VIDA DE SANTOS

São José de Pignatelli, restaurador da Companhia de Jesus

Plinio Maria Solimeo

Sétimo dos oito filhos do príncipe Antonio e da marquesa Francisca Mancavo, do ramo espanhol de nobilíssima família do Reino de Nápoles, José Pignatelli nasceu no castelo da família em Saragoça, Espanha, no ano de 1737.

Com o falecimento da mãe quando ele tinha quatro anos, o pai retornou com a família para Nápoles, onde sua única filha, Maria Francisca, Condessa dell’Acerra, cuidou da educação dos dois irmãos menores, José e Nicolau. Vindo a falecer também o pai, o irmão mais velho, Joaquim, Conde de Fuentes, levou de volta seus irmãos mais novos para Saragoça, onde eles estudaram no colégio dos jesuítas. José contraiu ali a tuberculose, que deveria atormentá-lo durante toda a sua vida.

Em 8 de maio de 1753, aos 15 anos, ingressou no noviciado da província aragonesa da Companhia de Jesus, santificado pela presença de São Pedro Claver, o apóstolo dos negros. Insistiu para ser enviado às Missões entre os índios americanos, mas seus desejos não puderam ser atendidos devido à sua delicada saúde. Após dois anos de noviciado em Tarragona, de 1753 a 1755, completou o ano de estudos humanísticos em Manresa, e depois o triênio de filosofia em Calatayud.

Voltando ao colégio de Saragoça, terminou ali seus estudos de teologia, sendo ordenando sacerdote em dezembro de 1762. Dedicou-se então ao ensino no colégio da cidade, e particularmente ao ministério apostólico, que desempenhou com grande zelo. Visitava as prisões, tomando especial cuidado com os condenados à morte, o que lhe valeu o epíteto popular de “pai dos enforcados”. Apesar de contar apenas trinta anos, era amplamente consultado. Desempenhou relevante papel na defesa da Companhia de Jesus, que então era objeto de uma guerra ignominiosa. Nesse tempo, seu irmão mais velho, Joaquim, Conde de Fuentes, foi nomeado embaixador do Rei Católico na França.

Supressão da Companhia de Jesus

Por múltiplas razões políticas, na segunda metade do século XVIII os monarcas europeus pressionaram o Papa a suprimir a Companhia de Jesus. No ano de 1767 ela foi extinta em Portugal, França, Duas Sicílias, Parma e Império espanhol. Em 1773, mesmo ano em que o Grande Oriente maçônico era estabelecido na França, o Papa Clemente XIV a dissolveu completamente. Frederico II da Prússia obteve permissão do Pontífice para os jesuítas continuarem a gerir suas escolas no país, o mesmo acontecendo na Rússia, onde prosseguiram de modo ininterrupto sua atuação. Por causa disso, a Companhia de Jesus sobreviveu nesses dois países.

Em 1766, o governador de Saragoça foi responsabilizado pela fome que ameaçava a cidade. Enfurecida contra ele, a população esteve prestes a incendiar seu palácio. O poder persuasivo do Pe. Pignatelli sobre o povo evitou a calamidade. Apesar da carta de agradecimento enviada pelo rei Carlos III, os jesuítas foram acusados de instigar o tumulto. A refutação apresentada pelo santo não surtiu efeito, seguindo-se o decreto de expulsão dos jesuítas de Saragoça em 4 de abril de 1767.

Entretanto, o conde de Aranda, favorito do rei e defensor da expulsão dos jesuítas, ofereceu-se para permitir que Pignatelli e seu irmão Nicolau, como membros da nobreza, permanecessem no país, desde que deixassem a Companhia de Jesus. Apesar dos problemas de saúde de José, os irmãos permaneceram firmes e seguiram para o exílio com seus confrades.

Cumpre dizer que nesse período da supressão da Companhia alguns dos seus antigos membros de grande virtude, como José de Pignatelli na Itália e Pedro José de Clorivière na França, se tornaram elos preciosos entre as duas fases da Ordem, reagrupando ao seu redor os irmãos remanescentes e guiando-os em meio às dificuldades dos tempos, como a Revolução Francesa e o advento de Napoleão.

Proibição do exercício do ministério sacerdotal

Não tendo o Papa Clemente XIII permitido que os jesuítas da província de Aragão desembarcassem em Civitavecchia, na Itália, eles navegaram para a República da Córsega, onde Pignatelli mostrou uma capacidade surpreendente de organização para a manutenção de 600 sacerdotes e seminaristas. Sua irmã, a Duquesa de Acerra, ajudou-os com dinheiro e provisões. O santo organizou os estudos, e os jesuítas puderam manter suas observâncias religiosas regulares.

Em 1770, quando a França assumiu o controle da Córsega, os jesuítas foram obrigados a transferir-se

(continua)

Em 1773, mesmo ano em que o Grande Oriente maçônico era estabelecido na França, o Papa Clemente XIV dissolveu a Companhia de Jesus completamente. Papa Clemente XIV – Anônimo (Vaticano).