AÇÃO CONTRA-REVOLUCIONÁRIA (1)

Painel político-ideológico de 2018

Allysson Vidal Vasconcelos

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira promoveu no dia 6 de dezembro último, em São Paulo, um conjunto de conferências com o objetivo de fornecer orientação segura no ambiente confuso do noticiário, que atualmente sofre também a influência das chamadas fake-news. A inspiração para o evento foi a reunião que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira fazia sobre os acontecimentos relevantes da semana, visando unificar o pensamento e os métodos de ação dos membros da TFP. Analisava recortes selecionados da imprensa e procurava dar uma visão de conjunto deles no contexto da grande luta exposta em sua obra Revolução e Contra-Revolução.

Na abertura do painel, o Dr. Adolpho Lindenberg, presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, mostrou que o critério para análise profunda de um acontecimento consiste em relacioná-lo com os horizontes e princípios expostos na referida obra. Não havendo esta relação, o fato perde relevância. Este critério é muito importante, pois o “bombardeio” do noticiário com uma “avalanche” de informações tende a desnortear e causar confusão na mente das pessoas.

Formados durante décadas nessa verdadeira escola de estudos políticos, os conferencistas José Carlos Sepúlveda da Fonseca, Mario Navarro da Costa e Luís Eduardo Dufaur expuseram e analisaram os principais acontecimentos de 2018, para um seleto público presente no Club Homs.

Sobre os resultados das últimas eleições no Brasil, José Carlos Sepúlveda comentou o fenômeno de opinião pública denominado “onda conservadora”. Sempre ancorado em recortes de jornais e revistas, mostrou que o Prof. Plinio previra com 30 anos de antecedência esse movimento conservador, como também os rumos que ele deveria tomar.

Mario Navarro da Costa, responsável há mais de 30 anos pelo Bureau de representação de TFPs em Washington, iniciou sua exposição indicando a pergunta central com que o Prof. Plinio orientava a análise dos acontecimentos: Custos, quid de nocte? (Sentinela, o que houve à noite?). O sentido da pergunta encaminha a análise do noticiário, de forma a definir em que ponto está o processo de destruição da Civilização, desejada e empreendida pela “Revolução” explicitada no livro Revolução e Contra-Revolução. Ilustrou sua tese com fatos recentes dos Estados Unidos, como os funerais do ex-presidente George H. W. Bush e o embate entre partidários da direita e da esquerda. Destacou a ascensão de governos conservadores e o avanço da “onda conservadora” em vários países, como fruto de uma ação da Providência Divina junto à opinião pública. Ao concluir a exposição, comentou o significado da “guerra econômica” entre os EUA e a China.

Luís Eduardo Dufaur, membro do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e editor de vários blogs, centrou sua análise na profunda crise que assola atualmente a Igreja Católica e nos escândalos que abalam o pontificado do Papa Francisco. Chamou a atenção dos presentes para o “descolamento” entre apoiadores e opositores da atual linha do Papa. Comentando a advertência de eminentes prelados, mostrou o perigo de um rompimento dentro da Igreja, se não mudarem radicalmente de orientação eventos “progressistas” como o Sínodo da Juventude, Sínodo da Amazônia etc. Realçou ainda o desejo de incontáveis católicos na linha de um sério compromisso com a Doutrina Católica, o Magistério Tradicional da Igreja e os seus valores inegociáveis.

Encerrou o evento o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, lembrando que a Contra-Revolução visa à restauração da Cristandade, o que se dará com o triunfo do Imaculado Coração de Maria prometido em Fátima. E que o livro Revolução e Contra-Revolução representa um verdadeiro manual de batalha, mais atual do que nunca, para os que desejam compreender o panorama mundial de nossos dias. Estamos assistindo ao fim de uma era que teve a pretensão de organizar o mundo como se Deus não existisse. A ela deve seguir-se um renascer da Cristandade, cujos primeiros raios de luz discernimos nas atuais manifestações de descontentamento em todo o mundo. 

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