A BUSCA PELA PERFEIÇÃO
Deus não é propriamente perfeito. Ele é a perfeição! É algo diferente de “ser perfeito”. Um homem que era perfeito, se deixa de sê-lo, continua sendo homem. No mundo está cheio de imperfeitos, enchendo cidades, montes e vales. Entretanto, no que concerne a Deus, não pode Ele ser imperfeito. Há uma impossibilidade suprema e divina de Ele ser imperfeito. Sua onipotência consiste em ser perfeitíssimo! No que concerne ao homem católico, como ele deve tender a Deus, deve procurar tender à perfeição em todas as coisas. Antes de tudo na vida espiritual, ele deve tender a ter um amor o mais possível perfeito em relação a Deus. Como isso é um ideal altíssimo, que normalmente não está ao alcance dos homens, é preciso pedir por meio de Nossa Senhora — que foi perfeitíssima, concebida sem pecado original, filha do Padre Eterno, Mãe do Verbo Encarnado, Esposa do Divino Espírito Santo, e, portanto, colocada numa altura incalculável e amada pela Santíssima Trindade com um amor que não temos possibilidade de calcular. Ela, entretanto, é uma mera criatura humana como somos nós. Mas poderá ter pena de nós, dando-nos o desejo da perfeição. Ou seja, desejando alcançar a santidade. Santo é aquele que obteve a perfeição na vida espiritual, e todos devemos desejar a santidade. Essa Todo católico deve tender a Deus, portanto tender à perfeição em todas as coisas; levar ao mais alto grau as nobres qualidades humanas; buscar a santidade. é nossa meta, nossa razão de ser. Tal desejo tem reflexo na nossa atitude querendo que todas as coisas sejam perfeitas. Perfeita ordenação na Santa Casa de Loreto Um exemplo. A mais simples das casas é aquela que a Sagrada Família teve na Terra Santa, e que os anjos, séculos depois, transportaram para Loreto, na Itália, onde hoje essa casa é venerada. Imaginem nessa casa, no centro de uma sala, uma mesinha com três bancozinhos para a Sagrada Família tomar refeições. No meio dela um vasinho e perto uma caixa para guardar coisas. Tudo simplicíssimo, mas não se pode imaginar que o vasinho estivesse colocado de modo errado na mesa e que a flor nele colocada estivesse posta sem arte. Os bancozinhos, feitos por São José, simples, mas com tanta distinção, arte e bom gosto, que seriam obras-primas. Também não se pode imaginar jogado pelo meio da sala uma sandália, ainda que fosse uma celestial sandália do Menino Jesus. Não é verdade que na Sagrada Casa de Loreto deveria reinar a mais perfeita ordem? Por que essa ordem perfeita? Por causa da tendência para a perfeição deles três — Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora e São Jose.
Assim sendo, numa civilização onde todos fossem católicos, e, sobretudo, tendendo à santidade e execrando o vício, tudo deveria ser admirável, bem arranjado, fino, simpático. Mesmo entre pessoas pobres. Ninguém tem obrigação de ser rico, todo mundo tem obrigação de procurar ser perfeito! Isso deve levar a que um homem que deseje a perfeição, queira ser perfeito em todas as coisas. Se sua alma for perfeita, ele tem os gestos, a amabilidade, a cortesia, o modo de fazer, perfeitos também. No exemplo da Sagrada Família, não se pode imaginar os três comendo apoiados na mesa de modo vulgar, mas, sim, com modos perfeitamente celestiais. Nobreza e Santidade Também o homem deve procurar a perfeição de modo esplêndido. Tanto quanto a natureza humana permite, procurar levar as qualidades ao mais alto grau. Esse é um nobre. É duro levar até ao mais alto grau as qualidades humanas. Em geral, isso é mais fácil quando a família toda é assim, quando se tem uma tradição de família que modela o homem. Por isso a nobreza é hereditária. Encerro com outro exemplo. Luís XVI, o Rei da França que foi decapitado na Revolução Francesa, teve uma irmã que é bem-aventurada. Os revolucionários não gostam que se lembre de alguém venerado nos altares que seja nobre. Ela é a bem-aventurada Clotilde de França, uma Princesa Real.* Essa senhora levava numa alma perfeita toda a distinção, toda a nobreza, toda a elegância de Versailles. É a perfeição! Era uma nobre santa. O ter boas maneiras e distinção facilita a aquisição da virtude. Sobretudo, ter virtude facilita a ter boas maneiras. d Excertos de uma conversa com o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 17 de fevereiro de 1992. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.
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