VIDA DE SANTOS

São José de Leonessa

Plinio Maria Solimeo

Ardente missionário e pregador popular capuchinho, inflamado de amor a Deus e ao próximo, confessor da fé, combatente irredutível da irreligião e da decadência de costumes

“Refulgem admiravelmente em São José de Leonessa o desvelo dos apóstolos e a glória dos mártires. Nele Deus exalta o espírito missionário, ideal ambicionado e coroa singular da Reforma Franciscana Capuchinha. Com ele teve início aquela insaciável sede de almas, que leva os novos e pacíficos conquistadores do Evangelho a todos os continentes, das longínquas e inacessíveis montanhas do Tibet até o coração das selvas africanas, ou às Américas recém-descobertas”.1

Eufrânio Desidério, mundialmente conhecido como São José de Leonessa, nasceu em 1556 na cidade que lhe deu o nome, na província de Abruzzo, então no reino de Nápoles. Seus pais faleceram quando ele era ainda pequeno, sendo educado por um tio.

Desde pequeno Eufrânio levou uma vida de muita oração e penitência. Aos 16 anos, tendo sido obrigado a interromper os estudos devido a uma enfermidade, decidiu romper com o mundo e entrar para a Reforma Franciscana Capuchinha, que estava em seu primitivo fervor. Tomou em religião o nome de José, e fez seu noviciado no pequeno convento de “Le Carcerelle”, nas encostas de Subiaco, não distante de Assis.

Santo muito admirado, dificilmente imitado

São José de Leonessa tornou-se um santo para ser admirado e invocado, mas dificilmente para ser imitado. A vida de penitência que levou desde muito pequeno ultrapassa tudo quanto podemos imaginar, neste mundo tão comodista e amante dos prazeres. Afirma um de seus biógrafos: “Não satisfeito com as penitências e asperezas de sua Ordem, que são muitas e não leves, praticou outras particulares. O número e o peso delas eram tais, que pareceria inacreditável se não o assegurassem com juramento pessoas dignas de toda fé, nos processos para sua canonização”.2 Basta dizer que, além das dolorosas penitências corporais, jejuava tão frequentemente, que mal se pode dizer que se alimentava.

Isso era secundado por uma profunda vida de oração, na qual Deus o favorecia com dons admiráveis. “Seus confessores asseguraram com juramento haver ele chegado ao grau sublime de contemplação passiva, na qual sua alma gozava, sem nenhum esforço, das inefáveis doçuras de seu Criador”3. Afirmam eles que o santo se sentia de tal maneira inflamado pelo fogo do amor divino, que muitas vezes tinha que suspender sua meditação para expor sua cabeça ao ar livre, à chuva e à intempérie, para temperá-la.

Era contínua sua união com Jesus Cristo presente no Tabernáculo. “Um seu companheiro lhe perguntou por que ele ia tão frequentemente à igreja, e ele respondeu: ‘Vou visitar meu Senhor, ver como Ele está, e se necessita de algo. Os cortesãos estão sempre atentos com seus príncipes, noite e dia. Como filhos, servos e ministros de Deus, deveríamos estar sempre junto a Nosso Senhor, chamados como somos a ser mediadores entre Deus e o homem. Muitas graças nos vêm de tais visitas ao Santíssimo Sacramento’”4.

Era heroico na virtude da obediência, tão prezada pelos santos. Via Deus em seus superiores, por isso só lhes falava ajoelhado e com a cabeça descoberta. Sua pobreza não podia ser mais radical. Mesmo nas poucas coisas que o instituto seráfico permite a seus religiosos, achava no que mortificar-se.

Pregar para resgatar almas

Frei José de Leonessa recebeu a ordenação sacerdotal no dia 21 de maio de 1581. Seus superiores, tendo em vista sua virtude eminente e seus talentos, logo

(continua)

LEGENDAS:
- São José de Leonessa (detalhe) – Giovanni Battista Tiepolo (1696–1770). Galleria Nazionale di Parma, Itália.
- Santuário de São José de Leonessa, na sua cidade natal