São Paulo de Outrora
Ambientes Costumes Civilizações

São Paulo de Outrora

O autor recorda com nostalgia o antigo bairro Campos Elíseos, em São Paulo, com casas elegantes, jardins floridos e um ritmo de vida calmo e despreocupado. Ele descreve seus passeios de jovem pelas ruas, observando cães, ouvindo cantos desafinados nas janelas e sentindo o cheiro de pão quente das padarias portuguesas. As idas ao médico no centro se transformavam em agradáveis passeios com cinemas e confeitarias, contrastando com a pressa e a perda desse encanto nos dias de hoje

N o tempo antigo do bairro Campos Elíseos, onde morei na capital paulista, os jardins eram muito bonitos, com flores ornamentais. As casas eram ‘sossegadonas’, distintas e elegantes.

Quando eu era mocinho, gostava de dar um giro a pé pelas ruas (nas quais meus familiares habitualmente não transitavam) para flanar sozinho. Gostava de passar diante das casas e observar seus jardins, as flores parti­cularmente bonitas, mais adiante ouvir a voz de alguma mulher cantando desafinada, com a janela aberta, eu a percebia costurando.

Observava um caniche que passava, depois um lulu da Pomerânia, mais adiante um cachorro ‘de rua’. Às vezes aparecia um filhote mestiço (certamente uma cadela tinha escapado para a rua e encontrado um cachorro sem raça, daí o nascimento desse mestiço) com a saúde robusta, por um lado, e por outro um pouquinho de finura da cadela. Andava luzidio e exibicionista como um burguesinho, abanando o rabo e latindo para se fazer ver.

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Plinio Corrêa de Oliveira