristo. A Paixão de Nosso Senhor se repete de algum modo em nossos dias, nas atrocidades praticadas pelos sanguinários seguidores de Maomé contra católicos.
Persegue-se a Santa Igreja, quer atuando para d’Ela afastar as almas, quer atentando contra os seus direitos de “ir e evangelizar todos os povos”, conforme o mandado do Divino Mestre. Todo ato pelo qual se impede