CAPA

Em 2018, o filho pródigo com saudades da casa paterna

Luis Dufaur

No auge de crises devastadoras, largos setores da humanidade deram mostras de sentir saudades da ordem na Igreja e na Civilização.

No início de 2018, a polarização acumulada em anos anteriores dava a nota tônica na esfera religiosa, política e cultural e caminhava para atingir o clímax. Embora comemorada por alguns situados em polos opostos, essa macrotendência era execrada por muitos que comandam as altas esferas do poder.

O mundo oficial desconectado do mundo real

A rachadura nos espíritos não cessou de alargar esse distanciamento. Na Igreja, por exemplo, o sexto ano de pontificado do Papa Francisco abriu-se sob o signo do desentendimento geral.1 O idílio da mídia anticatólica mundial com o estilo populista do Pontífice encaminhava-se para o divórcio, pois o Papa tinha “esgotado seu crédito de popularidade”, segundo o vaticanista de esquerda Henri Tincq.2 A constante diminuição de fiéis na Praça de São Pedro ilustrava a famosa frase do Sermão fúnebre pelo Rei Luís XV: “Le silence des peuples est la leçon des rois”3 (O silêncio dos povos é a lição dos reis).

Em livro, Tincq deplorava o fato de os católicos franceses estarem dando as costas para o ensinamento do Concílio Vaticano II, ao mesmo tempo que prosperam os mosteiros tradicionais, as missas no “rito extraordinário”, as devoções de outrora, as demonstrações contra o aborto e o “casamento” homossexual — todas manifestações de tendências menosprezadas como iniciativas da “extrema direita” e desencorajadas pela Santa Sé. Enquanto isso, a idade de mais da metade do clero francês penetrado pelo espírito do Vaticano II superou os 75 anos, os seminários “modernos” se fecham sem candidatos e os “católicos de esquerda quase desapareceram”. Tudo isso levou Tincq a vaticinar que “o catolicismo ousado do Papa” estava sendo “eliminado”, e que o atual Pontificado podia “se extinguir como fogo de palha”.4

Os admiradores mais próximos do Papa Francisco

(continua)

O retorno do filho pródigo – Bartolomé Esteban Murillo (1617–1682). – National Gallery of Art, Washington.