Um novo  pontificado  ainda  à sombra do anterior?
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Um novo pontificado ainda à sombra do anterior?

O texto compara o início do pontificado do Papa Francisco, descrito como um “furacão” de gestos simbólicos e reformas rápidas e polêmicas, com o de Leão XIV, visto como uma “garoa” calma, mais sóbria e contínua em relação à linha anterior, mas sem rumo próprio claramente definido. Francisco tentou acelerar uma “mudança de paradigma”, especialmente na questão dos divorciados recasados, o que gerou forte polarização e ampla oposição na Igreja. Já Leão XIV, até aqui, é percebido como alguém que acalma os ânimos, melhora o estilo e o decoro do pontificado, enquanto se espera que, após o Consistório de janeiro, ele passe a imprimir sua própria marca.
José Antonio Ureta

Em artigo recente para o portal Religión Digital, José Manuel Vidal compa­rou os Papas Francisco e Leão XIV a um furacão e a uma garoa. A imagem é feliz, ao menos quanto ao impulso inicial que cada um deu ao pontificado já no primeiro ano.

O Papa Francisco marcou o terreno desde o primeiro momento. Não apenas com gestos de impacto: recusar o Palácio Apostólico; viajar a Lampedusa para encontrar imigrantes ilegais; e lançar ao mundo a frase sobre os homossexuais, que se tornaria a assinatura de seu pontificado: “Quem sou eu para julgar?”.

Também tomou decisões estruturantes. Um mês após sua eleição, já criava um grupo de car­deais para estudar a reforma da Cúria; em junho e julho, instituía comissões para revisar a adminis­tração econômica do Vaticano; no fim do verão, nomeava o futuro Cardeal Pietro Parolin Secretário de Estado; em setembro, colocava o Arcebispo Beniamino Stella à frente da Congregação para o Clero, e o Arcebispo Lorenzo Baldisseri no Se­cretariado do Sínodo, ambos substituindo perfis conservadores e elevados ao cardinalato pouco depois; e, logo a seguir, no início de outubro, con­vocava a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo para a Família, com a clara intenção de abrir caminho à plena integração sacramental dos divorciados recasados, proposta defendida pelo cardeal ultraprogressista Walter Kasper, que ele já havia posto ao seu lado e elogiado publicamente desde o seu primeiro Angelus.

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