Catolicismo - Acervo
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(continuação)

dá”. Por que não poderia o Deus todo-poderoso excitar na alma humana depois da morte, mesmo antes da ressurreição dos corpos para o Juízo Final, aquelas dores que padeceria pelo fogo quando estava unida ao corpo?

O fogo do Inferno é considerado por São Gregório como um fogo corporal, mas de um gênero particular, porque é físico mas tortura também a alma, queima sem consumir, ilumina e aquece, porém sem impedir as trevas e o ranger de dentes causado pelo frio extremo.

A pena do remorso

Finalmente, os réprobos sofrem a pena do remorso da consciência e do desespero, por terem trocado a felicidade eterna por um bem transitório, somado à vergonha de verem todas as suas maldades reveladas e eles se terem tornado os últimos da humanidade, quando na Terra muitos deles estavam entre os primeiros.

Quem vai para o Inferno? Contrariamente ao que supõem erradamente os calvinistas, ninguém é predestinado para esse castigo eterno. O Catecismo da Igreja Católica (§1037) é muito claro a esse respeito: “Deus não predestina ninguém para o Inferno; para isso é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal) e persistir nela até o fim. Na Liturgia Eucarística e nas orações cotidianas de seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, que quer ‘que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se’” (2 Pd 3,9). Ou seja, vão para o Inferno somente aqueles que voluntariamente morrem em estado de pecado mortal sem contrição.

Ninguém vos seduza com vãos discursos

A ideia de que o Inferno existe e é eterno, mas está ou ficará vazio, é um erro muito antigo, já difundido na época de Santo Agostinho, com frequência acenando com a alegação de que o inferno é contrário à misericórdia de Deus. Os adeptos desses erros eram por isso chamados “misericordiosos”. É natural que os argumentos desses autores eclesiásticos anônimos, que contestavam a eternidade das penas do Inferno, servissem de refúgio e autoengano a muitos cuja consciência não estivesse tranquila, daí se poder esperar que essas teorias encontrassem larga audiência.

São Gregório Magno foi o Padre da Igreja que tratou de modo mais completo das questões escatológicas, incluído o Inferno. Ele replicava, junto com Santo Agostinho, que se o Inferno tem um termo final, então o Céu também deveria ter um. Porque se a ameaça não é verdadeira, então a promessa também não o é. E se a “falsa ameaça” não tem outra finalidade senão afastar as pessoas do mal, então a “falsa promessa” não teria outra finalidade senão atrair os bons para o bem. Como ninguém pode aceitar essa segunda afirmação, logo é preciso rejeitar a primeira e repetir, com a Igreja, que o Inferno é realmente eterno.

Nessa “misericórdia”, que fecha os olhos à justiça de Deus, ainda acreditam muitos “misericordiosos” modernos. Autores com tais posições podem argumentar com muitos textos das Sagradas Escrituras sobre a misericórdia de Deus, mas se esquecem de que tais textos se referem à vida presente, quando ainda há espaço para o arrependimento e o perdão, portanto não são absolutos. Do contrário, significariam a demolição do Juízo e de seus efeitos. Deus disse claramente pelos lábios de São Paulo: “Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus” (1 Cor 6, 9). E ainda: “Sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento — verdadeiros idólatras! — terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes” (Ef 5, 5).

Pensar no inferno a fim de não ir para lá

Pensar muitas vezes no Inferno é um excelente instrumento para nos afastar do mal e do pecado. São Bernardo nos aconselha a descer muitas vezes em vida ao inferno, para não termos de ir para lá após a morte. E Nossa Senhora não hesitou em mostrar o Inferno aos três pastorinhos de Fátima, que na época das aparições tinham respectivamente 10, 8 e 7 anos! Se nossa consciência nos acusa de alguma falta grave, façamos o propósito firme de nos confessar na primeira oportunidade, confiando sempre no Coração materno d’Aquela que é invocada pela Igreja como Refúgio dos Pecadores.


INTERNACIONAL

“Processo de Paz” da Colômbia à beira do abismo

Eugenio Trujillo Villegas

O malogrado Acordo de Paz com as FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) se encontra à beira do abismo. Apesar dos ingentes esforços do governo do presidente Juan Manuel Santos para ressuscitar um moribundo, sucessivas desgraças — muitas delas previstas, e outras imprevisíveis — se acrescentam à crise e prometem um desfecho de grandes proporções.

Zeuxis Pausias Hernández Solarte (vulgo Jesús Santrich), um dos principais dirigentes-guerrilheiros das FARC e protagonista das negociações realizadas em Cuba, foi preso recentemente em sua casa de Bogotá, acusado de estar negociando o envio de dez toneladas de cocaína para os EUA. Também foi preso Marlon Marín, delinquente que dirigia essa operação de narcotráfico. Ele é sobrinho, homem de confiança e executor de ordens de Luciano Marín Arango (vulgo Iván Márquez), o segundo homem na direção dessa organização terrorista. Ambos tinham negócios obscuros com os cartéis mexicanos de drogas, que há várias décadas

(continua)

Legenda: Jesús Santrich, um dos principais dirigentes-guerrilheiros das FARC, foi preso recentemente, acusado de estar negociando o envio de dez toneladas de cocaína para os EUA.



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