Segredo de confissão...

São Pio de Pietrelcina no confessionário.

(continuação)

reservada à Sé Apostólica”; quer dizer, além de ser automática, a excomunhão só pode ser levantada pelo Papa.

Além de iníqua, a lei favorece o abuso

Qualquer iniciativa para violar essa sagrada instituição representa grave violação à liberdade da Igreja Católica. Em outras palavras, trata-se de perseguição religiosa sob a capa de legalidade. Como se essa tirania legislativa já não bastasse, alguns membros do clero australiano a consideram também ineficaz. A Fraternidade Australiana do Clero Católico registrou uma gravíssima contradição: os pecadores deixarão de confessar o ato iníquo, e consequentemente permanecerão sem os recursos penitenciais e sobrenaturais para evitar a reincidência. Como resultado evidente, a lei acabará aumentando os crimes que pretende evitar.

Além disso, caso algum sacerdote católico se disponha a denunciar um eventual confidente, como poderá ter certeza da sua identidade? Pois é sabido que na maioria das vezes as confissões são feitas através da grade do confessionário, e nessa situação é difícil o reconhecimento de qualquer pessoa. Exigirá a nova lei que o confessor pergunte o nome do penitente? Quantas outras situações constrangedoras surgirão daí? Os absurdos da lei vão se sobrepondo uns aos outros.

Diante dessa onda, mais uma pergunta se impõe: estarão os sacerdotes australianos — e eventualmente os do mundo inteiro — dispostos a manter o segredo de confissão a todo o custo, até mesmo ao preço da própria vida? Outros já o fizeram no passado...

Mártires do sacramento da confissão

Talvez o caso mais conhecido de martírio por fidelidade ao sigilo da confissão seja o de São João Nepomuceno, em meados do século XIV. 4 Ele era Arcebispo de Praga e confessor da rainha Sofia, esposa do rei Wenceslau. O soberano considerou-se no direito de exigir que ele lhe revelasse a confissão de sua mulher. Diante da negativa, em um ataque de cólera Wenceslau ameaçou-o de morte. Posteriormente, aproveitou-se de uma querela com o santo sobre bens da Igreja como pretexto para torturá-lo e atirar seu corpo no rio Moldava. Recolhido pela população local, o corpo foi sepultado religiosamente.

No século XX, durante a perseguição aos católicos no México, o Pe. Mateo Correa Magallanes foi fuzilado pelas autoridades do governo pró-comunista, por se negar a revelar as confissões de prisioneiros resistentes, tornando-se mártir do sigilo sacramental. Pelo mesmo motivo, os padres Felipe Císcar Puig e Fernando Reguera foram martirizados durante a Guerra Civil Espanhola, na década de 30.

Na esteira de protestos generalizados contra abusos sexuais praticados por membros do clero, podem estar sendo articuladas perseguições como estas e muitas outras. Todos nós católicos lamentamos e repudiamos esses eventuais abusos. Mas também desejamos e esperamos que, se a tais extremos chegar a presente perseguição contra a Igreja, os exemplos já registrados pela História sirvam de modelo para os clérigos de nossos dias. 

Notas:

1. Cfr. https://revculturalfamilia.blogspot.com/2018/08/sacerdotes-australianos-preferem-prisao.html

2. Cfr. http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/2018/08/19/church-under-attack-bans-on-the-sacrament-of-confession/?refresh_ce

3. Cfr. https://www.aciprensa.com/noticias/por-que-mas-sacerdotes-de-australia-se-niegan-a-romper-el-secreto-de-confesion-62750

4. Cfr. https://www.aciprensa.com/noticias/4-sacerdotes-que-defendieron-hasta-el-extremo-el-secreto-de-confesion-95756

AÇÃO CONTRA-REVOLUCIONÁRIA

Sacerdote jesuíta escandaliza os católicos

Rory O’Hanlon

DUBLIN — A Hierarquia da Igreja Católica na Irlanda convidou o jesuíta norte-americano Pe. James Martin para discursar no Encontro Mundial das Famílias em Dublin, de 21 a 26 de agosto de 2018. O padre Martin exerce intenso trabalho de apoio ao lobby homossexual dentro da Igreja. Tenta relativizar as normas da moral católica referentes à castidade, enfraquecendo e contradizendo assim o ensino moral católico. Um de seus atos mais reprováveis foi divulgar através do Twitter, em 12 de dezembro de 2017, data da festa de Nossa Senhora de Guadalupe, uma representação blasfema da Mãe de Deus.

Os fiéis católicos irlandeses se sentiam impotentes para impedir tal presença no Encontro Mundial das Famílias, indesejável por promover o homossexualismo. A Sociedade Irlandesa pela Civilização Cristã decidiu então promover um abaixo-assinado dirigido ao Arcebispo de Dublin, Dom Diarmuid Martin, solicitando-lhe a suspensão do convite feito ao padre Martin. A campanha começou em 23 de julho com o lançamento da petição online, que foi referenciada e vinculada por muitos sites.

De 1º a 9 de agosto, uma equipe de voluntários da entidade distribuiu nas ruas das cidades e vilas de todo o país um folheto expondo Sete razões pelas quais o Pe. James Martin deve ser excluído do Encontro Mundial das Famílias. Convocados deste modo a assinar a petição, muitos aderiram e agradeceram pela oportunidade de expressar sua indignação diante do escandaloso convite ao sacerdote jesuíta. A campanha repercutiu também na maioria dos principais jornais da Irlanda e na emissora nacional de televisão, obtendo mais de 16 mil assinaturas.

As autoridades eclesiásticas preferiram ignorar a petição, ao invés de cancelar o discurso do padre Martin no Encontro Mundial das Famílias.

O principal êxito da campanha foi alertar os católicos para as posições ultrajantes do referido sacerdote, e também denunciar a cumplicidade da Hierarquia eclesiástica permitindo que ele falasse. Mais ainda, deixou claro aos meios de comunicação que os católicos irlandeses não são unânimes em aceitar um lobby homossexual dentro da Igreja. Foram muitos os convidados que deixaram de participar do Encontro Mundial das Famílias devido à escandalosa presença do padre Martin. 