| MEMÓRIA | (continuação)
À vista desses acontecimentos, desmascarou a nova tática comunista de metamorfosear-se para melhor iludir o Ocidente e continuar espalhando seus erros. Denunciou que a política denominada Perestroika e Glasnost procurava fazer crer que o comunismo estava morto, e assim desmobilizar o anticomunismo.
A respeito do Concílio Vaticano II e da Ostpolitik — a política vaticana de aproximação com os tirânicos regimes comunistas — Plinio Corrêa de Oliveira discorreu e afirmou nesta nova parte do livro:
“A evidência dos fatos aponta o Concílio Vaticano II como uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja.11 A partir dele penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a ‘fumaça de Satanás’,12 que se vai dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição”.13
Além dos referidos acréscimos, o autor inseriu um posfácio, do qual transcrevemos os parágrafos finais:
“Em meio a esse caos, só algo não variará. É, em meu coração e em meus lábios, como nos de todos os que veem e pensam comigo, a oração transcrita ao final da Parte III: ‘Levanto meus olhos para ti, que habitas nos Céus. Assim como os olhos dos servos estão fixos nas mãos dos seus senhores e os olhos da escrava nas mãos de sua senhora, assim nossos olhos estão fixos na Senhora, Mãe nossa, até que Ela tenha misericórdia de nós’ (Cfr. Ps 123, 1-2).
É a afirmação da invariável confiança da alma católica, genuflexa, mas firme, em meio à convulsão geral. Firme com toda a firmeza dos que, em meio da borrasca, e com uma força de alma maior do que esta, continuarem a afirmar do mais fundo do coração: ‘Credo in Unam, Sanctam, Catholicam et Apostolicam Ecclesiam’, ou seja, Creio na Igreja Católica, Apostólica, Romana, contra a qual, segundo a promessa feita a Pedro, as portas do inferno não prevalecerão”.14
Notas:
1. Cfr. Revolução e Contra-Revolução, Artpress, S. Paulo, 4ª edição em português, 1998, Parte I, Cap. III, 1-5.
2. O Auto-retrato filosófico foi redigido por Plinio Corrêa de Oliveira em 1976, atualizado em 1989 e publicado na edição de outubro/1996 de Catolicismo.
3. Revolution and Counter-Revolution (1972), Educator Publications, Fullerton, CA, Foreword by John Steinbacher, pp. 7-10.
4. “Damos a este vocábulo o sentido de um movimento que visa destruir um poder ou uma ordem legítima e pôr em seu lugar um estado de coisas (intencionalmente não queremos dizer ordem de coisas) ou um poder ilegítimo” (Id., Ib. Parte I, Cap. VII, 1, A).
5. “Duas noções concebidas como valores metafísicos exprimem bem o espírito da Revolução: igualdade absoluta, liberdade completa. E duas são as paixões que mais a servem: o orgulho e a sensualidade” (Id., Ib. Parte I, Cap. VII, 2, E. 3).
6. “Com efeito, a ordem de coisas que vem sendo destruída é a Cristandade medieval. Ora, essa Cristandade não foi uma ordem qualquer, possível como seriam possíveis muitas outras ordens. Foi a realização, nas circunstâncias inerentes aos tempos e aos lugares, da única ordem verdadeira entre os homens, ou seja, a civilização cristã” (Id., Ib. Parte I, Cap. VII, 1, E).
7. Id., Ib. Parte II, Cap. II, 1.
8. Id., Ib. Parte II, Cap. XII, 5.
9. Id., Ib. Parte II, Cap. XII, 5.
10. A Parte III da R-CR, redigida em 1976 e acrescida de comentários feitos pelo autor em 1992, foi publicada na edição Nº 500 de Catolicismo (Agosto/1992).
11. Cfr. Sermão de Paulo VI de 29-6-1972.
12. Cfr. Alocução de 7-10-1968.
13. Cfr. Alocução de Paulo VI de 29-6-1972.
14. Revolução e Contra-Revolução, Artpress, S. Paulo, 4ª edição em português, 1998, p. 199. Esta obra pode ser adquirida na “Livraria Petrus”: http://www.livrariapetrus.com.br/. E encontra-se disponível no site: http://www.pliniocorreadeoliveira.info.
O que é um contra-revolucionário?
Pode-se responder à pergunta em epígrafe de duas maneiras:
1. Em estado atual
Em estado atual, contra-revolucionário é quem:
• Conhece a Revolução, a ordem e a Contra-Revolução em seu espírito, suas doutrinas, seus métodos respectivos.
• Ama a Contra-Revolução e a ordem cristã, odeia a Revolução e a “anti-ordem”.
• Faz desse amor e desse ódio o eixo em torno do qual gravitam todos os seus ideais, preferências e atividades.
Claro está que essa atitude de alma não exige instrução superior. Assim como Santa Joana d’Arc não era teóloga, mas surpreendeu seus juízes pela profundidade teológica de seus pensamentos, assim os melhores soldados da Contra-Revolução, animados por uma admirável compreensão do seu espírito e dos seus objetivos, têm sido muitas vezes simples camponeses; da Navarra, por exemplo, da Vendéa ou do Tirol.
2. Em estado potencial
Em estado potencial, contra-revolucionários são os que têm uma ou outra das opiniões e dos modos de sentir dos revolucionários, por inadvertência ou qualquer outra razão ocasional, e sem que o próprio fundo de sua personalidade esteja afetado pelo espírito da Revolução. Alertadas, esclarecidas, orientadas, essas pessoas adotam facilmente uma posição contra-revolucionária. (R-CR, Parte II, Cap. IV, 1-2).
Aspecto do Concílio Vaticano II.