Palavra do Sacerdote - Junho de 2026
Pergunta – Participei recentemente de uma reunião ‘Crescendo na Fé’, organizada por um grupo leigo que eu não conhecia. Durante as discussões, tratou-se da devoção popular ao Sagrado Coração de Jesus, e fiquei bastante chocado ao perceber que o sacerdote palestrante e a maioria dos participantes apresentavam uma visão muito negativa dessa devoção. Alguns chegaram a afirmar que se tratava de uma prática pouco espiritual, que conduz a uma espécie de materialismo; outros disseram que seu objeto não era claro: se se tratava do órgão físico ou do amor entendido de forma simbólica. Houve quem alegasse que essa conexão entre o coração e o amor estaria superada pela ciência, que já não considera o coração como sede das emoções. Por fim, o próprio padre declarou que seria teologicamente errado prestar culto a uma parte do corpo, em vez de adorar a pessoa inteira de Cristo. Ainda foi feita uma crítica de que essa devoção dá ênfase excessiva aos sentimentos, colocando um foco desproporcional — até mórbido — no sofrimento e na reparação. Confesso que ainda estou perplexo com tudo que ouvi e gostaria de receber uma explicação que me ajudasse a preservar minha devoção ao Sagrado Coração Jesus.
Resposta – Agradeço a sinceridade do leitor e aproveito a ocasião para fazer uma recomendação importante: é sempre prudente informar-se bem antes de aceitar convites para participar de encontros de “formação” religiosa. Nem sempre tais ambientes são seguros do ponto de vista doutrinário; ao contrário, podem introduzir, de modo sutil, dúvidas sobre práticas tradicionais de piedade ou até mesmo sobre verdades fundamentais da fé. Foi infelizmente o que parece ter ocorrido nessa reunião — que talvez fosse mais adequado chamar de “demolição” — da qual o leitor participou. Embora a devoção ao Sagrado Coração de Jesus ocupe um lugar central na espiritualidade católica há mais de três séculos, ela continua sendo alvo de críticas, tanto por parte de intelectuais racionalistas quanto de correntes progressistas dentro da própria Igreja. O relato apresentado reúne, em forma condensada, essas objeções, que giram sobretudo em torno de três pontos: a suposta indefinição do objeto da devoção, seu fundamento teológico e a legitimidade de suas expressões simbólicas e práticas. No espaço limitado desta resposta, procurarei oferecer uma explicação de conjunto para as dificuldades mencionadas, mostrando a legitimidade espiritual da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, seu equilíbrio teológico e a coerência entre seus fundamentos doutrinários e suas práticas de piedade.
Aspecto simbólico do coração
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