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James Dean, no papel principal do filme Rebel without a cause (Juventude transviada), representou uma geração descontente e amargurada.

(continuação)

O descontentamento restaurador

Nem todos nos Estados Unidos estão contentes com o way of life, e o famoso filme Rebel without a cause (Juventude transviada), com James Dean no papel principal, foi uma produção de Hollywood a esse respeito. Os drogados, os que aderem a seitas exóticas, os que procuram estilos de vida não oficialmente admitidos, os numerosos casos de serial killers – cada um desses e muitos outros representam minoria, mas uma minoria em crescimento, que contesta esse way of life enquanto insuficiente para satisfazer os anseios da alma.

E por isso tentam evadir-se, de um modo ou de outro. Os contentes acham necessário eliminar o descontentamento, como se ele fosse tão insignificante como o descontentamento de um filho com o pai. Alguns se movimentam nessa direção, mas nada conseguem por não se tratar de um problema que se resolva com lei anti-seita, lei anti-droga, lei para evitar assassinatos em massa etc. – Não, nada disso resolve o problema.

O que pode resolvê-lo então? Antes de pensar numa solução, é imprescindível pensar na causa. Por que está descontente essa parte da população, que aumenta cada vez mais? Se o way of life contentava tanto os espíritos no início do século XX, mas a partir dos anos 60 começou a descontentar uma faixa crescente da população, o que está se passando de errado? Estatísticas não atingem o fundo do problema, pois não basta mostrar que 2,89% da população não gostam disto; 3,84% desprezam aquilo; 6,92% não sabem o que desejam. As estatísticas são apenas um elemento, mas não decisivo. Não passam de muletas do espírito humano.

No fundo desse descontentamento há um aspecto que nos ajuda a compreender o problema. Por sua própria natureza, o homem tem desejo de uma ordem de coisas superior a tudo o que este mundo lhe pode oferecer – um desejo que só pode ser inteiramente satisfeito no Céu. Sendo o homem um ser composto de corpo e alma, ele não cabe dentro dessa jaula, e afinal chega à conclusão de que para ele esse tipo de vida é insuficiente como qualquer prisão. Nessas condições, todos os bens e prazeres que a Terra oferece são insuficientes.

Um dos artifícios da Revolução foi apresentar como ideal para o homem uma vida mediana e agradável. Mas se o homem não inclui o desejo do Céu como parte e objetivo da sua caminhada nesta vida, chegará forçosamente à desilusão com todos os prazeres efêmeros que não lhe faltam. Buscar novos prazeres nas drogas, chafurdar-se em todo tipo de depravação, embarcar em promessas traiçoeiras do demônio – eis aí o caminho de muitos, infelizmente.

O verdadeiro meio de fugir desse erro é viver uma existência voltada para a Fé, para os grandes valores sobrenaturais e para os grandes feitos. Não tem o verdadeiro espírito da Igreja católica quem não seja profundamente contrário ao prosaísmo da vida hodierna e não aprecie uma vida cotidiana impregnada de valores que tendam para o maravilhoso e o sobrenatural.


POR QUE NOSSA SENHORA CHORA ?

Do caos relativista à vitória prometida

Ítalo Nóbrega

Para além do relativismo caotizante dos nossos dias, um auspicioso novo mundo se prenuncia.

Sou católico praticante, vou à Missa, com frequência me confesso e comungo, dou esmolas. Enfim, faço tudo que um bom católico faz, mas não tenho nada contra quem pratica outra religião. Respeito os outros e trato-os bem, pois cada um deve escolher a igreja que mais lhe agrade, conforme a sua própria vontade.

Acho bom o casamento monogâmico e indissolúvel, mas se não deu certo, é melhor cada um ter nova oportunidade (ou várias) para ser feliz. Cada um deve se preocupar é com a excessiva imoralidade na família, com as violências sexuais.

Não se deve abordar o problema do homossexualismo com as crianças, pois elas ainda não têm maturidade para entender essas coisas. Mas não condeno quem pratique o homossexualismo, pois quem sou eu para julgar?

E as drogas? E o aborto? Defendo o direito à vida, mas há tanta facilidade para se usar anticoncepcionais, que uma gravidez indesejada não precisa acontecer; e não acho conveniente interrompê-la, caso se apresente depois de um descuido.

Quero deixar bem claro que não sou e não quero me passar por radical.

* * *

Calma, caro leitor, não defendo essas ideias, todas condenáveis pela moral católica tradicional. Aliás, se as defendesse, não estaria escrevendo nas páginas de Catolicismo. Apenas apelei à minha fantasia para retratar a mentalidade de muitíssimos católicos de hoje, mesmo alguns que se consideram praticantes. É difícil encontrar atualmente, dentro ou fora da Igreja Católica, quem não pense de forma semelhante em pelo menos algum desses temas.

Imagino que o leitor perceba facilmente o nexo profundo entre esses pontos, que pode ser resumido em uma palavra: relativismo. Tomado em seu sentido filosófico, o relativismo adota como um de seus pressupostos a impossibilidade de se alcançar pleno conhecimento sobre a realidade tal como ela é. O que conhecemos através dos sentidos seria mera aparência, sendo-nos impossível conhecer o objeto em toda a sua complexidade.

Um mundo sem o senso de contradição

Para os relativistas, qualquer conhecimento adquirido não seria determinado pela realidade, mas pela impressão que ela nos causa. O conhecimento se torna assim puramente subjetivo, podendo variar de acordo com o tipo intelectual, a capacidade, as circunstâncias, e mesmo as necessidades de quem o adquiriu. Aquilo que é verdade para mim pode não ser verdade para outro, que pode tomar por falso o que tomei por

(continua)



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