P.08-09 | TFP´s EM AÇÃO |

Marcante presença da TFP francesa na comemoração do bicentenário da morte d Luís XVI

Na praça da Concórdia, em Paris, tremulam estandartes da entidade, esvoaçam capas de seus membros, impressionam o público os dizeres de uma faixa, emociona-o evocativa coroa de flores e o espírito de oração. Nelson Ribeiro Fragelli
Nosso Correspondente

PARIS -- Praça da Concórdia (antiga praça Luís XV, que durante a Revolução Francesa tomou o nome de praça da Revolução), dia 21 de janeiro de 1993, 16:15 h. Cerca de 500 pessoas constituíam o público presente.

Desde a manifestação promovida pelo Comitê Nacional pela comemoração solene da morte de Luís XVI, às 10:22 h. – horário da morte do Rei – tinha havido, durante todo o dia, contínuo movimento. Milhares de pessoas se revezaram numa grande "ilha" cognominada "perímetro sagrado", em frente ao Hotel Crillon, para associar-se, de alguma forma, à comemoração do trágico evento histórico. No local (aproximado) onde se havia erguido a guilhotina que executou o monarca -- um espaço de 50 metros quadrados, coberto com placas de grama, colocadas sobre os paralelepípedos –, as pessoas depositavam flores diretamente no solo.

Foi às 16:15h que, a 100 metros do local onde se aglomerava o público, ergueram-se três estandartes da TFP. Um deles, de 4 m de altura -- com uma tarja de luto que pendia da flor-de-lis dourada que o encimava, símbolo da Casa real francesa. Dois outros menores o ladeavam. Uma faixa, transcrevendo palavras muito apropriadas, foi desdobrada, e 27 membros da TFP francesa revestiram-se das capas rubras, características da associação. Foram logo circundados por curiosos, simpaticamente atraídos por tantas cores. Entre eles se encontrava o escritor Jean Raspail, presidente do mencionado Comitê, acompanhado de alguns outros de seus membros. Raspail -- pasmem! -- tentou impedir que o estandarte grande e a faixa chegassem junto ao "perímetro sagrado".

Foi contestado por dirigentes da TFP, que qualificaram sua atitude de discriminatória. Estabeleceu-se logo uma discussão entre as pessoas presentes, ouvindo-se então protestos de algumas delas, como por exemplo: "É radicalismo contra eles [da TFP], deixai-os; que mal fazem eles ?"; "o cadafalso está novamente na Concórdia!'

Depois de algum tempo de disputa, os dirigentes da TFP francesa decidiram que os três estandartes avançariam até o "perímetro sagrado" e que a faixa ficaria a uma distância de 50 m do aglomerado de pessoas. Um cortejo composto pelos estandartes, por uma bela coroa de flores em cruz, e por sócios e cooperadores da TFP, dispostos artisticamente em forma de farpa, caminhou então até o círculo de uns 6 m de diâmetro. Nele, colocados uns sobre os outros, os ramalhetes elevavam-se a 1 metro de altura.

Após colocarem sobre um tripé junto àquela montanha floral, a cruz de cravos rubros, os membros da TFP iniciaram a recitação do terço. Enquanto o público maciçamente acompanhava a oração, a faixa aproximou-se um pouco mais do "perímetro sagrado". Os membros do Comitê desapareceram da cena, pouco depois de iniciar-se a prece. E o estandarte grande marcou o ambiente, tremulando sob a ação da brisa suave e gélida, tal como a que soprava no mesmo local na trágica manhã de 21 de janeiro de 1793.

Foram distribuídos ao público folhetos da TFP alusivos àquela comemoração. As pessoas presentes acompanharam o cântico final do "Salve Regina", entoado por sócios e cooperadores da entidade.

Terminado o terço, foi depositada a coroa de cravos vermelhos no alto do conjunto floral, onde ficou numa posição de realce.

Membros da TFP, tendo se dispersado em meio ao público, conversaram então com circunstantes. As pessoas manifestavam grande simpatia pela associação, assinalada admiração por seus símbolos e compreensão real do significado do ato que acabavam de assistir.

O público da praça da Concórdia conhecera, naquela data histórica de tanto significado contra-revolucionário, o "charme grandioso" da TFP francesa.


| ESPIRITULIDADE |

Reflexões sobre a execução de Luís XVI

Plinio Corrêa de Oliveira A pedido da TFP francesa, o insigne pensador católico redigiu tocante meditação sobre a morte de Luís XVI, por ocasião do bicentenário desse trágico acontecimento histórico, ocorrido a 21 de janeiro último. Reproduzimos abaixo significativos excertos do mencionado texto

Petição

Ó Maria Santíssima, tendo em consideração tudo quanto esse pobre Rei teve de sofrer por ter sido mole, nós Vos pedimos que nos obtenhais a graça de jamais sermos moles em face da Revolução, de não perdermos uma só ocasião de a combater, e de a combater implacavelmente! Obtende-nos a graça de empregar todos os meios para conter o ímpeto da Revolução, para aniquilá-la e para fazer vencer por toda parte a Santa Igreja e a Civilização Cristã. Para que com isto vençais Vós, ó Maria, Rainha do Céu e da Terra, e vença o vosso Divino Filho. Vós sim, ó Maria, cuja vitória é necessariamente e esplendidamente vitória de vosso Divino Filho.

Ó Maria, venha a nós o vosso Reino, para que a nós venha o Reino de Jesus. Mandai que se acelerem os acontecimentos por Vós previstos em Fátima, a fim de que a presente época de reinado da Revolução satânica e igualitária –– da qual a execução de Luís XVI foi um lance característico e pungente –– cesse o quanto antes, e sobre nós desça o vosso Reino. Não para ser o Reino dos preguiçosos, dos moles –– que, em última análise, se venceram terá sido só porque Vós interviestes, com vossos Anjos, a favor deles ––, mas para ser o Reino dos heróis que lutaram como gigantes, porque a graça e as virtudes cristãs, e sobretudo as virtudes da pureza, da fortaleza e da humildade, os nimbaram como uma coroa, e eles souberam ser, ao mesmo tempo, terríveis na hora da batalha e despretensiosos e desapegados na hora da vitória.

Como a Nosso Senhor, ataram as mãos do Rei

Os ajudantes do carrasco Sanson se aproximam de Luís XVI, e querem amarrar-lhe as mãos.

–– Amarrar-me? Não, jamais consentirei nisto! –– a talha ele.

O sacerdote lhe sussurra:

–– “Sire, nesta nova afronta não vejo senão um último traço de semelhança entre vós e o Deus que será o vosso prêmio”.

Estas sublimes palavras do sacerdote alentaram a piedade do Rei. Luís XVI estende as mãos.

–– “Fazei o que quiserdes!”

E os asseclas de Sanson –– bem dignos da Revolução à qual serviam de cúmplices –– ataram as mãos do Rei. E foi assim, com a intenção de imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo, cujas divinas Mãos foram atadas pelos seus algozes durante a Paixão, que o Rei escalou, passo a passo, as escadas do patíbulo e se dirigiu de modo decidido para a guilhotina

Suas últimas palavras

Ele faz então um sinal aos tambores que se acham em frente dele. Impressionados, os soldados param de bater:

"Franceses –– brada o Rei com voz audível até à extremidade da praça ––, eu morro inocente. Perdoo aos autores de minha morte, e peço a Deus que o sangue que vai ser derramado não caia jamais sobre a França! E vós, ó povo desafortunado... " *.

O Rei pretende continuar sua objurgatória, mas um homem a cavalo, em uniforme da guarda nacional, desfere a espada sobre um dos tambores e força-os a cobrir a voz do Rei como seu ruído. Nesse instante supremo, a um passo

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