Tragada foi...

A família real da Holanda durante o funeral do príncipe Johan Friso, filho da rainha Beatrix, primeira à direita (agosto de 2013).

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fogem espavoridos, procurando esquecer o morto para fugir da lembrança que a morte traz.

São os espíritos que se perdem intencionalmente nos pormenores sociais dos funerais e do luto, que abreviam tanto quanto possível a presença do cadáver em casa, que “simplificam” de todos os modos as honras fúnebres, para que passem rápidas e sem deixar vestígio. Entre estas duas atitudes extremas, como é diferente a posição do católico!

A Igreja justifica nossa dor e a ela se associa

A Igreja nos ensina que a morte é um castigo imposto por Deus aos homens, em consequência do pecado original. É próprio do castigo produzir a aflição e a dor. Como Deus é infinitamente sábio e poderoso, e faz com perfeição todas as suas obras, este castigo instituído por Ele há de ser necessariamente capaz de produzir muita aflição e muita dor. Foi disto exemplo supremo a morte voluntária de nosso Salvador — sumamente aflitiva, inefavelmente dolorosa. Os instintos humanos recuam diante da aflição e da dor, e é natural que se aterrorizem diante da morte.

Diversos santos morreram inundados de consolações sobrenaturais, aceitando a morte com mais prazer do que outros aceitam honras ou riquezas. São verdadeiros milagres da graça, em que a unção sobrenatural é tão intensa que, por assim dizer, suspende os estertores da natureza. O comum dos homens não está neste caso, pois morrem com medo e com dor.

Se a morte faz sofrer, é legítimo que participem da dor os que amam o morto, e a Igreja sempre aprovou os costumes sociais tendentes a cercar a morte com as manifestaçöes exteriores da dor. Por isto a liturgia para os defuntos assume todos os sinais da tristeza. Sendo Ela a mestra e a própria fonte da imortalidade, não desdenha de participar de nossas lágrimas e se revestir de nosso luto.

Os paramentos do sacerdote são pretos, preto é o tecido sobre o qual se dão as absolvições, e a música da liturgia dos defuntos canta com poderosa força de expressão a dor dos homens diante da morte. Os textos litúrgicos soam em uníssono com nossos gemidos. Como mestra, a Igreja justifica nossa dor; como mãe, a ela se associa. Por isto também incita a caridade dos fiéis a que se manifeste generosamente a propósito da morte.

Tradicionais costumes lutuosos

Velar os cadáveres, participar dos funerais, visitar as famílias enlutadas, comparecer à Missa em sufrágio da alma do morto — são atos que muito frequentemente se praticam hoje num espírito absolutamente mundano e naturalista. Não devem ser abolidos estes atos, que em si mesmos são excelentes e rigorosamente coerentes com o que a Igreja ensina a respeito da morte. O que deve ser abolido é esse espírito naturalista e mundano.

Nos séculos de civilização cristã, os costumes sociais, lentamente constituídos sob a bafejo do espírito católico, foram dando forma e expressão a todas estas idéias. Daí o luto, que os povos ocidentais usam com cor negra, por julgarem que esta cor serve para exprimir a dor, e de fato isso tem algum fundamento.

(continua)