ENTREVISTA

com Dr. Ubiratan de Souza Maia

Empreendedorismo e propriedade, solução para os indígenas

O Estado socialista, alegando a defesa dos direitos dos índios, impede o desenvolvimento deles e os mantém como se estivessem na “idade da pedra”, vivendo em propriedades coletivas. Não podem fazer o que realmente desejam, que é constituir uma sociedade civilizada, progredir com a livre iniciativa e segundo a ordem natural das coisas.

Enquanto a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) promove um verdadeiro terrorismo psicológico, incentivando a invasão de terras particulares para fins de demarcação de territórios indígenas, nossos pobres silvícolas são constrangidos a permanecer numa situação primitiva. Ao contrário da política do Marechal Rondon, a FUNAI não quer a integração social do índio, mas seu isolamento e sua segregação numa espécie de “zoológico humano”.

Ubiratan de Souza Maia, índio wapishana de 37 anos, é advogado nascido em Roraima, casado com uma índia caingangue de Santa Catarina, e reside atualmente em Brasília, onde trabalha como defensor da causa indígena. Catolicismo já o entrevistou em março de 2015, e nesta nova entrevista ao nosso colaborador Nelson Ramos Barretto ele denuncia a ação nefasta de ONGs dentro da FUNAI.

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Catolicismo — De 2015 para cá, que atualização o senhor faria para os nossos leitores sobre a política indigenista brasileira? Sabemos que ela constitui uma das suas maiores preocupações, e o senhor a julga oposta aos interesses nacionais e dos próprios índios.

Dr. Ubiratan — Muito agradecido por dar-me uma nova oportunidade de tratar sobre a política indigenista, pois o tema sempre desperta interesse nos brasileiros que realmente desejam o desenvolvimento do País. Mesmo com a relativa vitória no caso do impeachment de Dilma Rousseff, nesse período de três anos e meio para cá pouca coisa avançou em relação à nossa pauta da política indigenista. Imaginávamos que ocorreriam alguns avanços depois disso, mas eles não ocorreram. Algumas iniciativas tocaram de leve na questão do desenvolvimento indígena, como a CPI da FUNAI, e depois uma audiência pública em outubro de 2017, na qual se tratou da necessidade do desenvolvimento dos índios por meio de parcerias.

Catolicismo — Quem promoveu essa audiência, e onde ela se realizou?

Dr. Ubiratan — Foi uma audiência na FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) em Brasília, com a participação dos índios parecis, que lá se encontravam em grande número, bem como dos índios caingangues do Rio Grande do Sul.

Catolicismo — Tomei conhecimento de que os índios parecis foram multados por terem plantando soja transgênica. E o fizeram até com muito sucesso, não é?

Dr. Ubiratan — Exatamente. Eles estavam indo muito bem com essa plantação de soja, graças a parcerias que conseguiram fazer. Os parceiros deles no Mato Grosso plantam cerca de 17 mil hectares de soja. A partir desse plantio eles tiveram um avanço expressivo na sua qualidade de vida, podendo aplicar recursos na educação de seus jovens em universidades, investir em outros projetos que passaram a gerar renda para eles, e isso lhes deu muita autoestima e dignidade.

Catolicismo — O senhor poderia explicar aos nossos leitores a razão da multa aplicada a eles?

Dr. Ubiratan — Acontece que a burocracia brasileira

(continua)

Índios da etnia Parecis defendendo seus direitos em Brasília