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VIDAS DE SANTOS

Santa Joana Antida Thouret: contemporânea da Revolução Francesa, que ela enfrentou com o denodo de santa1

Plinio Maria Solimeo

Nascida em Sancey-le-Long, diocese de Besançon (França), no dia 27 de novembro de 1765, Joana Antida era a quinta dos oito filhos de João Thouret, humilde trabalhador manual em um curtume. Mal frequentou a escola, pois quem tinha autoridade na casa era sua tia, que a mandou ainda muito jovem pastorear o rebanho da família. “A solidão favoreceu seu gosto pela prece, o desejo do Céu e o desprezo do mundo”.2

Com o falecimento da mãe, todas as tarefas domésticas recaíram sobre Joana, então com 16 anos. Fez voto de perpétua castidade em 1782, e a partir daí só pensou em agradar a Deus pela frequência aos sacramentos, longas orações e ensino do catecismo às crianças.

Apesar de pobre, Joana encontrava sempre com que ajudar aos ainda mais necessitados. Assim, já se despertava nela a vocação para o serviço dos pobres e doentes, e também para a educação das crianças. Vencendo todas as dificuldades domésticas, ingressou aos 22 anos na Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Langres. Três meses depois, iniciou o noviciado em Paris. Passou por vários hospitais durante os cinco anos de prova, antes de fazer os votos definitivos.

Sob a tormenta revolucionária

Com a queda da Bastilha, em 1789, desencadeou-se na França a mais satânica tormenta revolucionária, que não respeitou o altar e o trono nem concedia o mínimo direito ao exercício da religião. Era a funesta Revolução Francesa, tão louvada por muitos, inclusive eclesiásticos. Em 1791, o clero foi obrigado a jurar uma cismática “constituição civil”. Muitos o fizeram, e os que se recusaram tiveram de passar à clandestinidade.

Nessa época Joana estava em Sceaux, nos arredores de Paris. Repugnava a ela receber os sacramentos dos sacerdotes “juramentados” (os que prestaram esse ímpio juramento), por isso voltou a Paris para trabalhar no Hospital dos Incuráveis. Entretanto, como o blasfemo Jean-Baptiste Gobel (bispo de Paris, não reconhecido por Roma) impôs ao hospital um capelão “juramentado”, Joana se refugiou novamente na casa-mãe das vicentinas.

Em 21 de setembro de 1792, a marcha destrutiva da Revolução derrubou a Monarquia. Nesse ano Joana foi mandada para o hospital de Bray-sur-Somme, onde tentaram obrigá-la a prestar o maldito juramento. Tentou fugir, mas foi perseguida por um soldado que lhe desferiu um tremendo golpe com o fuzil, rompendo-lhe duas costelas, o que a obrigou a quatro meses de tratamento no hospital. Era-lhe insuportável conviver com irmãs que haviam prestado o juramento revolucionário, e voltou para a casa-mãe logo que o conseguiu.

O período que se seguiu é conhecido pelos historiadores como “Terror”, durante o qual foram inexoravelmente guilhotinados o Rei Luís XVI e a Rainha Maria Antonieta (em 21 de janeiro e 16 de outubro de 1793, respectivamente). A Convenção dispersou todas as associações religiosas. Com o risco da própria vida, Joana levava sob as vestes os paramentos para a Missa de algum sacerdote não juramentado escondido na cidade.

Muitas religiosas haviam fugido. Com a intenção de passar à Suíça, Joana foi a pé até Besançon, e depois à sua cidade natal. Para reparar o escândalo de seu irmão Joaquim, que se tornara chefe local dos partidários da Convenção, abriu com a ajuda de sua irmã Bárbara uma escola gratuita para crianças, a fim de lhes ensinar a boa doutrina. Assistia também os atingidos por uma epidemia de tifo.

Evidentemente os membros do Comitê de Salvação Pública quiseram obrigá-la a ensinar as novas ideias a seus alunos, ao que ela respondeu: “Declaro que não o farei. Antes morrer! Quero instruir as crianças segundo a lei cristã”. Como seu irmão fazia parte do comitê, os revolucionários a deixaram em paz.

Arriscando-se para ajudar “refratários”

A queda de Robespierre em 1794 encerrou o período do Terror, e muitos padres “refratários” restabeleceram seu ministério na região. Entretanto, como recusavam sua submissão às leis da república revolucionária, foram obrigados novamente a viver na clandestinidade. Durante o ano que Joana passou em Sancey, levava-lhes alimento e providenciava todo o necessário para o culto católico verdadeiro, ora escondido numa granja, ora numa gruta isolada.

Joana ingressou na Sociedade do Retiro Cristão, de missionários itinerantes, fundada em 1792 e dedicada à educação das crianças. Com sua irmã Bárbara, tiveram assim que peregrinar pela Suíça, Alemanha e Áustria, a fim de escapar das tropas do Diretório (1795-1799) comandadas pelos generais Jourdan e Moreau. Esses deslocamentos eram tão penosos, que morreram de fadiga 14 freiras, inclusive sua irmã Bárbara.

Joana pensou então em voltar à França, para tentar realizar ali a sua vocação. Confessou-se com um eremita e lhe revelou seus planos. Este, inspirado, lhe disse: “Minha filha, esta é a vontade de Deus: Ele quer você na França. Os jovens ignorantes abandonados estão esperando por você. Vai, pois, como generosa filha de São Vicente de Paulo, para evangelizar os pobres”.3

Ainda durante a Revolução Francesa

Em Landeron, perto da fronteira da França, Joana encontrou o vigário geral e o pároco da igreja de São João Batista, de Besançon, que estavam refugiados. Como eles voltavam para a França, animaram-na a acompanhá-los a fim de estabelecer sua escola para crianças.

A Constituição do ano III (setembro de 1795) havia criado o Conselho dos Quinhentos, uma assembleia destinada a formar, juntamente com o Conselho dos

(continua)

LEGENDA: Padre “refratário” celebra missa na clandestinidade durante a Revolução Francesa.



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