(continuação)
sexta maior marinha de guerra do mundo, composta pelas frotas do Pacífico, do Báltico e do Mar Negro. Depois do desastre de Port Arthur na batalha de Tsushima, os navios remanescentes da frota do Pacífico e os da frota do Báltico juntaram-se no fundo do mar. Ao fim da desastrosa guerra, restava à Rússia apenas a esquadra do Mar Negro, por sinal em revolta. Perdeu também suas concessões na Manchúria, e vinte e cinco mil soldados foram aprisionados pelos japoneses.
Concomitante à eclosão da guerra russo-japonesa, ocorreu o que se poderia chamar "Estados Gerais da Rússia". Em novembro de 1904 — sob o olhar complacente do Ministro do Interior, Sviatopolski-Mirski — líderes provinciais de toda a Rússia afluíram a São Petersburgo, onde passaram a reunir-se nas casas de liberais eminentes para debater mudanças constitucionais. Dividiram-se em duas facções: uma, conservadora, defendia o estabelecimento de um órgão consultivo para o Tzar; a outra, avançada, queria a criação de um Parlamento com função legislativa.
Até então o povo tinha se mantido distante dos tumultos políticos, mas o desastre da guerra com o Japão deu pretexto a agitações em Moscou e São Petersburgo. As pressões a favor de mudanças cerceando o regime autocrático provinham quase exclusivamente de estudantes universitários, revolucionários profissionais e senhores de terras das províncias.
Essa situação mudou radicalmente com os acontecimentos do famoso "domingo sangrento" (9 de janeiro de 1905), quando o pope (sacerdote ortodoxo) Gapon liderou uma manifestação de operários destinada a apresentar ao Tzar o pedido de convocação de uma assembleia constituinte. As tropas obstruíam o acesso ao Palácio de Inverno, mas os operários da vanguarda não conseguiam retroceder nem se dispersar, devido à pressão dos operários da retaguarda. As tropas então abriram fogo, matando cerca de 200 manifestantes e ferindo quase mil.
Uma onda de indignação varreu o país. Irresoluto, o Tzar hesitou, mas afinal concordou em convocar um conselho consultivo de "homens probos", a serem escolhidos pela nação.
Em 6 de agosto de 1905, o primeiro-ministro Serguei Witte anunciou a convocação próxima de uma Duma de Estado (a Câmara-Baixa do Parlamento) a ser formada por deputados eleitos. A Câmara-Alta era o Conselho de Estado da Rússia Imperial, constituído por membros indicados pelo clero e pela nobreza. Dois meses depois, no Manifesto de Outubro, o Tzar prometia dar à população uma série de liberdades civis, ampliar o direito de voto universal e estabelecer a regra inviolável de que nenhuma norma teria força de lei sem a aprovação da Duma.
Pela primeira vez na história da Rússia, seria livremente discutida a promulgação de leis fundamentais (o termo constituição nunca foi empregado) no sentido de limitar a autoridade imperial.
A eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) iria precipitar a derrubada do Império Russo, e também dos chamados impérios centrais (Alemanha e Áustria). Até 1914, todas as sublevações e tentativas de derrubar o governo russo haviam sido infrutíferas, devido à presença atuante do exército. Mas o conflito mundial exigiu que as tropas fossem transferidas para o front ocidental, desguarnecendo São Petersburgo e Moscou, que ficavam assim à mercê da propaganda e agitação revolucionária, levada a cabo não apenas pelos bolcheviques, mas também por outros elementos da esquerda, como os social-democratas e os socialistas-revolucionários.
Nicolau II teria agido sabiamente se não tivesse declarado guerra aos Impérios Centrais, na sequela do atentado de Sarajevo, conservando assim, muito provavelmente, o seu trono. Apesar de alguns sucessos iniciais, seguiram-se derrotas humilhantes para o orgulho russo. Convencido de sua responsabilidade pessoal na defesa da Rússia, o Tzar resolveu então assumir pessoalmente o comando de todas as tropas. Decisão desastrosa, pois não estava apto para o posto, e passou a ser-lhe atribuída a responsabilidade por todas as derrotas militares. O enorme custo em vidas humanas, a carestia, uma guerra longa, intérmina, sem perspectiva de vitória, tudo isso ia fornecendo pretextos para a agitação revolucionária.
No dia 22 de fevereiro de 1917, tranquilizado pelo Ministro do Interior Alexander Protopopov, Nicolau II partiu para a frente de batalha. Não haviam passado 24 horas quando explodiram desordens em São Petersburgo, numa manifestação pelo Dia Internacional da Mulher. Na Duma, reaberta no dia 14, os deputados de esquerda, entre eles Kerensky, criticaram acerbamente o governo, incitando o povo.
A situação se agravou no dia 24, quando duzentos mil trabalhadores — parte em greve, parte desempregados — invadiram a Avenida Nevsky, a mais importante da capital, saqueando lojas e bradando "abaixo a autocracia", "abaixo a guerra".
A rebelião incipiente estava a ponto de ser debelada no dia seguinte, por um simples telegrama do Tzar ao comando militar da
LEGENDAS:
- Grã-Duquesa Olga.
- Grã-Duquesa Tatiana.
- Alexander Kerensky.
- O pope Gapon enfrenta a tropa de cossacos no trágico "domingo sangrento".