Desmascarando a modernidade a partir de uma expressão banal
Reagi com um misto de indignação e surpresa quando meu interlocutor emitiu, em tom de gracejo, aqueles fonemas absurdos, toscos e que evidentemente pareciam-me equivocados. Ruídos causam irritação. Depois, a surpresa: isso realmente está sendo usado por aí? Não é possível. Talvez o leitor tenha reagido do mesmo modo quando ouviu a expressão que parece ter brotado do nada. O quê? Como assim? Pode repetir? Sim, posso: “farmar aura”.
E eis que multidões delirantes da World Wide Web se renderam, já há algum tempo, ao até então enigmático (pelo menos para mim) neologismo. Mais surpresa. Alguém rirá de minha ingenuidade. Afinal, este indignado aqui, nascido ainda nos tempos pré-internéticos (sim, isso existe!), não se dá bem com as “ondas” das redes sociais que aparecem sem explicação aparente. O “farmar aura” é só mais uma do mundo superconectado.
Não há nada de surpreendente no surgimento de uma expressão carregada de tendências da cultura pop e da imensa indústria dos videogames. Minha irritação provi- Paulo Henrique Américo de Araújo DISCERNINDO ria, portanto, apenas das ultrapassadas peculiaridades e idiossincrasias da geração X nascida entre 1965 e 1980.
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