Um novo pontificado ainda à sombra do anterior?
Em artigo recente para o portal Religión Digital, José Manuel Vidal comparou os Papas Francisco e Leão XIV a um furacão e a uma garoa. A imagem é feliz, ao menos quanto ao impulso inicial que cada um deu ao pontificado já no primeiro ano.
O Papa Francisco marcou o terreno desde o primeiro momento. Não apenas com gestos de impacto: recusar o Palácio Apostólico; viajar a Lampedusa para encontrar imigrantes ilegais; e lançar ao mundo a frase sobre os homossexuais, que se tornaria a assinatura de seu pontificado: “Quem sou eu para julgar?”.
Também tomou decisões estruturantes. Um mês após sua eleição, já criava um grupo de cardeais para estudar a reforma da Cúria; em junho e julho, instituía comissões para revisar a administração econômica do Vaticano; no fim do verão, nomeava o futuro Cardeal Pietro Parolin Secretário de Estado; em setembro, colocava o Arcebispo Beniamino Stella à frente da Congregação para o Clero, e o Arcebispo Lorenzo Baldisseri no Secretariado do Sínodo, ambos substituindo perfis conservadores e elevados ao cardinalato pouco depois; e, logo a seguir, no início de outubro, convocava a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo para a Família, com a clara intenção de abrir caminho à plena integração sacramental dos divorciados recasados, proposta defendida pelo cardeal ultraprogressista Walter Kasper, que ele já havia posto ao seu lado e elogiado publicamente desde o seu primeiro Angelus.
...
Acesso Gratuito Disponível
Este artigo está disponível gratuitamente para todos os usuários cadastrados. Faça login para ler o conteúdo completo.
Artigos Relacionados
Capa
VIII CENTENÁRIO DO FALECIMENTO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS, “UM OUTRO CRISTO”
Thomás de Celano, Boaventura e outros escritores celebram São Francisco de Assis como o “Poverello” que, ao viver na pobreza e abraçar a Cruz, tornou‑se um “Outro Cristo” para a Igreja, sustentando‑a quando esta parecia à beira do colapso. Sua vida, marcada por revelações, estigmas e a fundação dos Frades Menores, exemplifica a união entre alegria, humildade e profunda devoção à Eucaristia, inspirando também a criação da Ordem Terceira e das Clarissas. O santo buscou converter os infiéis, enfrentou inúmeras dificuldades nas viagens ao Oriente e, ao instituir o primeiro presépio em Greccio, eternizou a simplicidade e a compaixão cristãs. Assim, a memória de Francisco, celebrada em 4 de outubro, continua a iluminar a fé, a caridade e a missão da Igreja universal.
Capa
O Homem da Cruz que deteve a marcha do neopaganismo renascentista
Oitocentos anos após sua morte, São Francisco de Assis permanece como modelo de amor à Cruz, pureza e desapego, oferecendo ao mundo contemporâneo a necessidade de superar orgulho, sensualidade e a escravidão dos bens materiais. Conforme as conferências de Plínio Corrêa de Oliveira, sua força interior, a “ação contra‑revolucionária preventiva”, e a união da humildade com a firmeza transformaram a Cristandade do século XIII e ainda inspiram a luta contra as mesmas tentações atuais. Assim, o legado franciscano convida a reencontrar o espírito da pobreza voluntária, a devoção à Imaculada Conceição e a coragem de seguir a vocação divina, mesmo quando poucos e desprezados.
Capa
ADVERTÊNCIA DA VIRGEM MARIA AO BRASIL
Há 90 anos, por ocasião de suas aparições em Cimbres, no estado de Pernambuco, Nossa Senhora nos advertiu e preveniu misericordiosamente contra os perigos do sistema comunista ameaçando o Brasil. Há pesquisadores do acontecimento para os quais Cimbres é a “Fátima brasileira”.
Capa
CRISTEROS - EXEMPLAR EPOPEIA DE GUERRA JUSTA
O artigo relembra a Cristiada, revolta católica mexicana iniciada em 1926 contra a perseguição anticlerical e socialista do governo de Plutarco Elías Calles. Os Cristeros, organizados por associações católicas, defenderam a liberdade religiosa primeiro por meio da propaganda e do boicote, e depois pela resistência armada. Inspirados pelo Sagrado Coração de Jesus e pelo reinado social de Cristo, lutaram sob os brados “Viva Cristo Rei!” e “Viva Nossa Senhora de Guadalupe!”. Apesar de vitórias militares e numerosos atos de heroísmo e martírio, a revolta terminou com acordos desfavoráveis e novas perseguições aos católicos. O texto conclui que, mesmo aparentemente derrotados, os Cristeros deixaram um exemplo duradouro de fé, coragem e defesa da Igreja.