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ECCE POSITUS EST HIC IN RUINAM, ET IN RESURRECTIONEM MULTORUM IN ISRAEL

Estamos na perspectiva jubilosa da Semana Eucarística de Campos. E, de outro lado, vivemos nos dias culminantes da Quaresma, em que a Igreja rememora as ignomínias sem nome a que voluntariamente Se sujeitou por amor a nós, o Homem-Deus. Esta conjunção de perspectivas jubilosas, e de dolorosas celebrações, nos leva a pensar nos triunfos e nas humilhações de Nosso Senhor Jesus Cristo: tema útil para meditarmos na Semana Santa e nos prepararmos para a Semana Eucarística, tema fecundo em reflexões oportunas nos dias que correm.

Examinada a vida de Nosso Senhor, nela nada encontramos que não excite a mais razoável, a mais alta, a mais firme admiração. Como Mestre, ensinou a plenitude da Verdade. Como Modelo, praticou a perfeição do Bem. Como Pastor, não poupou esforços, nem misericórdia, nem severas admoestações para salvar suas ovelhas, e terminou dando por elas o seu Sangue, até a última gota. Atestou sua missão divina com milagres estupendos, que cumulou as almas de incontáveis benefícios espirituais e temporais. Estendendo sua solicitude a todos os homens, em todos os tempos, instituiu esta maravilha das maravilhas, que é a Santa Igreja Católica. E dentro da Santa Igreja prolongou sua presença por dois modos, realmente no Santíssimo Sacramento, e pelo magistério na pessoa de seu Vigário. Tão grande soma de graças e de benefícios, nenhuma mente humana poderia excogitar.

Por isto mesmo, Nosso Senhor foi amado. Há, em ser amado, uma forma particular de glória. E esta, Nosso Senhor a teve em proporções únicas. Em torno d’Ele o tropel do povo era tão grande, que os Apóstolos tinham de protegê-Lo. Quando Ele falava, as multidões O seguiam pelo deserto adentro sem cogitar de agasalho nem alimento. E por ocasião de sua entrada em Jerusalém prepararam-Lhe um triunfo verdadeiramente real. Em matéria de amor, tudo isto é muito. E, entretanto, houve mais do que isto. No momento em que o aparente fracasso da Paixão e da Morte deitava um véu de mistério sobre a missão de Nosso Senhor, e parecia desmenti-Lo definitivamente, houve almas que continuaram a crer e a amar. Houve uma Verônica, umas Santas Mulheres, um Apóstolo-virgem que continuaram a amar. Houve sobretudo, mais do que tudo, sem comparação, Maria Santíssima que praticou então ininterruptamente atos de amor, como jamais o Céu e a terra juntos os poderiam praticar com igual intensidade e perfeição. Almas que continuaram a amar quando, num momento de dor inexprimível, o Sepulcro se selou, as sombras e o silêncio da morte se abateram sobre o Corpo exangue, e tudo parecia acabado, mil vezes acabado.

Como explicar entretanto que esse mesmo Jesus tivesse suscitado tanto ódio? Porque, inegavelmente, Ele o suscitou. Os judeus O odiaram com um ódio envergonhado, devorador e infame, qual só o inferno pode gerar. Por ódio, procuraram longamente espioná-Lo, a fim de ver se encontravam n’Ele alguma culpa, que lhes servisse de arma de guerra. Prova de que não O odiavam por algum defeito que por engano n’Ele imaginassem ver. Porque então O odiavam? Se não era pelo mal, que n’Ele não havia, e que n’Ele em vão procuravam, porque seria? Só poderia ser pelo bem... Mistério profundo da iniquidade humana! Este ódio era envergonhado. Com efeito, ocultavam-no sob a aparência de amabilidade, porque não tinham nenhuma razão limpa e honesta para o declarar. À medida que a missão de Jesus foi caminhando para a sua plena realização, o ódio dos judeus foi crescendo de ponto, e tendendo para uma estrondosa explosão. Desanimando de encontrar razões de difamação, recorreram à calúnia. Dela usaram largamente. Tinham tudo para vencer nesta forma de luta: dinheiro, relações com os romanos, prestígio decorrente do exercício das funções sagradas. Entretanto, a guerra pela calúnia fracassou em grande parte. Conseguiram convencer alguns despeitados, semear a dúvida em alguns espíritos grosseiros, embotados, ou viciados em duvidar de si, dos outros, de tudo, e de todos. Mas era impossível afogar em calúnias o efeito maravilhoso da presença, da palavra e da ação de Nosso Senhor. E então veio o plano supremo: desmenti-Lo por uma derrota que O desprestigiasse aos olhos de todos, e O cortasse do número dos vivos. O resto se sabe. Satanás entrou no mais repugnante dos homens, que O vendeu e depois O entregou com um ósculo. Um procônsul depravado mais ainda de alma que de corpo, hesitante, mole, vaidoso, entregou-O a seus inimigos. E sobre Ele caiu a torrente de todo o ódio da Sinagoga, com que afinal os fariseus haviam conseguido contaminar a massa.

Que ódio, e que alívio. Ali estavam,

(continua)



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