Catolicismo - Acervo
Busca Google dentro do Site:
«
»
<<       Página       >>


O touro sagrado de Misore é um ídolo em que se notam os elementos ao mesmo tempo monstruosos e grandiosos da velha religião hindu. De modo geral, na gentilidade antiga existiam, justapostos, alguns valores remanescentes do monoteísmo originário e desvarios provenientes da crescente degradação idolátrica. — Mil vezes pior, entretanto, é o paganismo moderno, filho miserável da apostasia do Ocidente. Sua manifestação mais completa é o comunismo, que reúne os piores erros e deformações morais. Nehru, em lugar de facilitar o esforço missionário para salvação da Índia, fá-la deslizar do paganismo antigo para o de nossos dias: "abyssus abyssum invocat".

Nehru, inimigo desleal da expansão missionária

Sergio Brotero Lefevre

Espero, com a graça de Deus, ser útil a mais de dois Missionários e não poderei esquecer de rezar por todos" (Santa Teresinha do Menino Jesus, "Manuscrits Autobiographiques", Carmelo de Lisieux).'

A Sagrada Congregação "de Propaganda Fide" renova o seu apelo aos católicos de todo o mundo, para que no Domingo das Missões, que neste ano ocorre a 19 de outubro, sejam especialmente generosos em orações, sacrifícios e esmolas pela difusão do Evangelho entre os infiéis: "Nunca, como hoje, foram tão necessárias essas orações, em resposta às perseguições de toda ordem que sofrem os Missionários. Por vocação, o católico deve trazer em si a sorte do mundo inteiro e rezar como se seus lábios fossem os de todos os continentes" (NC) .

Para melhor imitar o exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus e atender ao apelo que faz a Santa Igreja, procuremos conhecer as dificuldades e os obstáculos que enfrentam os Missionários na sua ação evangelizadora, pois esse conhecimento, com o auxílio da Rainha dos Apóstolos, multiplicará o fervor de nossas orações e de nossas boas obras em prol da propagação da Fé.

Dos países de missão que conquistaram a independência depois da última guerra, a Índia é o que mais tem sobressaído no palco da política internacional. Olhada por uns com admiração, por outros com desconfiança, sua posição de terceira-força entre os dois grandes blocos em choque é objeto de curiosidade e atenção. Nehru, seu primeiro-ministro, é o principal defensor e propugnador do Pacto de Colombo e da doutrina de Bandoeng, cujos princípios são a paz a qualquer preço e a independência em relação ao Ocidente e o comunismo.

É compreensível, pois, que também os católicos voltem seus olhos para a União Indiana e procurem saber, entre outras coisas, qual a sua atitude para com a nossa Religião e se é inteiramente real a posição de terceira-força de que ela faz tanto alarde.

Franciscanos em 1517, e, um pouco mais tarde, Jesuítas portugueses levaram o Evangelho pela rota recém-descoberta das Índias. Muito sangue de mártir foi derramado em solo hindu, produzindo, porém, frutos inestimáveis: é conhecida a cena de São Francisco Xavier, exausto no fim do dia, depois de ter batizado milhares de pagãos convertidos. Nos tempos que correm, não é mais assim: as perseguições cruentas acabaram, o que é um bem, mas as conversões estão diminuindo, o que é um mal.

Depois de sua independência a Índia vem restringindo, cada ano mais severamente, a entrada de Missionários em seu território. Em novembro de 1952, uma delegação do Episcopado hindu procurou o Presidente da República e o primeiro-ministro, para expor-lhes essa situação. Foi recebida com simpatia, escutada com curiosidade e paciência, mas saiu sem qualquer garantia de melhora.

Pelo contrário, como que em resposta o governo de Madhya Pradesh enviou a Nehru um relatório acusando as Missões daquele Estado de atividades políticas e subversivas. Os católicos, por seus representantes, exigiram que essas acusações fossem provadas ou desmentidas. À falta de provas, o governo local, constituiu uma comissão para investigar a ação missionária, a qual tomou o nome de Comissão Nyogi. Foram para ela nomeados cinco hinduistas conhecidos por seu preconceito anticristão, e um protestante que não acreditava na divindade de Jesus Cristo. Para orientar os trabalhos, foram formuladas noventa perguntas a que os Missionários deveriam responder. Muitas delas, porém, pela sua própria redação, prejulgavam os fatos. Novamente os católicos intervieram. Desta vez recorreram à Suprema Corte, o mais alto tribunal da Federação, pedindo que fosse sustada a investigação, cujo resultado seria, sabidamente, parcial. Foi em vão.

O ministro do interior, falando no Parlamento sobre o trabalho da Comissão Nyogi, declarou: "Se os Missionários vêm à Índia para pregar o Evangelho, quanto mais cedo deixarem de vir, melhor será". Aliás, a maioria do Partido do Congresso, que é dirigido pelo próprio Nehru, vê com maus olhos qualquer apostolado católico e opõe-se frontalmente ao de conversão. Constituem exceção em seu seio os que têm coragem de defender as Missões; mesmo estes preferem que elas se dediquem exclusivamente às obras filantrópicas e abandonem a pregação e os trabalhos de evangelização.

No relatório com que concluiu seu inquérito, a Comissão Nyogi exprimiu uma grande inquietação diante do número de Padres estrangeiros que ainda chegavam ao país, e os acusou de dominar os ignorantes pela força e de seduzi-los pela educação e pelas obras de caridade. Para enfrentar essa "conspiração", que visa em última análise, segundo o relatório, a destruição da Índia, a Comissão fez as seguintes recomendações, entre outras:

1) Deve-se impedir o grande afluxo de Missionários. Os que aqui estão, e cujo fim é a conversão dos hindus ao Catolicismo, devem retirar-se.

2) Deve-se emendar a Constituição para tornar claro que o direito de propagar a sua religião é reconhecido somente aos cidadãos da Índia.

3) É necessário proibir toda literatura destinada à propaganda religiosa e não aprovada pelo Estado.

O governo federal, acatando as sugestões do relatório, começou a aumentar a proporção de recusas de vistos de entrada solicitados por Sacerdotes e Religiosas estrangeiros. É o que mostram, de modo eloquente, estes dados publicados pela Comissão Central dos Bispos da Índia (apud revista "Etudes", abril de 1958):

1953 — vistos pedidos: 140; concedidos: 72 (51%); recusados: 53; em suspenso: 15.

1954 — vistos pedidos: 101; concedidos: 39 (39%); recusados: 53; em suspenso: 9.

1955 -- vistos pedidos: 77; concedidos: 19 (24%); recusados: 26; em suspenso: 32.

Depois de 1955 os pedidos diminuíram ainda mais, como conseqüência natural do número de recusas. De 1.° de novembro de 1955 a 31 de outubro de 1956, a situação era a seguinte : vistos concedidos: 13; recusados: 10; em suspenso: 12.

Esses algarismos evidenciam que as recusas de visto não constituem atitudes isoladas, mas que o governo tem como norma evitar que Sacerdotes de outras nacionalidades reforcem o pequeno contingente de Padres autóctones — 4.200 para uma população de 5 milhões de católicos e 370 milhões de pagãos — que trabalham na vastidão do território hindu. Se aduzirmos ainda que essas mesmas autoridades permitem o proselitismo tanto budista, como islamita, poderemos concluir que uma intolerância de inspiração religiosa

(continua)



Advertência

Este texto, reconhecido pelo processo OCR, não passou por revisão e pode conter erros de digitação.
Sua transcrição parcial ou total está autorizada, desde que seja citada a fonte e o texto conferido com o da imagem original.

Agradecemos desde já reportar-nos erros de digitação, através do
Fale conosco


CRÉDITOS
© Copyright 1951 -

Editora Padre Belchior de Pontes Ltda.

Diretor
Paulo Corrêa de Brito Filho

Jornalista Responsável
Nelson Ramos Barreto
Registro na DRT/DF
sob o nº 3116

Administração
Rua Javaés, 681
1° Andar
Bairro Bom Retiro
CEP 01130-010
São Paulo- SP

SAC
(11) 3331 4522
(11) 3331-4790
(11) 2843-9487

Correspondência
Caixa Postal 707
CEP 01031-970
São Paulo-SP

E-mail:
catolicismo@terra.com.br

ISSN 0102-8502

 HOME 
 
TOPO
+ZOOM
-ZOOM
Home Page
HOME
Ir ao texto da matéria
TEXTO